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Ambiente

Estes são os 5 maiores culpados das alterações climáticas

Os directores gerais das empresas causadoras das maiores taxas de contaminação do nosso planeta.

Por Emily Goddard; Traduzido por Mario Abad, e Madalena Maltez
23 Setembro 2019, 11:33am

Foto: Christopher Pugmire 

Este artigo faz parte da Covering Climate Now, uma colaboração internacional entre mais de 250 meios de comunicação para dar maior cobertura a notícias sobre o meio-ambiente.

A crise ambiental levou pessoas comuns a fazerem coisas extraordinárias. O teus amigos, as tuas tias e o teu antigo professor de matemática: toda a gente acabou preso, faltou às aulas, procurou comida em contentores e jurou que nunca teria filhos na esperança de, assim, impedir que a humanidade acabe varrida pelas secas, por uma guerra por água ou por um desastre natural massivo.

Por outro lado, há pessoas que têm feito exactamente o oposto. Os principais operadores de combustíveis fósseis não deixaram de intensificar a sua actividade, apesar de estarem plenamente cientes dos efeitos devastadores que os seus produtos têm sobre um meio-ambiente cada vez mais frágil.


VÊ:


Desde 1988, há 100 empresas que são responsáveis por 71 por cento das emissões globais de gases com efeito de estufa, segundo um relatório de 2017 elaborado pelo Carbon Disclosure Project (CDP). Entre elas, há 25 entidades produtoras que geram mais de metade dos gases com efeito estufa do mundo. No CDP, garantem que a magnitude das emissões que essas empresas têm vindo a produzir ao longo da história é considerável o suficiente para que se possa afirmar que contribuíram, significativamente, para as alterações climáticas.

Mas de quem é, exactamente, a culpa? Embora seja verdade que os directores executivos não são os responsáveis directos pelos danos causados ao nosso planeta desde há décadas, eles também não estão numa situação muito boa porque, como qualquer bom chefe, são os derradeiros responsáveis. É a eles que devemos pedir explicações se queremos que ocorra uma mudança real. Para isso, acreditamos que a melhor maneira é começar por pôr um nome e apelido aos cinco grandes poluentes do nosso planeta.

As informações que aqui aparecem foram extraídas do relatório do CDP de 2017 e são os dados mais actuais disponíveis no momento da publicação deste artigo. Entrámos em contacto com os autores do relatório que nos disseram que, embora estejam a desenvolver novas estatísticas, estas estão precisas no que toca à ordem.

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Darren Woods en su reunión con el primer ministro chino, Li Keqiang, en 2018. Foto: Liu Weibing / Xinhua / Alamy Live News

5: ExxonMobil Corp

Porcentagem de emissões industriais de gases com efeito de estufa a nível mundial: 1,98 por cento
Director geral e presidente: Darren Woods

A ExxonMobil é a maior petrolífera do mundo e a única que é propriedade de investidores deste ranking. Darren Woods assumiu a chefia no início de 2017, após 24 anos a trabalhar na empresa.

Woods apoia o Acordo de Paris e até escreveu uma carta a Trump na qual lhe pedia que este cumprisse os termos do pacto. No entanto, num relatório da InfluenceMap do início do ano, assegurava-se que a ExxonMobil tinha planeado gastar 41 milhões de dólares (cerca de 37 milhões de euros) por ano em pressões para paralisar políticas de protecção ambiental.

A empresa enfrenta uma acção legal imposta pela procuradoria-geral de Nova Iorque em Outubro do ano passado, na qual acusa a petroleira de enganar investidores subestimando o risco que as alterações climáticas supõem para os activos da empresa. À acção legal seguiu-se uma investigação de três anos, com base nos "custos de emissão" de carbono da ExxonMobil que levaram à desestabilização económica que impediu a implementação de regulamentos futuros sobre as alterações climáticas. No processo, alega-se que a empresa não respeitou os custos dos direitos de emissão, porque ou os reduziu sem anunciar ou não os aplicou. Na ExoxnMobil, afirmaram que o processo era "infundado".

