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Um Sucinto Porém Jovial Glossário da Música Eletrônica: Letras B e C

Continuamos digerindo gêneros, termos técnicos, referências culturais e piadinhas internas para te ajudar a entender o complexo e maravilhoso mundo da eletrônica.
O grande gênero da música eletrônica visto de fora pode parecer uma confusão sem tamanho. Olhando de dentro também é um pouco, pra falar a verdade. De qualquer forma, preparamos este pequeno glossário para você entender um pouco melhor esse estilo de som em suas inúmeras encarnações. Alternamos em ordem alfabética alguns termos técnicos com verbetes que tentam explicar sucintamente também os distintos gêneros, subgêneros e derivações, para viabilizar uma superficial organização mental do que foi produzido em toda a história da música eletrônica. A ideia não é dar um guia definitivo, mas sim elucidar alguns pontos espefíficos dentro dessa grande sonoridade cósmica e artificial. Seguimos agora com as letras B e C:

O grande gênero da música eletrônica visto de fora pode parecer uma confusão sem tamanho. Olhando de dentro também é um pouco, pra falar a verdade. De qualquer forma, preparamos este pequeno glossário para você entender um pouco melhor esse estilo de som em suas inúmeras encarnações. Alternamos em ordem alfabética alguns termos técnicos com verbetes que tentam explicar sucintamente também os distintos gêneros, subgêneros e derivações, para viabilizar uma superficial organização mental do que foi produzido em toda a história da música eletrônica. A ideia não é dar um guia definitivo, mas sim elucidar alguns pontos espefíficos dentro dessa grande sonoridade cósmica e artificial. Seguimos agora com as letras B e C:

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BENDER: Em sintetizadores é uma alavanquinha que costuma ficar do lado esquerdo das teclase que permite subir ou baixar a frequência da nota, alcançando frequências que ficam entre as notas normais. Se você curte um Omar Souleyman e não entende como aquele tecladista maluco dele consegue tocar aquelas notas é por causa dessa belezinha que ele faz o aparente impossível. Saca só a bela desafinada que um belo bender pode causar.

BITPOP: Corruptela do tão amado britpop. Esse estilo de música digital, assim como o chiptune, usa sintetizadores de equipamentos como o velho computador Commodore 64 ou video games 8-bit como o Nintendinho para se aproveitar esteticamente daqueles timbres maravilhosos que imitam guitarra, bateria ou tecladinho. Diferentemente do chiptune, o bitpop não se restringe em utilizar apenas esses timbres e os mistura com vocal e outros instrumentos analógicos ou digitais.

BOOTY BASS: Uma grande e mal educada família de música eletrônica, cujo intuito no mundo é fazer você sacudir o bumbum. É um gênero mais unido através do conteúdo do que da forma, já que abrange diferentes subgêneros como o Miami bass, ghetto house, Baltimore club e ghettotech, que formalmente são bem distintos, mas tem em comum falar sobre a potência lírica dos gluteus maximus.

BOUNCE (gênero): Um tipo de hip hop específico de New Orleans caracterizado pela batida rápida e quebrada, forte uso de loops e letra bem sexualizada. To bounce em inglês pode ser traduzido literalmente como QUICAR, o que é uma referência a mexer o bumbum no ritmo da música. Como os artistas de New Orleans tradicionalmente aceitam e incorporam elementos da cultura GLBT e é provavelmente a vertente de hip hop que mais tem MCs gays e/ou crossdressers, como pode ser observado no video abaixo.

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"Azz Everywhere", da grandiosa Big Freedia. Muitos artistas de bounce se apresentam de costas para a plateia sacudindo o popozão junto com a galera que está curtindo a festa.

BPM: Batidas Por Minuto. Tradicionalmente, em teoria da música, é a forma de medir qual será o intervalo entre os compassos da música, com um número maior significando uma música mais rápida. Em música eletrônica, ele define especificamente qual será o ritmo da música e cada gênero tem um BPM específico, como o house que fica entre 120 e 130 BPM e o techno que vai de 130 a 155 BPM.

