Estilo e identidade em imagens de subculturas na Holanda
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Estilo e identidade em imagens de subculturas na Holanda

Em 1994, o fotógrafo Ari Versluis e a profiler Ellie Uyttenbroek começaram a compilar e documentar subculturas bizarras. Aqui eles compartilham alguns trabalhos novos e falam sobre as tribos de estilo de hoje e de ontem.
20 February 2017, 5:52pm

Esta matéria foi originalmente publicada na i-D .

Ari e Ellie se inspiraram inicialmente na "coisa gabba que rolava em Roterdã", na Holanda — fotografando uma dúzia de caras com a cabeça raspada na máquina 1 e usando jaquetas esportivas. "Eram tantos clones que parecia que a cidade tinha sido invadida." Depois disso, a dupla holandesa começou a observar as pessoas e seus uniformes sociais, e quando achavam gente suficiente para preencher uma folha de contato 3x4, eles convidavam as minitribos para seu estúdio e faziam os cliques. Dali saíram doze garotas de calça de moletom e sobrancelha fina; doze tias Sheila — você conhece o tipo; doze emos tatuados envelhecidos; e doze gabbabitches de sutiã esportivo e cabelo raspado na nuca. É tipo quando alguém diz "isso aqui está parecendo uma lata de sardinha" em qualquer multidão, e as pessoas reviram os olhos. A maioria das pessoas se encaixam num tipo, mesmo que atípico. Somos mais um em 400 do que um em um milhão, e neste exato momento provavelmente umas 11 pessoas estão vestidas igualzinho a você, e um dia o Exactitudes vai te pegar!

Uma coleção seriamente original de cultura, Exactitudes já recebeu bastante cobertura da imprensa: a VICE apresentou seus criadores em 2003 e 2005, e nos encontramos com eles de novo na Bienal de Arquitetura em Veneza em 2012. Aqui você tem alguns dos nossos exemplos favoritos dos arquivos deles, além de um trabalho novinho em folha: emos adultos.

What's Up G – Roterdã/Berlim 2013

VICE: Onde vocês vão para encontrar tribos de estilo?
Ari e Ellie: Só nos focamos no que gostamos de documentar: estilo e identidade. Quando trabalhamos fora de Roterdã, novos Exactitudes são sempre um produto de observação, discussão e encontros, por um período determinado em certo lugar. Tentamos evitar tendências de curta duração. Uma nova série, uma nova tribo, tem sempre que fazer sentido para a história maior que queremos contar. Recentemente, novos Exactitudes foram feitos em Haia (inspirados pela cultura holandesa colonial), Berlim (tatuagens new skool) e São Petersburgo (a moda de rua atual).

Subculturas começam com uma pessoa?
Nos concentramos em identidade uniformizada, um apagamento de diferenças, deliberada ou não; indivíduos com o desejo de se misturar, e ao mesmo tempo se sentirem individualistas. Acima de 40 anos, a maioria das pessoas se apegam a um estilo e têm uma ideia bem fixa de quem são e o que querem representar. Novos estilos e identidades são alimentados pela moda, mídia de massa, cinema, redes sociais e especialmente polinização cruzada entre diferentes culturas, gêneros e idades.

Mohawks – Roterdã 1998

Teve algum estilo ou subcultura que vocês queriam fotografar mas não conseguiram?
Grupos extremamente religiosos são difíceis de retratar. É preciso uma abordagem de jornalismo investigativo para convencê-los a tirar a fotos num estúdio. Jovens muçulmanos com tênis genéricos ocidentais e jaquetas esportivas; jovens judeus ortodoxos com os cachos... Eles são difíceis de abordar e você precisa ser muito determinado. Exactitudes é sobre encontro e disposição em cooperar, para que a foto certa seja tirada.

Gabbers – Roterdã 1994

Vocês acham que um estilo, como punk, gótico ou skinhead, é a verdadeira representação da pessoa que o usa e de suas atitudes?
Naquele momento exato da vida delas, SIM!

Subculturas ainda existem? Ficou mais difícil encontrar inspiração para o projeto?
Subculturas ainda existem, mas não são mais tão óbvias. Em termos de moda e estilo de vida, experimentamos uma globalização enorme — democratização da moda, dizem. Mas isso tira a novidade de praticamente tudo e deixa menos espaço para experimentação real. Entender a imagem social e política maior, por outro lado, pode levar a grupos novos, menores e mais específicos.

Auntie Never Ever – Roterdã 2010

Vocês colecionam alguma outra coisa?
Colecionar é divertido e viciante, mas para muitas coisas pode ser frustrante e encher seu espaço de tranqueiras. Hoje adoramos o sentimento de "Nuvem", e tendemos a abraçar uma abordagem menos materialista da vida. No entanto, mais do mesmo ainda é muito atraente, especialmente quando é algo como nosso trabalho Exactitudes, uma história sem fim. E colecionamos revistas i-D, da primeira edição até agora. Sério.

O que vocês vestem?
E o que isso diz sobre a gente? As pessoas não mudam, mas a moda sim. Então nosso estilo pessoal é clean e cabelo curtinho. Não dá para escapar do poder cíclico da moda. Estilo é sobre detalhes essenciais, não é sobre o que, mas sobre como!

flatlandgallery.com

exactitudes.com

Imagens por Ari Versluis e Ellie Uyttenbroek.

Tradução: Marina Schnoor

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