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Edição de Moda 2012

Porradaria nos Andes

Takanakuy é uma cerimônia andina com raízes pré-hispânicas e pré-incas que acontece na província peruana de Chumbivilcas no dia de Natal.

Takanakuy é uma cerimônia andina com raízes pré-hispânicas e pré-incas que acontece na província peruana de Chumbivilcas no dia de Natal. Todas as meninas da região de Cuzco trançam seus cabelos e colocam suas melhores saias e chapéus. Os meninos colocam seus melhores capuzes e charrões de couro e amarram um pássaro morto em suas cabeças. Então todos – jovens e velhos, homens e mulheres – se reúnem na manhã do dia 25 e se enchem de porrada. Na falta de qualquer sistema de justiça básico (a polícia de Chumbivilcas ostenta o incrível número de três policiais), os moradores da região guardam suas mágoas e rancores o ano todo e resolvem tudo no braço durante o Takanakuy. Enquanto alguns trocam socos e pontapés por causas legais justificáveis, outros lutam por causa de mulher ou por rixas pessoais banais, e muitos simplesmente se esmurram por amor a uma boa briga (ou porque estão bêbados). Mas o mais importante é que fazem isso vestidos como Mad Max da montanha durante um pesadelo de DMT. Assista ao nosso documentário sobre Takanakuy aqui. E AÍ, QUAL É O SEU PERSONAGEM TAKANAKUY PREFERIDO?
Ilustrações tiradas de Takanakuy: Cuando La Sangre Hierve, de Víctor Laime Mantilla Se você não se importa em ser chamado de q’ara gallo (galo pelado), pode simplesmente enfiar um uyach’ullu (capuz) e vestir qualquer merda no Takanakuy — até mesmo uma calça jeans rasgada estilo new metal ou um capuz de motociclista. Para que aqueles não confiam tanto no próprio taco, há alguns “personagens” tradicionais de Takanakuy que podem ser usados como referência.

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MAJEÑO

Um

Majeño

 é simplesmente alguém que mora perto do rio Majes, nos Andes, e era assim que eles costumavam se vestir: calça de lã de montaria, um chapéu esportivo de couro, uma jaqueta tradicional peruana estilo Harrington e um chifre de touro oco para colocar a birita. O capuz  tem várias associações simbólicas (as quatro cores são para representar os “quadrantes” do universo), mas sua função original e mais importante é esconder o rosto pra você poder bater no chefe ou no prefeito e não se foder por causa disso mais tarde. Você também tem que falar com uma voz de pássaro aguda para proteger sua identidade, e escutar 50 marmanjos encapuzados fazendo isso ao mesmo tempo é extremamente perturbador.

NEGRO

O

Negro

do Takanakuy é menos baseado nos negros de verdade e mais no tipo de homens que tinham negros. Ou seja, um senhor de escravos. Para ser um

Negro

você precisa de botas de couro de cano alto, uma calça de lã penteada, uma camisa e um colete bacana, uma capa de seda bordada de rosa ou azul-bebê, e uma coroa de papelão com um papel de embrulho brilhante dos lados e uma estrela no topo. Aí você tem que dançar em círculos como se fosse um galo presunçoso – espírito animal associado ao

Negro

. A roupa do

Negro

era originalmente reservada aos homens mais ricos da cidade, mas foi gradualmente virando a roupa dos melhores lutadores. O traje não têm um significado específico hoje em dia, mas os

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Negros

geralmente ainda são os mais sofisticados e também os melhores dançarinos. Caramba, esse parágrafo deixa a gente constrangido.

QARA CAPA
Isso significa “gafanhoto” em quíchua, e é basicamente uma versão mais indígena do Langosta. Gostamos da capa.

LANGOSTA

Langosta

 significa “lagosta” em espanhol, mas por algum motivo também quer dizer “gafanhoto”. Nos anos 40, as colheitas de Chumbivilcas foram devastadas por uma série de pragas de gafanhotos, então os homens naturalmente começaram a se vestir como gafanhotos para lutar e os gafanhotos naturalmente foram embora no ano seguinte. A capa de chuva colorida e a calça servem para imitar o corpo brilhante do inseto, e combinam muito bem tanto com um capacete de minerador quanto com um pássaro morto amarrado no pescoço. O

Langosta

é sem dúvida o look mais acessível, e te deixa com um ar de membro da gangue do

Akira

.

QARAWATANNA

Assim como os Ramones fizeram com os greasers de verdade dos anos 50, os

Qarawatannas

 pegaram o visual

Majeño

tradicional e deram uma incrementada trocando a jaqueta de lã por uma de couro, o chapéu por um pássaro ou uma raposa empalhada, e as calças de montaria por enormes charrões de motoqueiro que parecem botas da

Aeon Flux

. A maioria da galera mais jovem opta pelo

Qarawatanna

, já que é de longe o visual mais intimidador. Tipo aqueles caras que se vestem de pirata no carnaval. Brincadeira (mais ou  menos).