Cultura

Neo-nazis estão a organizar treinos paramilitares secretos nos Estados Unidos

A criação de uma nova rede social, chamada “The Base”, parece ser um esforço para transformar o neo-nazismo numa insurgência física violenta.

Por Ben Makuch e Mack Lamoureux
29 Novembro 2018, 4:23pm

Uma foto de propaganda, supostamente a mostrar membros da The Base num "acampamento de treino". Foto via Twitter.

Este artigo foi originalmente publicado na VICE US.

Um neo-nazi, que utiliza o pseudónimo, Norman Spear lançou um projecto para unificar fascistas online e colocá-los numa rede de treino de novos soldados, para uma suposta “guerra racial”. Spear, que diz ser um veterano das guerras do Iraque e Afeganistão, auto-proclama-se "um nacionalista branco com muitos seguidores online". A sua última acção envolve juntar neo-nazis, independentemente da afiliação e ideologia, sob a égide de uma organização militante. A ferramenta que o utiliza para o fazer? Uma rede social chamada “The Base”, que se organiza pelos EUA e outros países.

No confinamento de uma chat room segura vista pela VICE, Spear e as suas células globais de terrorismo fazem contactos, criam propaganda, organizam reuniões presenciais e discutem violência em potencial ou “acção direta” contra minorias, especialmente judeus e afro-americanos. Uma extensa biblioteca online contém diversos manuais de instrução de táticas de terrorismo para lobos solitários, fabrico de armas, mineração de dados, tácticas de interrogatório, técnicas de contra-vigilância, produção de bombas, criação de armas químicas e guerrilha.


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O processo de recrutamento da rede social serve para "peneirar" extremistas comprometidos em produzirem violência no mundo real. Membros da The Base já deixaram claro que estão em busca de pessoas com conhecimento militar e de explosivos. Nas discussões, os frequentadores dos fóruns já começaram a falar sobre como fazer bombas caseiras e como encontrar artefactos não-detonados da Segunda Guerra Mundial para, a partir destes, construírem explosivos improvisados.

“A minha cena é a violência, mas quero juntar-me com pessoas e planear alguma coisa”, escreveu um utilizador chamado Rimbaud para os quase 50 membros da rede secreta, lamentando que o acto de terrorismo recente numa sinagoga em Pittsburgh não tenha sido mais eficaz. “Talvez [se o perpetrador tivesse usado] algum tipo de bomba, ou algo um pouco mais destrutivo”, acrescenta.

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A The Base está a atrair extremistas conhecidos da extrema-direita. A plataforma conta com supostos membros da Atomwaffen Division – um grupo terrorista neo-nazi, ligado a vários crimes de ódio, uma tentativa de atentado com explosivos e um homicídio com motivação racial – e da Eco-Fascist Order (EFO) – uma recém-criada organização de extrema-direita que já está no radar de especialistas em terrorismo –, como parte da sua coligação crescente.

“Acho que, neste momento da história, toda a gente precisa de se juntar até certo ponto e se tornar numa coligação uniforme de diferentes ramificações, os escritores/educadores, os propagandistas, os organizadores e os militantes, numa coisa só”, escreveu um utilizador, ao discutir a forma como a sua organização, a Volkish, poderia trabalhar com a EFO.

Segundo o Southern Poverty Law Center, que monitoriza a The Base e Spear, a militarização do movimento neo-nazi dentro do ecossistema fracturado da extrema-direita, é algo que torna a The Base perigosa de uma forma única, especialmente num momento em que as autoridades federais estão com dificuldades para conter o terrorismo de extrema-direita nos EUA.


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No começo do ano, a Liga Anti-Difamação (LAD) divulgou um relatório que afirmava que “o número de incidentes anti-semitas foi quase 60 por cento mais alto em 2017 que em 2016, o maior aumento em um ano já registado e o segundo número mais alto reportado desde que a LAD começou a rastrear dados de incidentes assim nos anos 1970”. A LAD também disse que a maioria dos assassinatos relacionados com extremismo na última década foi cometido por extremistas de direita.

