As mamães gamers sempre se divertem em dobro
Imagem: Reprodução/Disney

FYI.

This story is over 5 years old.

Games

As mamães gamers sempre se divertem em dobro

Elas torcem para receber um game de presente (e uma partidinha) de Dia das Mães.

Como é hoje, em geral mães viam no videogame um bagulho barulhento que viciavam as crianças mais que açúcar. Mas algumas mamães contemporâneas não só entendem mais do passatempo favorito dos pimpolhos, como jogam videogame tanto quanto (se não bem mais) que os próprios filhos.

A relação entre minha mãe e os games da minha vida é dividida em duas grandes fases. No começo, eu recebia muitos berros por passar tempo demais na frente do videogame. Dos 20 pra cima, inverteu: eu recebo muitas perguntas por conta dos joguinhos que agora aparecem na TV e no jornal.

Publicidade

Uma parte da criançada gamer agora cresceu e virou mamãe gamer. Com o Dia das Mães chegando nesse domingo (14), troquei uma ideia com mulheres que criam os jogadores e jogadoras da nova geração, sobre a relação entre seus filhos e os videogames que hoje fazem parte da vida dos dois.

Bianca Jhordão, apresentadora e compositora, mãe do Theo, 5

VICE: A sua relação com videogames mudou depois da maternidade?
Bianca: Mudou, porque agora tenho um companheiro muito divertido para compartilhar a brincadeira do videogame! Também só tenho jogado videogame de crianças, desde que ele nasceu.

Você acredita que videogames passam de geração para geração?
Quando pequena jogava Atari com meu pai e hoje meu filho também curte jogar videogame comigo, então acredito que sim, passa de geração pra geração.

Que jogos você não gosta de jogar com seu filho?
FPS [jogos de tiro]. Ele tem 5 anos, não quero e nem vamos jogar jogos de temática adulta enquanto ele for criança. Quando estiver mais velho, ele terá liberdade para jogar o que quiser, mas darei preferência para jogos que estimulem a criatividade e o desafio de enigmas de forma inteligente.

Como você imagina que sejam os jogos que seu filho irá jogar no futuro?
Serão jogos imersos em realidades virtuais paralelas com óculos, que vão tornar as sensações dos games ainda mais próximas da realidade.

Paolla Gomes, social media, mãe da Laura, 2

VICE: Você joga videogame com sua filha? Quais jogos são seus favoritos? Paolla: Ela ainda não tem muita noção de jogo por ser pequena, mas já tem conhecimento sobre alguns campeões do League of Legends. Meu jogo favorito é World of Warcraft, mas não tenho mais tempo pra MMO.

A sua relação com videogames mudou depois da maternidade? Mudou. Antes eu costumava jogar mais jogos e por mais tempo, me dedicava mais e levava mais à sério, hoje em dia é só por diversão mesmo.

Publicidade

Como você imagina que sejam os jogos que sua filha irá jogar no futuro? Algo como no filme Her, com uma interação mais realista entre personagem e jogador.

Mari Eva, criadora do site Mãe Geek, mãe de Gael, 11, e Martin, 5

VICE: A sua relação com videogames mudou depois da maternidade?
Mari: Muito. Eu jogava bem pouco, saia muito (risos). Depois das crianças, passei a ficar mais em casa e comecei a jogar mais.

Você acredita que games é algo que se passa de geração para geração?
Acho que o que passa de geração em geração é a cultura de entender que games são legais e ajudam no desenvolvimento da criança. Tem games fantásticos de puzzle e resolução de problemas, alguns para aprender programação, outros fazem você pensar. Muitas mães não permitem que os filhos joguem e isso acaba limitando crianças a jogos de iPad e celular, que na minha opinião são horrorosos. Eu prefiro que meu filho jogue um game num console mil vezes do que veja TV.

Que jogos você não gostaria de jogar com seus filhos?
Eu só não gosto que joguem jogos de celular, porque acho que eles foram feitos para viciar e fazer as pessoas ficarem o máximo de tempo possível nos devices. Gosto de jogos de aventura, estratégia, em que você precisa pensar. Jogar tem que ser excitante e desafiador.

Nanda Café, jornalista, mãe do Benjamin, 8

VICE: A sua relação com videogames mudou depois da maternidade?
Nanda: Eu era uma fiel defensora do "jogos não tornam ninguém violento", hoje já sou a louca da classificação indicativa. Não é que eu tenha passado a acreditar que jogos tornam as pessoas violentas, mas é fato empírico aqui em casa (e estudado) que jogos violentos podem contribuir para a diminuição da empatia e incentivar a reprodução de tais comportamentos. Eu tenho bastante cuidado com o que jogo com meu filho, o que jogo na presença dele e o que deixo ele jogar sozinho, mas ele ainda é pequeno, então é fácil controlar isso. Como a maternidade é um eterno cuspir pra cima, vamos aguardar a adolescência para ver como será.

Você acredita que games é algo que se passa de geração pra geração?
Sim! Eu lembro que quando era criança, meus amigos adoravam minha avó, porque ela não assistia a novela, mas jogava Mega Drive. Minha outra avó era viciada naqueles Tetris móveis de pilha, sabe? Hoje minha família se diverte nas festas com um Oculus Rift. Claro que tem o recorte sociodemográfico no qual estou inserida, mas acredito fortemente que games – particularmente de consoles, que têm essa característica de compartilhamento – podem ser uma excelente ferramenta para integração de famílias, e, por consequência, gerações.

Como você imagina que sejam os jogos que seu filho irá jogar no futuro?
Eu acho que o entretenimento para essa geração vai ser fortemente baseado em VR. Torço também para que essa luta diária por uma melhor representatividade de minorias nos games signifiquem games com maior diversidade de personagens. E mesmo que a indústria mainstream ainda esteja engatinhando nisso, eu tento mostrar o caminho dos jogos indie para ampliar o leque de escolha dele.

Siga a VICE Brasil no Facebook, Twitter e Instagram.