Jam sessions improvisadas em casas com a participação de artistas como Obbatuké são parte da magia do Manana.
Um pintor local contratado para criar as placas e os elementos decorativos do festival
Mas, se uma avassaladora onda de mudanças está chegando à cena musical cubana, faz todo sentido que ela comece em Santiago de Cuba. A cidade tem história como ponto de partida de novos começos. A luta pela independência de Cuba no século XIX começou lá, e o exército maltrapilho de Fidel Castro disparou os primeiros tiros da Revolução Cubana quando atacou o quartel Moncada — que se situa a menos de dois quilômetros de Heredia, o espaço onde rolou o Manana. Até mesmo o fenômeno raggaetón que hoje toma Cuba de assalto teve seu primeiro sucesso aqui. "Os ventos da revolução em Cuba sopram do leste para o oeste", comenta Sublette."Háuma grande divisão. Os músicos cubanos não precisam de uma elaborada produçãoeletrônica porque eles sabem tocar os próprios instrumentos" – Ned Sublette,autor de Cuba and Its Music
Alain Garcia Artola, um rapper com o grupo cubano de hip-hop TnT Rezistencia, teve um papel essencial em fazer o Manana acontecer em Santiago.
Harry Follett e Jenner Del Vecchio trabalharam na cena musical londrina para trazer pesos pesados para a estreia do Manana Festival.
Janner Del Vecchio, cofundador do Manana, se encontra com Indira Gamez, da Empresa de la Música, a companhia de agenciamento de artistas comandada pelo governo.
Artistas da banda Plaid, do selo Warp, no estúdio, junto com Obbatuké, de Santiago
Da esquerda para a direita: os cofundadores do Manana Jenner Del Vecchio, Harry Follett e Alain Garcia Artola ajustam os detalhes finais com Adam Isbell, do No Nation, no Centro Cultural Heredia.
Obter o selo oficial de aprovação também implicou em abrir mão de parte do controle criativo. A cultura cubana é uma questão de orgulho nacional, e os poderosos têm interesse em que ela seja representada. Então, embora o Manana esteja enfatizando o seu foco afro-cubano, o governo estava acostumado a promover a música local como salsa e sua predecessora, o son, nascida em Santiago. Ambas as partes acabaram chegando a um acordo. "Eles entenderam como nós estamos vendendo a ideia para um público internacional", disse Follett. "Nós estamos ouvindo o que eles têm a dizer, mas também avançando em termos criativos.""Ogoverno está buscando ativamente trazer mais turistas para cá. Culturalmentecom certeza há mais possibilidades — mais potencial." — Harry Follett,cofundador do Manana
Alain Garcia Artola se apresentando nas ruas.