Heidi Beirich, directora do Projecto de Inteligência do SPLC, diz que a propaganda da The Base apresenta uma grande ameaça para a segurança pública, porque a rede “encoraja indivíduos a assumirem uma mentalidade de terrorismo de 'lobo solitário', ou de células" e leva os seguidores a prepararem-se para, de facto, se tornarem ameaças potenciais à segurança pública”.

Quando colocámos questões ao FBI sobre Spear e a The Base para este artigo, a entidade recusou-se a comentar. A VICE abordou Spear por e-mail, mas não teve resposta até ao momento da publicação.

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Norman Spear a participar num podcast (à esquerda). A imagem que o The Roper Report publicou de Spear para a aparição num programa de rádio (à direita).

A The Base estreou-se em Junho, como uma forma de galvanizar “o movimento” e “o nosso povo”, como afirmou Spear em Setembro num episódio do podcast The Roper Report. Para além de Spear, a rede é apoiada por várias personalidades do nacionalismo branco em plataformas como o Gab e Twitter.

Durante o podcast, Spear disse que a The Base foi pensada para unir nacionalistas brancos, para preparar insurgências violentas contra vários alvos, incluindo o governo norte-americano, como parte de uma teoria da conspiração anti-semita de que todo o poder ocidental é secretamente controlado por interesses judaicos. “Olhando para a paisagem do movimento [do poder branco], a maioria das coisas está a acontecer online e isso tem de mudar”, disse Spear. “[The Base] é focada em contactos e treino... Queremos construir um quadro de treinadores por todo o país”.

À superfície, a presença online da The Base não é muito diferente da de outros grupos de supremacia branca ou grupos jihadistas, como o Estado Islâmico: têm um site que funciona por assinatura e uma conta activa no Twitter (agora fechada), em que promovem táticas de lobo solitário e militares (vale a pena mencionar que o nome da Al-Qaeda pode ser traduzido para “A Base”, apesar de não ser claro se essa é uma referência propositada da The Base). Mas, há uma coisa que se destaca: os posts na The Base pensados para promover acções violentas.


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No Twitter, partilharam imagens de pessoas com máscaras de esqui a lerem mapas, militantes com armas nas mãos e o que parecem ser planos militares, tácticas detalhadas de contra-vigilância e um mapa com um desenho do corpo humano, destacando os melhores pontos para cortar ou esfaquear um opositor em auto-defesa (num tuíte, a The Base escreveu: “A melhor auto-defesa é uma boa ofensiva”).

Em chats seguros, a VICE viu membros da rede a criarem memes para espalharem como propaganda, colocando grande importância na necessidade de se infiltrarem na cultura pop com uma agenda neo-nazi. O principal propagandista deles é um utilizador chamado Poilu, que produz cartazes e memes de imagens que os grupos postam de si mesmos, além de outros militantes populares.

Um exemplo foi uma série fracassada de memes pensados para venerar o atirador da sinagoga de Pittsburgh, Robert Bowers – o propagandista reclamou que não existiam imagens de alta resolução dele na Internet. “A imagem é muito pequena, não consigo usar um bom filtro”, escreveu Poilu enquanto membros do grupo criavam memes sobre Bowers.

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Uma imagem criada por Poilu como propaganda.

“Ao contrário dos memes da chamada 'alt-right', a propaganda [que a The Base promove] não depende da popularidade para ser considerada um sucesso; para ter sucesso, este tipo de propaganda só precisa de encontrar o caminho para um hospedeiro, ou transmissores, ou juntar uma pequena célula de indivíduos”, explica Beirich. E acrescenta: “O recente ataque terrorista de Robert Bowers na sinagoga Tree of Life, em Pittsburgh, Pensilvânia, nos EUA, demonstra isso".

“É claro que a The Base espera usar poderosas plataformas de redes sociais para espalhar a sua mentalidade – o que quer dizer que esse vírus só vai infectar um pequeno número de indivíduos, ou transmissores, mas esses transmissores podem manifestar uma violência catastrófica”, sublinha a responsável.