Um representante da empresa explicou-nos: “A ExxonMobil tem vindo a aplicar um custo de emissões de carbono às suas oportunidades de investimento, há anos, consoante lhes parece apropriado, como uma medida de previsão do impacto económico adicional de futuras políticas governamentais. No seu relatório financeiro, a ExxonMobil assinala que utiliza custos de direitos de emissão de carbono, o que também está inequivocamente especificado nos documentos entregues à procuradoria-geral”. O julgamento começará em Manhattan para o mês que vem.

Entretanto, apesar de ter enfatizado a importância do compromisso e do diálogo, Woods não participou na audiência conjunta do Parlamento Europeu realizada em Março sobre a negação do aquecimento global. No entanto, a Câmara Europeia optou por não retirar as acreditações aos lobistas da ExxonMobil por considerar que a empresa não tinha sido formalmente convidada a participar na audiência.

Um porta-voz da ExxonMobil disse: “Rejeitamos as teorias já desacreditadas que pretendem legitimar observações científicas e diferenças nas abordagens políticas como argumentos válidos para a negação das alterações climáticas. Essas alegações foram refutadas pelo registo histórico, que inclui os quase 40 anos de pesquisa da ExxonMobil realizada publicamente com o Departamento de Energia, académicos e com o Painel Intergovernamental das Nações Unidas sobre Alterações Climáticas.

“Suspendemos o financiamento de vários grupos quando esses assumiram posições extremas que se desviavam da questão importante, de políticas ambientais ou que não tinham apoio científico. O perigo das alterações climáticas é real e exige acção. Acreditamos que isso nos levará a todos - empresas, governos e indivíduos - pelo caminho do progresso e queremos fazer parte da solução. Desde 2000 que investimos 10 bilhões de dólares em tecnologias de baixa emissão, como sequestro de carbono e biocombustíveis de algas. ”

masoud karbasian
Masoud Karbasian. Foto: ITAR-TASS News Agency / Alamy Stock Photo

4: National Iranian Oil Co

Porcentagem de emissões industriais de gases com efeito de estufa a nível mundial:: 2,28 por cento
Director geral: Masoud Karbasian

A National Iranian Oil Co, propriedade do estado, é a segunda empresa petrolífera mais importante do mundo, com uma capacidade de produção diária de mais de 4 milhões de barris de petróleo bruto e mais de 750 milhões de metros cúbicos de gás natural.

Masoud Karbasian foi nomeado director executivo da NIOC em Novembro de 2018, depois do governo Trump ter imposto um embargo ao petróleo do Irão. Anteriormente, tinha sido ministro das Finanças do Irão até ser demitido pelo parlamento em Agosto passado, por não reagir de forma adequada ao impacto das sanções económicas impostas pelos Estados Unidos pelo programa nuclear iraniano.

Muito poucas menções a alterações climáticas, responsabilidade ambiental e emissões podem ser encontradas no site da NIOC. No entanto, em Junho deste ano, Karbasian disse que a protecção do meio ambiente é "uma responsabilidade inerente à ética, cultura e crenças" da sua empresa. Mencionou medidas para limitar os danos ambientais, como priorizar a prevenção às actividades de reforma. O Irão assinou, mas não ratificou, o Acordo de Paris.

National Iranian Co não respondeu às nossas múltiplas solicitações de entrevista.

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Alexey Miller. Photo: Pluto / Alamy Stock Photo

3: Gazprom OAO

Porcentagem de emissões industriais de gases com efeito de estufa a nível mundial:: 3,91 por cento
Director geral: Alexey Miller

A empresa de gás natural Gazprom, controlada pelo Kremlin, é a empresa mais valiosa da Rússia listada oficialmente. Alexey Miller é presidente do comité de administração desde 2001. Antes de ter este cargo, foi vice-ministro de Energia da Rússia.

