Do indestrutível tartígrado, que pode sobreviver no vácuo do espaço, ao Axolotl, que pode regenerar seus membros, uma nova coleção do Museu de História Natural dos EUA, em Nova York, mostra a diversidade da vida nos extremos da Terra.
“Você pode vê-los como verdadeiros super-heróis da natureza”, disse Ellen V. Futter, a presidente do museu, em uma prévia para a imprensa da exposição Life at the Limits: Stories of Amazing Species, que começa no dia 4 de abril e irá até o dia 3 de janeiro de 2016. Ela também disse que as espécies destacadas são como “embaixadores da grande história da evolução”.
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O peixe que escala cachoeiras. Crédito: © AMNH/D. Finnin
“Esta exposição examina a fundo o poder da seleção natural e as formas incríveis com que novos tipos de sobrevivência surgiram”, adicionou Michael Novacek, paleontólogo do museu, que moderou um debate com os dois curadores da exposição, o parasitólogo Mark Siddall e o ictiólogo John Sparks.
E, realmente, a variedade de formas de vida exibidas pelos corredores do museu é impressionante. Algumas das espécies destacadas evoluíram com adaptações extremas, como por exemplo a insana capacidade de carregar peso do besouro-hércules, que pode levantar objetos 80 vezes mais pesados do que ele. Outras espécies são marcantes pela persistência em condições completamente adversas. O peixe-da-caverna que escala cachoeiras, que faz basicamente o que o nome dele diz, é um representante da categoria, assim como o já citado tartígrado.
O tartígrado, inclusive, é o mascote não-oficial da expo. Ele não apenas consegue enfrentar as condições violentíssimas do espaço, como ele também consegue se recuperar ao ser cozido, congelado e desidratado durante uma década, ou até mesmo ser exposto a intensa radiação ou pressão.

Tartígrados recebem os visitantes da exposição. Crédito: AMNH/R. Mickens
Como sou fã há tempos do tartígrado e de seu incrível arsenal de sobrevivência, foi particularmente emocionante ver as enormes esculturas do micróbio, 6 mil vezes maior do que seu tamanho original. O tartígrado é um micróbrio bem legal, pena que não pode ver– mentira, não é isso. Foi interessante ter a sensação de conhecê-lo de uma forma mais próxima de uma escala real.
Mas a vida no limite não é só sobre a “calçada da fama” do mundo extremo. Algumas das espécies mais impressionantes são aquelas que nunca ouvimos falar, como o engolidor-negro.

O engolidor-negro. Crédito: © AMNH/R. Mickens
Este peixe de mares profundos vive quilômetros abaixo do nível do mar, onde não é muito fácil arranjar comida. Para tirar o máximo de cada refeição que ele consegue no oceano, o engolidor-negro criou a habilidade de engolir dez vezes mais do que seu próprio peso. O resultado disso é uma barriguinha mole assustadoramente estendida.
A exposição também tem algumas salas interativas, incluindo um jogo com sensores de movimento que permite ao visitante “usar” algumas adaptações extremas. Durante nossa turnê, um grupo de crianças estava testando o soco insano que o estomatópode dá.

Estomatópode versão interativa. Crédito: © AMNH/R. Mickens
“Seu soco é o equivalente a força de uma bala de calibre .22, tão forte que a água chega a evaporar, esquentar, e então voltar com uma força que chega a gerar luz e calor”, disse Siddall aos visitantes.
“Nós poderíamos ter essa habilidade!”, ele completou, falando sobre o campo de visão expandida do estomatópode. “Ele tem todos os tipos de superpoderes.”
Há inclusive alguns estomatópodes vivos em um pequeno aquário (spoiler: esses crustáceos são muito lindos). Há também aquários com alguns Axolotls e moluscos náuticos. Apesar das réplicas gigantes dos tartígrados e do besouro-hércules, nada vence a maravilha das espécies reais.
O conceito de “vida ao limite” é um pouco vaga, e como os próprios curadores disseram, quase qualquer espécie pode ser considerada extrema em certos parâmetros. Mas o tema amplo permite que cada pedaço da exibição seja coberto com animais extraordinários.
A exibição talvez fosse melhor resumida pelas palavras de Ian Malcolm, do Jurassic Park, interpretado por Jeff Goldblum: “A vida, hm, dá um jeito”. Em sua nova expo, o Museu de História Natural mostra quão esquisito esses jeitos podem ser.
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