Um porta-voz do Twitter, por sua vez, diz que a empresa proíbe a existência de grupos extremistas na plataforma. “Proibimos o uso dos serviços do Twitter por grupos extremistas violentos”, garante. E realça: “Utilizadores não podem afiliar-se a organizações que – seja pelas suas próprias declarações ou actividade dentro ou fora da plataforma – usam ou promovem violência contra civis para fazerem avançar as suas causas”. A conta da The Base no Twitter for retirada do ar algum tempo depois de a VICE falar com a empresa.

Quando comparado com os fóruns do Stormfront e outros paraísos neo-nazis da Internet, a The Base parece ter uma melhor curadoria, uma mistura de serviço de chat room e site de encontros, onde membros de grupos têm de passar por um processo de veto para entrar e são emparelhados geograficamente para actividades paramilitares. Menções do grupo já apareceram em outros fóruns de extrema-direita, como o Fascist Forge (o herdeiro do agora defunto Iron March), com um utilizador a garantir que estava ali para recrutar para a The Base.

“Na fase actual, temos que ser o mais discretos possível. Mas, enquanto as coisas aceleram, podemos ser mais clandestinos e mais tarde abertos, o que seria ideal”, explicou Spear aos seus seguidores no chat. E alertou: “Por enquanto, precisamos de acções não-atribuíveis, mas isso vai mandar uma mensagem e/ou acrescentar a máximo de aceleração possível”.

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Algumas das mensagens de Spear sobre "aceleração".

Enquanto parte da discussão na The Base é comum em círculos separatistas, os membros do site parecem até mais radicais, particularmente em várias conversas sobre o uso de explosivos. Numa troca de textos, dois membros discutem aconselhar os seus aliados europeus a desenterrarem munição não-detonada da Segunda Guerra Mundial na Alemanha, para reutilizar em explosivos improvisados, semelhante aos usados por grupos como o Estado Islâmico e os Talibã.

“Eu não usaria esses num método tradicional, já que, provavelmente, são instáveis, em vez disso usaria-os da mesma forma como os vietnamitas usaram bombas caseiras e granadas para construir novos métodos de ignição, através de uma menor quantidade de explosivos”, disse um utilizador. Depois do ataque terrorista em Pittsburgh, membros discutiram o seu apoio ao assassino e formas de aumentar a violência neo-nazi com acções semelhantes.

“Concordo com violência”, disse o utilizador Poilu a Rimbaud. E acrescentou: “Especialmente contra judeus. Há quanto tempo é eles nos andam a matar (?)”. “Nenhum deles é inocente”, respondeu Rimbaud.

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Screenshot de uma discussão na sala de chat.

Outra troca entre vários indivíduos discutia o desejo de cometerem ataques contra judeus e afro-americanos e um utilizador chamado Grimoire falou sobre o valor da sua experiência para a causa, dizendo que matou civis quando serviu no Afeganistão. “Sei como é matar mulheres e crianças”, referiu. E explicou: “Sendo parte de um esquadrão de metralhadoras no Afeganistão, só atirava chumbo aos alvos e havia mulheres e crianças mortas em certas circunstâncias, às vezes era uma criança que começava a disparar sobre nós em primeiro lugar”.

Noutra troca, Grimoire tentou direccionar a conversa para o fabrico de explosivos. “Vamos falar sobre bombas de cano”, disse depois de uma discussão sobre alterações climáticas. Outro utilizador respondeu: “A Natureza pode chupar-me o caralho. Bombas de cano são um tópico muito mais interessante e relaxante, mas isso é estar a pedir para chamar a atenção dos federais, rs”. Membros da The Base mencionam muitas vezes terem conversas noutros lugares, evitando chats de texto abertos em locais em que essas discussões – como o fabrico de bombas – podem ser consideradas crime federal.


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Embora a discussão sobre violência seja despreocupada, os membros da The Base são alertados para guardarem qualquer planeamento real de ataque para reuniões presenciais. Isso é similar à cartilha da Atomwaffen Division, que já produziu violência no mundo real promovendo guerrilha contra o estado e o que eles chamam de “o sistema” – um termo que Spear também usa online. A chave para isso é o que a Atomwaffen Division chama de “Acampamentos de Ódio”, ou treinos paramilitares, como os que a The Base propõe.

