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No Quénia, o ballet está a tirar estes rapazes das favelas

Conhecemos um promissor bailarino, num dos mais improváveis sítios do Planeta, a favela de Kibera, em Nairóbi, Quénia.
07 March 2018, 8:08pm

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No Centro de Dança, em Nairobi, Quénia, Shamick Otieno, de 13 anos, está a cumprir um intenso calendário de 10 aulas de ballet por semana. Ao contrário de muitos dos outros jovens alunos, para Shamick a possibilidade de atingir a excelência no bailado clássico significou sair de casa e deixar a família para viver num internato em Nairóbi.

Shamick é de Kibera, uma favela densamente povoada nos arredores da capital queniana e a maior em toda a África. Há quatro anos, começou a frequentar aulas de dança da Annos Africa, uma organização sem fins lucrativos, que leva a arte aos miúdos que vivem em condições de extrema pobreza, e foi o professor que reparou no talento de Shamick. Foi-lhe oferecida uma bolsa de estudo, com a qual paga o alojamento, as propinas da escola e as aulas de dança. No entanto, viver longe de casa tem sido difícil para Shamick, que cresceu numa casa só de uma divisão.

"A família era muito pobre. Não foi fácil", explica a mãe à VICE News. Apesar das reticências iniciais em relação às capacidades de dança do filho, agora espera que essas mesmas capacidades sejam o seu bilhete para um futuro mais promissor. E há razões para acreditar nisso. O mentor de Shamick, Joel Kioko, também veio das favelas. Aprendeu através do mesmo programa e é, hoje em dia, bolseiro no English National Ballet, em Londres. Ambos encontram inspiração no potencial um do outro e ambos esperam um dia voltar à favela na condição de bailarinos profissionais e poderem, assim, dar esperança e oportunidades a outros jovens.


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