​A sexta-feira 13 de Kassab
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​A sexta-feira 13 de Kassab

Depois de declarar (e voltar atrás) que banda larga fixa seria limitada por volume de dados, ministro foi perseguido como gato preto nas redes e teve dados pessoais vazados por hackers.

A última sexta-feira foi 13 — literal e metaforicamente — para o ministro Gilberto Kassab. Após declarar que a banda larga fixa seria limitada por volume de dados (e, menos de 24 horas depois, voltar atrás), os dados privados do chefe da pasta de Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações foram vazados por hackers integrantes do Anonymous, coalizão difusa e descentralizada de ativistas digitais espalhada pelo mundo que costuma travar embates com governos, corporações e entidades religiosas.

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Crédito: Reprodução/ Anonymous

Sobrou, também, para a Anatel (que, pouco antes do recuo de Kassab na sexta-feira, havia informado que a franquia para banda larga fixa estava fora de cogitação): o Anonymous divulgou os 156 bancos de dados disponíveis no site da agência. Tanto a Anatel quanto o ministro não comentaram o assunto ou quiseram dar entrevistas sobre o vazamento. Procurada pelo Motherboard, a assessoria do ministério não soube confirmar se alguma medida legal seria adotada sobre o tema, mas que "provavelmente isso não seria realizado".

A parte dos dados vazados que pôde ser conferida é verídica. Um dos telefones celulares presentes no dossiê sobre o ministro Kassab foi atendido, e o interlocutor solicitou à reportagem que ligasse para o número da assessoria do ministério. Perguntado sobre sua identidade, desligou o telefone.

O grupo de hackers explicou ao Motherboard como teve acesso ao material. Por ser político de carreira, Kassab já tinha alguns dados disponíveis em sites do governo ou do TSE, por exemplo. Outras informações, como o banco de dados da Anatel, foram coletadas a partir da exploração de falhas em sites e algumas táticas de hacking. O Anonymous promete outras ações de ataque contra o governo de Michel Temer. Não informou, precisamente, quais seriam elas.

A possibilidade de limitação da banda larga fixa é um assunto recorrente desde meados de abril do ano passado, quando operadoras solicitaram à Anatel que fossem restringidas as velocidades de internet ou que se implementasse um modelo de franquia quando o consumidor ultrapassasse o limite de dados do seu plano. À época, o então presidente da Anatel João Batista de Rezende chegou a declarar que "a era da internet ilimitada e sem custo acabou", frase que gerou forte repercussão nas redes sociais. Entretanto, uma das últimas medidas da ex-presidente Dilma Rousseff em seu mandato foi a regulamentação da questão e a consequente proibição das operadoras quanto à restrição ou franquia de banda larga fixa. A medida cautelar vigora até hoje.

Na última quinta-feira, contudo, Kassab afirmou ao site Poder 360 que a limitação passaria a valer a partir do segundo semestre de 2017, o que, nas palavras dele, beneficiaria o usuário. Foi a senha precisa para uma forte repercussão do assunto – e para a ameaça direta do Anonymous.

Poucas horas depois, tanto Anatel quanto o Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações retificaram o que foi dito. Já era tarde: no fim do dia, o estrago pelo impasse de declarações já estava feito e os dados foram colocados na internet.

Tanto os links dos dados quanto o post do vazamento no Facebook já foram excluídos devido a denúncias de usuários. Procurado pela reportagem, o Facebook declarou que depende da comunidade para reportar conteúdos que possam ter ferido as políticas da rede social. Os dados, contudo, ainda estão disponíveis na internet pelo cache da busca do Google.