Amarnath Amarasingam, um especialista em terrorismo e investigador sénior do Institute for Strategic Dialogue, diz que o tipo de colaboração encorajado por Spear e The Base é um sinal familiar de escalada entre organizações militantes. “Esta é uma preocupação séria”, assegura Amarasingam à VICE. E justifica: “Historicamente, grupos terroristas encontram causas para cooperarem por razões tácticas e logísticas, mesmo quando sabem que as suas ideologias são diferentes. Reconhecem que a sua a causa geral é semelhante e que é do interesse de todos partilharem recursos limitados”.

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Uma foto que a The Base postou de um suposto membro finlandês do grupo.

O formulário de inscrição do site The Base inclui perguntas como o que grupos neo-nazis ou supremacistas brancos representam e quais as suas experiências “militares” e de “Conhecimento de Ciência e Engenharia”. Aceitam inscrições com pseudónimos ou alcunhas, mas perguntam a raça e o género de quem se inscreve.

Um recruta em potência submete o seu formulário de inscrição através de um site Wordpress, que depois é analisado pela The Base. Se aceite, o utilizador é convidado para um servidor de chat gerido pela Riot – um sistema de operação de código aberto, usado para troca segura de mensagens. Utilizadores também podem ser convidados directamente para o servidor Riot por um membro já existente. Nesse servidor de chat, o recruta é analisado mais uma vez.

No chat privado da The Base, os utilizadores deparam-se com oito canais: a sala principal de discussão, chamada Imperium, além de canais menores dedicados a auto-defesa, livros, música, registos de atividade, treinadores, sobrevivencialismo e localização de utilizadores.

Um link no topo da página para a Biblioteca leva o utilizador a um arquivo megaupload com cópias em pdf de livros. Dentro do arquivo digital há 20 secções, incluindo: táticas de guerrilha, literatura sobre armamentos, tácticas de sobrevivência, tradecraft militar e manuais de armas. Dentro dessas secções há manuais que o utilizador pode descarregar, alguns com apenas três (tradecraft) e outros com até 28 (fabrico de armas). Talvez a secção mais perturbadora seja a de armas, que conta com manuais sobre como operar explosivos e armas químicas. Nem todo o material disponível é caseiro; alguns foram tirados de revistas de armas, manuais militares e blogs – o material de fonte varia com o tema. “Químicos que matam em 30 segundos ou menos (ou o nosso próximo livro sai de graça)”, diz uma tag de um livro de 198 páginas.

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Screenshot da biblioteca da The Base.

O oitavo canal é ligado à região de cada utilizador e a partir dele podem mandar mensagens directas ou organizar encontros e treinos. Cada região tem um treinador indicado para ajudar no treino militar dos seus colegas nazis – os treinadores são indicados com base no seu conjunto de capacidades e no que podem ensinar aos camaradas da sua região.

A VICE já viu evidências de encontros presenciais entre utilizadores na rede de chat, como fotos de membros juntos, ou descrições do treinos. Apesar de o grupo ainda estar a começar, Spear escreveu que há vários “projectos de longo prazo na vida real” em que a The Base está a trabalhar, incluindo uma rede de comunicação segura de rádio amador e “localizações livres de escuta”.

Os registos do chat dizem que reuniões regionais são regulares e encorajadas (os números variam por região) e, como Spear explica, “têm de ser relacionadas com sobrevivencialismo, auto-defesa, acampamento, caminhadas, vida fora da rede, trocas operacionais e/ou tácticas de pequenas unidades”. Spear indica que encontros nacionais e globais já aconteceram e vão acontecer. “Já tivemos algumas reuniões e outras estão a ser planeadas para um futuro próximo”, escreveu. Segundo a rede secreta de chat, a próxima está marcada para Janeiro, mas o local ainda não foi anunciado no grupo.

Spear realiza concursos mensais dentro da The Base, encorajando encontros e a “região com mais actividade na vida real em cada mês ganha” um prémio desconhecido. Os encontros devem “envolver pelo menos dois membros da The Base” e ter alguma evidência fotográfica. Spear recomenda que os membros se encontrem pela primeira vez em público e permitam que a sua relação seja construída com base em confiança mútua.