BREAKBEAT (breaks): Uma das principais categorias da música eletrônica. O breakbeat tem sua principal distinção das outras categorias maiores como house, techno e trance, por, dentro do compasso 4/4, se basear em um ritmo mais sincopado, mais quebradão, daí o nome. Ele deve muito ao funk das décadas anteriores e, através das batidas quebradas, loops e introdução dos MCs, ele foi responsável pelo início do hip hop. O desenvolvimento do breakbeat culminou em artistas que fizeram grande sucesso não apenas no circuito da música eletrônica, mas também no mainstrem, até invadindo a sua querida MTV nos anos 90, entre eles Chemical Brothers e Fatboy Slim.

Saca só o vovô do hip hop, DJ Kool Herc, que começou a colocar em sequência várias sessões de viradas de bateria do funk, criando o ritmo sincopado que depois viraria o breakbeat.

BREAKCORE: Estilo pesadão derivado do techno, industrial e breakbeat que usa um bumbo nervoso e muitos pratos de bateria. Com um BPM ridiculamente alto, chegando até por volta do 200 BPM. Ideal para aquela cena de ação mais tensa como uma cena de perseguição futurista ou uma bela luta de artes marciais em ambiente industrial/urbano.

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CHILLOUT: Termo cunhado para definir tanto um espaço que existe em muitas baladas quanto o som que toca nesses lugares. A ideia é dar uma área para a galera dar uma descansada do bate-estaca e da fritação frenética da pista, uma relaxada deitadão em um puff que você não deveria confiar tanto assim. As músicas que tocam nestes lugares desde o inicio dos anos 90 começaram a se desenvolver em um estilo próprio, tendo festas voltadas especialmente para elas. Os gêneros que costumam tocar no chillout são ambient house, trip hop, new age e outros estilos mais lentinhos, tendo apenas que ter em comum o fato de serem músicas pra ficar de boa, ao invés de suar na pistinha.

CHIPTUNE: Estilo que, assim como o bitpop, utiliza sintetizadores vintage - de antigos computadores ou video games - pelo valor estético de seus timbres, muitas vezes usando como base a estrutura de antigas trilhas sonoras de jogos eletrônicos. Hoje em dia, com o crescente interesse na estética 8bit, muita gente continua a produzir música voltada para esses timbres.

CLICK: Também conhecido como click track, é uma faixa de gravação que marca o começo de cada compasso sinalizando o BPM. Geralmente em produção musical essa faixa é apagada depois da gravação dos outros instrumentos, mas em música eletronica, como ficou eternizado no depoimento de Giorgio Moroder no novo disco do Daft Punk, às vezes eles deixam o click fazendo o som soar mais artificial, algo que sempre foi um grande trunfo da música eletrônica.

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CROSSFADING: É o equipamento que permite diminuir a saída de uma origem de som enquanto simultaneamente aumenta a de outro, criando uma passagem direta de um disco para o outro, por exemplo, sem deixar cair nenhuma maldita batida. Diz a lenda que o DJ mito Grandmaster Flash fez o primeiro crossfader usando peças de um microfone velho quebrado para poder mudar a origem do som de um turntable para o outro sem deixar a galera da pista na mão.

CUT & PASTE: Fala tanto da função digital de cortar e colar quanto um tipo de produção de música eletrônica que abusa de vários gêneros e gravações de outras fontes para criar sua música. Um artista que usa abusa do advento do mashup para fazer suas músicas é o Girl Talk, que mistura dezenas de samples de diferentes artistas na mesma música.

O safado começa a música usando um sample descarado de "War Pigs" do Black Sabbath.

Se você não sabe nada de música eletrônica mas sabe ver vídeo, assista a nossa série How To:

O Pedro Graça tenta deixar o mundo mais sábio no Twitter também: @pedrograca

O glossário ele é tipo o abecedário, então tem mais letra, né? Leia as que já publicamos:

D e E F e G H e I J, K e L M e N O e P Q, R e S