Fotos

"Xarpi", um registro histórico das pixações cariocas

O singular estilo carioca de pixo do final dos anos 70 até os anos 90 finalmente documentado.
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Imagem do livro Xarpi. Foto: Celso Meira, 1986 / Agência O Globo

Nos anos 80 desembarcou no Rio de Janeiro a pixação. O designer e fotógrafo João Marcelo de Carvalho curtia sua infância quando as paredes cariocas começava a ganhar suas primeiras marcas. Muita tinta rolou até que, em 2005, em uma conversa informal, ele decidiu que começaria a documentar o fenômeno carioca. "Meu amigo Clécio Freitas me alertou que eu tinha o know-how suficiente para fazer esse registro. Ele ainda teve a visão de que as pixações dos anos 80 seriam apagadas em pouco tempo."

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A conversa com o Clécio rolou em um longínquo sábado, já no domingo começaram a ser feitas as primeiras fotos. Oito anos de trabalho depois surgiu o projeto do livro Xarpi, um registro histórico das pixações cariocas do final dos anos 70 até os anos 90.

A palavra "xarpi", pixar escrito ao contrário, faz parte do vocábulo em código criado nas ruas cariocas. Esta matéria no Noisey coloca mais luz na questão.

João teve o primeiro contato com a pixação na Vila Isabel, aos 6 anos de idade. "As pixações naquela época eram legíveis, era o começo. Eu meio que aprendi a ler vendo pixação", conta o autor. Ele também manda um papo para explicar a diferença entre o pixo paulista e o xarpi carioca: "No Rio de Janeiro em primeiro lugar está a busca pela fama individual do pixador, depois a fama da sigla, grupo de pixadores que ele assina". Ele também cita as diferenças estéticas: "muitos atribuem a pixação de São Paulo aos logos das bandas de heavy metal e aos arranha-céus. No Rio de Janeiro, os pixos têm formas sinuosas, ondas. Pode ser que a geografia da cidade carioca tenha influenciado, muitos morros".

O grande objetivo do livro é ser um registro histórico e estético de uma manifestação artística genuína. "A caligrafia carioca difere da de outros grandes centros como São Paulo ou Nova York e mais de 95% das pixações registradas através de foto contidas nesse livro já foram apagadas", explicou o autor.

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Informações sobre o livro:

Capa: papel couché matte 300g 4/4 colorido
Miolo: 160 páginas, papel couché matte 150g.
Formato: 21X26 cm
Autor: João Marcelo
Pesquisa: Clecio Freitas
Textos: Dani Dias
Site: www.livroxarpi.com.br
Vendas: www.livroxarpi.com.br/comprar

Para comemorar o lançamento, o João montou uma galeria de fotos exclusivas para a VICE com alguns xarpis clássicos dos anos 80, saca só:

EDS, 2 outubro de 2006, Jardim Botânico.

EDS, 2 de outubro, 2006, Jardim Botânico. Foto: João Marcelo de Carvalho

NEON, 13 de janeiro, 2007, Botafogo. Foto: João Marcelo de Carvalho

ZOG, 9 de fevereiro, 2013, Centro. Foto: João Marcelo de Carvalho

RADICAL, 24 de março, 2007, Sulacap. Foto: João Marcelo de Carvalho

MAD, 13 de maio, 2007, Barra da Tijuca. Foto: João Marcelo de Carvalho

DOC'S(1982),11 de outubro, 2006, Vila Isabel. Foto: João Marcelo de Carvalho

MOY, 2 de outubro, 2006, Jardim Botânico. Foto: João Marcelo de Carvalho

UGANGA, 21 de outubro, 2006, Tijuca. Foto: João Marcelo de Carvalho

TROVÃO, 15 de janeiro, 2007, Tijuca. Foto: João Marcelo de Carvalho

PLANK, 15 de janeiro, 2007, Pça da Bandeira. Foto: João Marcelo de Carvalho

TANDY, 24 de março, 2007, Av. Suburbana. Foto: João Marcelo de Carvalho

G.E. (GRAFITES DA ESCURIDÃO), 24 de setembro, 2006, Pça XV Centro do RJ. Foto: João Marcelo de Carvalho