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Dois membros da The Base postaram esta foto na rede de chat, mostrando-os num treino presencial. Um dia depois, a The Base postou a foto nas suas contas em outras redes sociais.

Enquanto a The Base surfa uma onda crescente de movimentos supremacistas brancos violentos na América do Norte e Europa, a sua popularidade está intrinsecamente ligada à de Norman Spear, cuja identidade real é desconhecida.

Spear activou a sua conta no Twitter @normanspear1 em Novembro de 2016 e tornou-se rapidamente parte dos círculos da extrema-direita nas redes sociais, sendo mencionado brevemente num artigo do SPLC em Abril. Recentemente, apagou qualquer vestígio das suas contas no Gab e Twitter, mas a última conta era semelhante à da The Base: incitando nacionalistas brancos e neo-nazis a agir e a pregar a troca de conhecimento militar, combate corpo a corpo e organização de operações.

Antes da The Base, Spear fez vários vídeos intitulados “Teoria de Guerrilha” (originalmente postados no YouTube, agora arquivados na principal plataforma de vídeo da extrema-direita, a BitChute), que a VICE viu, mostrando várias tácticas de ataque e fuga para pequenas unidades insurgentes contra um poder maior.

Spear e a The Base não tardaram a encontrar apoio online da comunidade militante neo-nazi. “Mesmo não sendo membro, endosso o que a @TheBase_1 está a realizar. Vocês têm o meu apoio”, postou a conta do Twitter agora desactivada @WallcroftAWD, que supostamente pertencia ao membro de alto nível da Atomwaffen Division, Grayson Denton.


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The Base já apareceu em outras partes da Internet supremacista. Um site chamado “Darkest Hour” – que tem bastante seguidores no Gab – promoveu a The Base como o sítio para ir quando queres receber treino sobrevivencialista, “de combate corpo a corpo paramilitar e treino com armas, visando especialmente homens jovens nacionalistas brancos e nacional-socialistas”.

Em várias publicações no Twitter, outros neo-nazis em várias comunidades encorajam pessoas a juntarem-se à The Base. “Pareces um homem de ação”, um membro finlandês da The Base chamado Jussi diz a outro nazi do Twitter. “Acesse a @TheBase_1 para conhecer mais pessoas que pensam como você e eu.”

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Screenshot da página de contacto da The Base.

“Dados recentes sobre ataques terroristas e incidentes de ódio nos EUA evidenciam que, primeiro, há um público de transmissores para o estilo intrusivo de propaganda da The Base e, segundo, o pequeno tamanho desse público só aumenta a sua ameaça”, explica Beirich. E acrescenta: “Isto porque, indivíduos e pequenas células são, geralmente, mais difíceis de notar, prever e frustrar (em relação a organizações com pegadas físicas e digitais maiores) antes que possam realizar um acto de violência".

“Os chamados 'lobos solitários', seja um indivíduo ou uma célula pequena, representam apenas seis por cento dos perpetradores de violência nos EUA, mas são responsáveis por 25 por cento de toda a violência relacionada com terrorismo”, adianta ainda. E conclui: “Terrorismo de direita é responsável por 35 por cento dos ataques terroristas nos EUA desde 2010. Nos anos 2000, os ataques terroristas da extrema-direita correspondiam a apenas seis por cento dos crimes de ódio nas 10 maiores cidades norte-americanas”.

Apesar da atenção que receberam dentro da sua comunidade em geral, vários utilizadores do Twitter acusam a organização de serem “os federais”. “Vocês deveriam encorajar a defesa individual. Fazer propaganda desta forma é muito suspeito, sem ofensa”, lê-se num tuíte dirigido à The Base.

É difícil acreditar que agências da lei estejam por detrás de um grupo tão tendencioso para a acção violenta como a The Base. O mais provável é que a The Base marque a última evolução do objectivo pró-branco de Spear, assente na guerrilha organizada contra os governos do Mundo. Como ele explicou quando foi convidado do podcast do site Darkest Hour no começo do ano: “Não precisamos de converter ou transformar cada pessoa branca de vontade fraca num grande guerreiro ariano para vencer. Só precisamos de unir os melhores de nós dispostos a lutar, a fazer o que for preciso”.


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