PF prende 11 pessoas que extraíam madeira ilegal na terra dos índios Ka'apor

Vigilância autônoma dos indígenas via câmeras de segurança e radares infravermelho surpreenderam as autoridades.
16.3.16
Crédito: Felipe Larozza/ VICE

No ano passado, o Motherboard foi até a terra indígena Alto Turiaçu, no Maranhão, para acompanhar os índios Ka'apor instalarem câmeras de segurança e radares de infravermelho para combater a exploração ilegal de madeira em suas terras. A vigilância autônoma parece ter surpreendido o poder público. Recentemente, a Polícia Federal prendeu em flagrante 11 pessoas ligadas à extração, ao transporte e a comercialização ilegal da madeira no local.

Na quarta-feira (9), a PF iniciou a Operação Lignum (palavra do latim que em português significa "madeira"), junto ao Ibama, ao Ministério Público Federal e à Polícia Rodoviária Federal. Cerca de 200 servidores trabalharam em conjunto durante a investigação.

"Pelo menos 10 serrarias foram explodidas. A PF também queimou quatro caminhões e apreendeu outros oito. A intenção é impedir que eles voltem a operar", detalhou Jair Schmitt, coordenador-geral de Fiscalização Ambiental do Ibama para o site do Greenpeace.

Crédito: Felipe Larozza/ VICE

Para Nilo D'Avila, coordenador de campanhas da ONG internacional no Brasil, reportagens feitas no local, como a do Motherboard e também da VICE, surtiram efeito. "Tanto a repercussão da história dos Ka'apor, do sistema autônomo de vigilância e da implementação das câmeras levou ao objetivo que esperávamos dessa história", disse, por telefone. "De acordo com relatos que ouvi, essas pessoas que foram presas não são motoserristas ou caminhoneiros. São pessoas da engrenagem financeira, do esquema de subtração ilegal na região."

Segundo a PF, os investigados responderão pelos crimes de desobediência à decisão judicial, receptação qualificada, ter em depósito produto de origem vegetal sem licença válida, dentre outros.