Música

Até o Silêncio Desconfortável Chegar: Uma Conversa Casual Com Flying Lotus


Capa do Until the Quiet Comes

Comecei a acompanhar a cena de música eletrônica de Los Angeles porque imagino os artistas que a compõem como espíritos afins. Tudo começou com o primeiro disco do Flying Lotus, Los Angeles, o primeiro álbum que me fez perceber que alguma coisa revolucionária estava acontecendo. Aqui e ali, juntei notícias da cena de Los Angeles, procurei pelos sons, e o que ouvi ecoou no meu próprio passado. Aquelas pessoas claramente cresceram ouvindo as mesmas coisas que eu – uma mistura inebriante da era dourada do hip hop e música eletrônica britânica, talvez um resto de angústia adolescente cheia de punk old school. Adicione um senso de humor afiado pelos “Simpsons” e uma introdução precoce ao Fruity Loops e você tem a mente moderna dos beatmakers de 2000 e alguma coisa.

Querendo ou não ser o exemplo mais representativo desse som, Flying Lotus é seu embaixador. Com uma popularidade inigualável pro estilo, ele é a porta pra cena de música eletrônica de LA pra todo mundo que não vive dentro desse reino geográfico ou conceitual. Quando finalmente tive a chance de falar com o FlyLo alguma semanas atrás, não consegui deixar de ficar com inveja e fazer todas as perguntas nerds que sempre quis fazer pra ele. Às vezes esqueço completamente que sou jornalista e simplesmente deixo minha curiosidade de fã me guiar, me atrapalhando com minhas próprias conjecturas e ocasionalmente perguntando um pouco demais (ele se recusou a me dizer onde compra seus discos). Mas lendo a transcrição da nossa conversa, isso começou a parecer realidade pra mim. Não fiz uma pesquisa porque já sabia o que queria encontrar, e não foi fácil porque simplesmente não sou assim tão descolado. Essa é a conversa que imagino que qualquer beatmaker gostaria de ter com Flying Lotus, e pra mim isso é muito mais divertido que uma entrevista clichê.

Primeiro eu queria testar uma teoria na qual tenho trabalhado há um tempo: os cinco álbuns que mais influenciaram essa geração da música eletrônica. Pode-se argumentar que listas assim simplificadas são chatas e um insulto, mas só dessa vez me permiti essa condescendência inspirada pelo Alta Fidelidade.

CINCO ÁLBUNS

J Dilla – Donuts

Videos by VICE

Flying Lotus Madlib

Se você ama muito uma pessoa você pensa: ‘Era isso que eu estava esperando’, e depois de um tempo você fica: “É, isso é incrível, e é muito legal que ele não esteja fazendo algo que já fez antes.’ Mas senti isso no começo. E também foi uma coisa muito frenética pra mim, eu trabalhava na Stones Throw e esse era um disco muito importante pro selo mesmo antes dele morrer. Era uma coisa grande pra todos nós, porque éramos grandes fãs dele. Então tenho uma conexão diferente com isso. Na verdade eu trabalhei nisso, trabalhei distribuindo o disco pras pessoas, fiz parte do processo de explosão dele, tocando nas festas e tal, eu estava lá.

Isso mudou a maneira como você produz? Nota: Mais tarde, naquele mesmo dia, me encontrei com o Daedelus depois de seu show no Rumsey Playfield no Central Park. Mostrei a lista e ele mencionou que The Unseen do Quasimoto estava faltando, e que sua influência pros produtores de LA era enorme. Se esse disco pode ser adicionado à lista ou substituir Donuts é algo pra ser discutido por muito tempo. De qualquer maneira, Madlib (que fez o disco sob o pseudônimo de Quasimoto) merece muito crédito por moldar esse tipo de som.
Boards of Canada – Music Has the Right To Children

Mr. Oizo – Analog Worms Attack
Analog Worms Attack
Aphex Twin – Richard D. James
“Girl/Boy Song” “Milkman” Drukqs
DJ Shadow – Endtroducing…
Dark Days

UNTIL THE QUIET COMES

Until The Quiet Comes Los Angeles Until The Quiet Comes Erykah Badu Cosmogramma Houve um tempo em que você fazia um disco do Flying Lotus sentado sozinho na frente de um computador com seu MPC ou qualquer outro equipamento de fazer batidas? Ou sempre foi uma espécie de projeto colaborativo? Flying Lotus Qual foi o último álbum que você fez sozinho? 1983 Você tem uma lista de estrelas com quem quer trabalhar ou são só artistas em particular que te tocam em algum momento da vida?

BRAINFEEDER

Brainfeeder TOKiMONSTA Teebs The Gaslamp Killer Flying Lotus: Você mencionou em outras entrevistas que considera o Thundercat meio que parte do seu som. Golden Age of The Apocalypse Falando em escolher artistas mais sombrios, você meio que encontrou um cara – seu único artista que não era de LA na época – o Lorn. Falei com ele não faz muito tempo, ele me contou a história de como você o encontrou no MySpace. Alguém te falou sobre ele ou você só estava caçando algo ali? E finalmente, só pra confirmar ou descartar um boato, você tem alguma coisa a ver com o Captain Murphy?

@ImYourKid

Via The Creators Project

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