Sob a sua chefia, em 2013, a Gazprom tornou-se na primeira empresa a extrair petróleo do Ártico no campo de Prirazlomnoye, que se acredita conter mais de 70 milhões de toneladas de petróleo. Por outro lado, a empresa está a desenvolver um plano para instalar um gasoduto gigantesco, o Nord Stream 2, que se estenderia da Rússia à Alemanha. Os detratores do projecto, entre os quais o primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump e o presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk, descreveram-no como "divisivo", uma ferramenta para converter a Alemanha num "refém da Rússia" e "negativo", respectivamente.

No ano passado, Miller foi incluído numa lista de sanções impostas pelos Estados Unidos, algo em que ele afirma ter orgulho. Essas sanções destinavam-se a penalizar várias personalidades russas por uma suposta interferência no processo eleitoral, entre outras actividades.

A Gazprom foi a primeira empresa petrolífera e de gás natural russa a desenvolver uma política ambiental. No seu site, garantem “tomar medidas apropriadas para melhorar continuamente o seu desempenho ambiental”, como definir objectivos ambientais corporativos e treinar adequadamente os seus funcionários.

Gazprom OAO não respondeu às nossas múltiplas solicitações de entrevista.

amin nasser
Amin H Nasser. Photo: ITAR-TASS News Agency / Alamy Stock Photo

2: Saudi Arabian Oil Company (Aramco)

Porcentagem de emissões industriais de gases com efeito de estufa a nível mundial: 4,50 por cento
Director geral: Amin H. Nasser

A Saudi Aramco é a empresa estatal mais rentável do mundo e a que emite mais GEE no sector de combustíveis fósseis. A empresa defende que o petróleo e o gás continuarão a ser a chave para atender à crescente demanda global porque, segundo Nasser, "demorará algum tempo até que as alternativas estejam preparadas para suportar o fardo de ter que fornecer energia adequada e acessível".

Recentemente, foram recuperados os planos de cotação em bolsa da empresa no valor de 3 bilhões de dólares. Espera-se que a oferta pública inicial, que segundo o príncipe herdeiro Mohammed bin Salman irá ocorrer em 2021, seja a maior da história.

Nasser assumiu a direcção geral da Saudi Aramco em 2015, depois de 33 anos a trabalhar na empresa. Ele começou a sua carreira como engenheiro no departamento de produção de petróleo e é graduado em Engenharia Petrolífera pela Universidade Rei Fahrad de Petróleo e Minerais de Dhahran.

Nasser já mencionou o compromisso da empresa em reduzir as emissões de GEE e em financiar tecnologias que "propiciem benefícios ambientais consideráveis".

Aramco não respondeu às nossas múltiplas solicitações de entrevista.

1: China (carbono)

Porcentagem de emissões industriais de gases com efeito de estufa a nível mundial: 14,32 por cento
Director geral: O Estado

A China, onde as emissões de carbono são da responsabilidade do Estado e a produção é dividida entre vários conglomerados industriais de propriedade estatal, é o maior produtor de carvão do planeta e o principal emissor de GEE. A poluição do ar na China causa a morte prematura de 1,6 milhões de pessoas por ano, de acordo com um relatório do US Health Effects Institute.

A China assinou o Protocolo de Tóquio em 1998 - mas ficou isenta das metas de redução de emissões - e ratificou o Acordo de Paris em 2016. Surpreendentemente, o país alcançou os seus objectivos de carbono para 2020 três anos antes do previsto, ao cortar 46 por cento das emissões de dióxido de carbono por unidade do PIB desde 2005.

Ainda assim, as emissões de carbono da China aumentaram 2,6 por cento, tendo atingido as 1760 milhões de toneladas durante a primeira metade do ano. Nesse mesmo período, a aprovação de licenças para a construção de novas minas de carvão aumentou em cinco vezes. Imagens de satélite também parecem mostrar que, no ano passado, foram retomadas as construções de plantas eléctricas de carvão, indicativo da crença da China de que a produção e o consumo de carvão podem aumentar ao mesmo tempo que as emissões são reduzidas.

A China espera continuar a aumentar a sua capacidade energética fundada no carvão e atingir o seu pico em 2030.


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