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ciencia

Estudo diz que as lulas são o novo plástico biodegradável

Uma bactéria dos tentáculos da lula pode ser alterada geneticamente para produzir quantidades industriais de polímeros ecológicos.

Por Becky Ferreira; Traduzido por Madalena Maltez
26 Fevereiro 2019, 5:39pm

Uma lula havaiana. Imagem: Chris Frazee e Margaret McFall-Ngai.

Este artigo foi originalmente publicado na nossa plataforma Motherboard.

A poluição do plástico está a devastar os oceanos e a envenenar animais, contaminando o ambiente marinho, mas cientistas acham que a solução para este problema pode estar nos próprios mares - mais precisamente nos tentáculos de lula.

As lulas têm proteínas complexas desenvolvidas nas ventosas dos tentáculos. As proteínas são usadas para formar um anel de picos (SRT - Squid Ring Teeth no original em inglês) de material biopolímero dentro das ventosas, que permite ao animal agarrar as presas. Os cientistas de materiais Abdon Pena-Francesch e Melik Demirel, da Penn State University, na Pensilvânia, Estados Unidos, acreditam que o SRT pode ser um futuro e promissor biodegradável para substituir o plástico.

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Arte conceptual que representa o "Squid Ring Teeth". Imagem: ACS

Felizmente, isto não significa sacrificar lulas inocentes para lhes tirar os anéis. Num estudo publicado na última quinta-feira, 21 de Fevereiro, na Frontiers in Chemistry, a equipa descobriu que bactérias como E. coli podiam ser geneticamente alteradas para, potencialmente, produzir quantidades industriais destas proteínas especiais que tornam o SRT tão flexível, forte e amigo do ambiente.

As propriedades moleculares únicas do material derivam de proteínas componentes que se repelem entre si. Esta separação produz estruturas moleculares complexas, que variam entre folhas lisas e fios emaranhados de material.

Por causa da sua versatilidade, SRT sintético poderia integrar têxteis para que as roupas largassem menos fibras sintéticas na máquina de lavar, o que, surpreendentemente, é uma das maiores fontes de poluição de plástico no oceano. Também poderia ser usado para criar capas e películas de protecção contra químicos e armas biológicas, conforme salienta a equipa. "Proteína de lula pode ser usada na produção da próxima geração de materiais para várias áreas, incluindo energia e biomedicina, assim como para os sectores da segurança e defesa", garante Demirel.


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