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Identidade

Testei cinco tácticas para os homens me deixarem em paz numa discoteca

Algumas mostraram-se mais eficientes que outras.

Por Nicole Garcia Merida; fotos por Rhys Thomas; Traduzido por Marina Schnoor
26 Julho 2019, 11:44am

Fotos: Rhys Thomas

Este artigo foi originalmente publicado na VICE UK.

Vou descrever uma cena com que, infelizmente, todas as mulheres estão familiarizadas. Estás num bar, já bebeste uns três copos, estás a desviar-te de copos de plástico abandonados no chão e homens que acharam que era uma boa ideia usar um “colete casual” na vida real, quando um tipo com um bafo insuportável a destilaria se aproxima por trás de ti. Se tiveres sorte, ele vai escolher não te tocar antes de dizer olá. Mas, provavelmente, o que vai acontecer é: ele vai abraçar-te pela cintura. Se tiveres mesmo "muita sorte": esse gajo – que nunca viste na vida – vai directamente encostar a pila nas tuas costas.

Nesse momento podes bazar, mas às vezes encontras um daqueles tipos excepcionalmente optimistas que se sente encorajado pela tua rejeição. Quando encaras uma situação dessas, qual é a forma mais fácil de fazer com que o tipo se pire dali o mais rapidamente possível? Passei uma noite a conduzir experiências numa discoteca para tentar descobrir.

A Careta

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Demorou um pouco a chegar a pessoa certa para testar esta estratégia; a maioria dos gajos punha-se imediatamente demasiado perto do meu corpo para me conseguir ver a cara. Desapontada, ainda que não surpreendida, continuei à espera da oportunidade perfeita. Finalmente, alguém me abordou na varanda. Começou a falar muito perto da minha cara, a olhar-me directamente nos olhos. Encarei-o, afastei-me e contraí o pescoço para ficar com o máximo de queixos possível.

Ele pareceu confuso, mas continuou a falar. E a falar. E falou mais um pouco. Não mudei de expressão durante pelo menos um minuto – que é muito tempo para ficar a imitar um peixe-bolha – e ele não se tocou. A minha amiga acabou por se aproximar e o gajo foi-se embora. Portanto, funcionou mais ou menos. Mas, foi preciso "A Careta" + eu não ter dito uma palavra ao rapaz para ele perceber que não adiantava continuar com aquela conversa unilateral.

Nota: 6/10

A Gripe

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Antes de sair de casa, perguntei ao meu namorado o que é que o costumava fazer perder o interesse quando falava com mulheres em festas. “Quando alguém está doente”, respondeu-me. E acrescentou: “Não quero os germes de outra pessoa na minha boca”. O que faz sentido. Portanto, quando um tipo se chegou ao pé de mim no bar, comecei a tossir como se estivesse com o pulmão podre.

“Tudo bem?”, perguntou-me. “Queres uma água ou alguma outra coisa?”.

“Tenho estado bastante doente por estes dias”, disse-lhe.

“Bem, talvez fosse melhor teres ficado em casa então”. E foi-se embora.

Foi simpático ao perguntar se eu precisava de alguma coisa – por isso não foi um resultado imediato mas, ainda assim, claramente funcionou.

Nota: 8/10

O Grito

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Esta tática é a minha preferida: simples, eficiente, catártica e uma boa piada. Estava a tentar chegar ao bar, já bastante suada e depenteada, quando – sem aviso e sem apresentação – outro gajo se começou a esfregar em mim. Quando me virei para olhar para ele, ele sorriu e inclinou-se para me falar ao ouvido. Abri a boca e soltei um grito bem alto e agudo.

Ele franziu a testa e perguntou agressivamente: “Qual é o problema, querida? Qual é o problema?”. E eu continuei a gritar. Não demorou muito até ele desistir.

Nota: 10/10

As Perguntas Pessoais

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Quando contei esta ao meu namorado, ele disse-me que o gajo iria simplesmente mentir. Mas, é claro que, quando confrontados com perguntas sobre histórico familiar, planos para os próximos cinco anos e quantos filhos querem ter, a maioria dos homens daria um tiro no pé, como fazem em todas séries, não é?

Não. Quer eles estivessem a mentir ou não, este foi um dos métodos menos eficientes, mas valeu conversas interessantes. “A minha mãe precisa de te ver comigo primeiro, sabes”, disse-me um rapaz. “Quando ela vir que tu me amas, ela também te vai amar”. Quando perguntei sobre filhos, outro tipo respondeu: “Tantos quanto Deus me der”.

Nota: 2/10 para o método, mas as conversas foram nota 10.

O Namorado

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Por incrível que pareça, esta tática resultou – mas acho que foi por ter tido sorte por ser abordada por um tipo muito respeitoso. A coisa começou de uma forma simpática, com ele a perguntar-me o nome e de onde era.

“Nicole, sou da Guatemala”, respondi. “Ah, que bom! Podes contar-me um pouco sobre a cultura do teu país?”. Nesse ponto, ele aceitou o suposto convite que achou que eu lhe tinha feito – só por lhe ter dito o meu nome em voz alta – para se chegar muito perto da minha cara. “Tenho namorado”, disse eu. “Ah. Bem, acho que vou ter que ler sobre isso na Wikipédia, então”. E foi-se embora.

Nota: 9/10

Estas foram situações ligeiras, claro, mas o ponto é que, em 2019, as mulheres ainda não podem curtir uma saída à noite sem serem tocadas ou agarradas sem consentimento.

Esta experiência diz muito sobre consentimento em clubes nocturnos. O consentimento, aparentemente, é descartado e varrido para debaixo do tapete, como se as regras não se aplicassem depois de pagares para entrar. Infelizmente, precisamos de dizer mais uma vez aos homens deste mundo que, se uma mulher não responde positivamente aos teus avanços, então (e esta é uma boa dica), deixa-a em paz!


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