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“Prática, Paciência, Técnica e Classe” É a Receita do Dubfire para Ser um Bom DJ

O produtor iraniano é uma das atrações do TribalTech, o festival que acontece nos dias 10 e 11 de outubro em Curitiba, e nos fala sobre o que anda ouvindo e como criou seu mais novo espetáculo.

O que motiva hoje o veterano DJ e produtor iraniano de techno Dubfire? Montar espetáculos visuais grandiosos e buscar o groove perfeito, nem que isso exija meses de trabalho em um loop de poucos segundos. Ali Shirazinia, nome que ele guarda no documento, tem uma carreira de mais de 20 anos como DJ e produtor — foi integrante da premiada dupla de progressive house Deep Dish, que manteve com o parça Sharam Tayebi paralelamente com sua inclinação ao techno minimalista e mais duro no trampo solo de Dubfire.

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Ali se declara um escravo da tecnologia e isso aparece no seu novo show ao vivo. Dá pra ver o que o homem está falando em seu espetáculo chamado Hybrid que rola no Brasil neste fim de semana, no dia 11, no festival TribalTech em Curitiba — e Dubfire também estará no país para a primeira edição do EDC Brasil que vai rolar em São Paulo, no dia 5 de dezembro. O set conta uma história por meio de efeitos visuais 2D e 3D, usa telas translúcidas e projetores para criar um tipo de dimensão paralela de luz. Dubfire toca lá do meio, boiando nessa sopa de imagens.

Numa entrevista por e-mail, o produtor iraniano falou ao THUMP sobre a epopeia que foi montar a equipe que realizou o Hybrid e não deixou dúvidas de que é um cara bem conectado. Olha:

THUMP: Depois de tantos anos produzindo e tocando, o que você busca quando faz música? O que te guia no estúdio?
Dubfire: Todo mundo está muito preocupado atualmente com o break. Mas o groove é a alma da faixa; encontre-o e você poderá esticá-la eternamente sem que ela soe repetitiva. Eu estou totalmente obcecado com o groove atualmente. Não há nada mais gratificante do que esticar um loop de meia barra por 10-12 minutos, mas tudo depende dos elementos. Então algo tão curto e simples às vezes leva meses até acertar. Escute meu antigo remix para "Lucky Heather" do Nic Fanciulli; é basicamente um loop de duas batidas esticado por 13 minutos. Mas funciona por causa do groove e você não se cansa daquela repetição. Meu processo é o seguinte: se eu acertei, vai soar incrível na manhã seguinte à noite que eu fiz. Se não? Hora de seguir para uma ideia diferente.

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Qual o seu conselho para jovens produtores de techno?
Prática, paciência, técnica e classe em medidas iguais. E saia e vá escutar aos DJs sólidos tocando o som que você esteja curtindo. Isso pode dar muita inspiração e acionar alguns alarmes criativos.

Você é aquele tipo de geek musical que vive pesquisando novos equipamentos e softwares? Quais novas ferramentas empolgam você atualmente?
Eu sempre disse que sou um tipo de escravo da tecnologia, e a tecnologia mais do que nunca parece dar forma a todo aspecto das nossas vidas. Com a música, não é apenas a Internet; é o fato de haver laptops finos, software poderoso e hardware portátil que permite levar a qualquer lugar o que for que estivermos fazendo. Nós podemos montar e fazer do mesmo jeito que fazemos há muitos, muitos anos com computadores desktop e toneladas de hardware. Isso realmente nos deu a oportunidade de gravar, apresentar ou simplesmente tocar e ouvir música com toda liberdade.

Quais os novos produtores de techno têm atraído sua atenção?
Bem, chegando no SCI+TEC temos Raul Facio de El Paso (EUA) que é uma contratação recente, Alberto Tolo, Alfa Romero, Alex Mine, AnDreew, Kevin Castro, Chris Rus, Lancaster, Maxim Dark, Ron Costa, The Junkies, Wigbertque está mandando bem no momento, Richie Santana também, Reboot, The Dolphins, etc.

Quanto tempo levou para criar o Hybrid, incluindo visuais? Quantos artistas se envolveram no processo?
Levou um bom tempo para desenvolver o show completo, já que eu precisava encontrar o time para me ajudar a fazê-lo! Eu comecei com a música, claro, alistando meu bom amigo Cristiano Nicolini para me ajudar. Ele trabalha há bastante tempo em Ableton e o fato de ele ser um instrutor da Ableton deixou a decisão bem fácil. Eu então conheci o time de design visual do VOLVOX Labs em Nova York por meio de Jarrett Smith da Derivative, que eu consultei originalmente para cuidar dos visuais. Jarrett havia feito os shows do Plastikman para o Richie Hawtin e desenvolveu a tecnologia Touch Designer que se tornou um padrão da indústria; mas ele estava muito ocupado para assumir o show. No fim, o time de Kamil Nawrati e Javier Cruz no VVOX fez um trabalho incrível. Nós trocamos algumas ideias depois de eu ter dado a eles as direções iniciais, aí definimos o conceito e a narrativa que sentimos que representava a música da melhor forma. Eu trabalhei então com o VVOX e Vartan Tchekmedyian e Hayk Khanjian do VT Pro Design em Los Angeles para projetar e criar as peças do palco e conceitos que definimos. Depois disso, eu me juntei ao meu light jockey e técnico de som, BeMo e Andy Kayll, já que eu tinha trabalhado bastante com os dois em meus shows solo como DJ. Completando a equipe estava Rosalya Li, uma antiga amiga que tinha deixado o trabalho recentemente e buscava por uma nova aventura. Ela era e tem sido a cola que mantém junto cada elemento do show e eu não poderia tê-lo lançado sem ela.

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Quão flexível é o set? Você tem algum controle sobre os visuais também?
Assim como eu posso ser livre para desmontar completamente o que estou tocando e construir de uma nova maneira ou tocar de um jeito diferente daquele que foi programado, os caras da luz e dos visuais também podem fazer o mesmo. Eu estou enviando códigos de tempo e informação MIDI a todos eles. Apesar de tudo ser mais ou menos programado e eles poderem se sentar enquanto toco, eles também podem fazer cada uma de nossas performances única ao acompanhar o público e manipular as coisas conforme acharem necessário.

Um dos vídeos promocionais deste show fala em uma "experiência cinemática". Quais referências vocês usaram para o set?
O objetivo principal era criar uma história, com personagens e enredo, com um cenário completamente renderizado. Esperamos que o público assista do começo ao fim, como se eles estivessem vendo um filme; essa é a ideia. Obviamente, nós não queremos que eles assistam e não dancem, então os retiramos da história e colocamos o foco na música novamente. E então em outros momentos, trazemos de volta à história visual. Vamos meio que brincar com o público durante o set todo. Estamos empolgados para ver como as pessoas vão responder.

Você diz em outro vídeo que esse show era um sonho para você. Agora que ele se transformou em realidade, como é a sensação de estar no palco tocando para o público?
As reações têm sido incrivelmente positivas, com muitos fãs e colegas dizendo que este é o ou um dos melhores shows ao vivo de música eletrônica que eles já viram. Então isso é bom :-) E nós carregamos essa energia adiante desde o Time Warp até o Sonar e mais recentemente, o Sun City Music Festival.

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