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Adeus, Acordo de Paris

Donald Trump tirou os EUA, responsável por 18% das emissões de carbono do planeta, do tratado que visava reduzir danos ao ambiente. Futuro do acordo e da Terra seguem incertos.

Donald Trump anunciou na quinta-feira que os Estados Unidos não farão mais parte do Acordo de Paris ratificado ao final de 2015.

"Estamos caindo fora, mas começaremos negociações e tentaremos chegar a um acordo justo", disse Trump. "E se não conseguirmos, tudo bem."

O anúncio foi feito na tarde desta quinta após muita especulação sobre como o presidente norte-americano abandonaria o acordo em meio à pressão global. O ato surpreende pouco dada sua retórica e postura anticientífica no geral.

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O acordo estipula que países precisam esperar por três anos antes de se retirarem. Passado o período, poderiam declarar sua intenção de retirada, que passaria a valer no ano seguinte. Isso significa que os EUA sairiam de fato em 2020.

Fora isso, Trump também poderia retirar o país da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre a Mudança do Clima (UNFCCC). Tal ato também exige aviso prévio de um ano e removeria o país automaticamente do Acordo de Paris. É o que sugere a Heritage Foundation, think tank neoconservador.

A decisão de Trump faria dos Estados Unidos um dos únicos três estados-membros das Nações Unidas a não tomarem parte no acordo (os outros dois sendo Nicarágua e Síria). O presidente pode tomar tal decisão por meio de ordem executiva, não sendo necessária a aprovação do Senado, método pelo qual Obama topou fazer parte do acordo no ano passado.

O ex-presidente norte-americano Barack Obama, responsável por incluir os EUA no Acordo de Paris, lançou nota referindo-se ao acordo como "o primeiro acordo global que coloca o mundo em um caminho com baixas emissões de carbono, protegendo o planeta que deixamos para nossas crianças". Ele comentou ainda que "estados, cidades e empresas assumirão sua responsabilidade e farão ainda mais para `trilhar este caminho" e agora os EUA estão simplesmente pulando fora.

Elon Musk tuítou que está largando seu posto de assessor presidencial em dois conselhos, como já havia ameaçado fazer caso os EUA se retirassem do acordo.

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Na quinta, com a decisão ainda a ser tomada, uma série de empresas-líderes da indústria de tecnologia como Apple, Facebook e Google se juntaram em campanha pedindo ao presidente Trump que não desistisse do acordo. Até Rex Tillerson, Secretário de Estado de Trump e antigo CEO da ExxonMobil, disse que os EUA deveriam permanecer no tratado.

Vale ressaltar que, depois da China, os EUA são o maior emissor de gás carbono no mundo: os chineses entram com 20% das emissões e os americanos com 18%. A colaboração dos dois países era considerada essencial para chegar ao objetivo do acordo: manter a temperatura média global "2°C abaixo dos níveis pré-industriais".

Na época de assinatura do acordo, as temperaturas médias globais estavam cerca de 1.3C acima de níveis pré-industriais.

"Esta não é uma questão de salvar o ambiente e nada mais", afirma Paul Bodnar, que ajudou nas negociações do tratado. "Trata-se de proteger nossos interesses econômicos e de segurança ao redor do mundo. Se você apoia segurança alimentar, saúde global, erradicação da pobreza, você deveria mesmo se preocupar com como as mudanças climáticas afetam estas questões."

A retirada dos EUA do Acordo de Paris confirma a profecia dos críticos do mesmo que alertaram quanto à falta de amarras legais do mesmo. Não há qualquer sanção no caso de abandono do acordo, o que levou à especulação de que alguns países caindo fora poderiam levar a um colapso geral, arruinando o esforço como um todo.

Neste momento, os EUA deixam de lado suas responsabilidades como líder mundial. Por mais que China e União Europeia tenham se comprometido a reforçarem seus próprios tratados no caso da retirada dos EUA, não está claro o quanto tais políticas compensarão a saída dos EUA.

O futuro do tratado segue incerto – e de alguma forma, o futuro de nosso planeta também.