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Djonga segue colocando fogo nos racistas em "A Música da Mãe"

O rapper mais cru entre seus contemporâneos não morde a língua para denunciar racismo, machismo e tantos outros problemas em seu novo clipe.
20.8.18

Existe mote mais poderoso no rap nacional dos últimos anos que "fogo nos racistas"? Talvez só "bala nos inimigos, bala nos invejosos". Desde o lançamento de seu primeiro disco, Heresia, no ano passado, o Djonga parece ter se tornado o mais potente grito raivoso vindo do rap contra as injustiças que as pessoas negras sofrem no Brasil, com referências que vão de Emicida a Racionais, passando por Get Out. E ele continua nesse caminho com seu novo single, "A Música da Mãe".

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No maior estilo "This Is America" do Brasil, o rapper mineiro coloca sua afirmação como artista nos três versos e refrão do som, que brada: "Ô mãe, olha como me olham / Ô mãe, eles me pedem foto / Do fundo da leste eu cumpri a promessa e fiz o jogo virar". O clipe que acompanha o som segue os mesmos temas de desigualdade social e sucesso negro. Ao longo de seus quase quatro minutos, Djonga dá uma voadora em um menino branco que tenta tomar seu lugar ao começo do clipe e, depois, é assediado por fãs diversas vezes enquanto cenas bizarras acontecem ao seu redor: um homem desconhecido aborda uma criança, uma mulher é agredida durante uma briga, um homem negro é barrado por seguranças de entrar num estabelecimento.

Quase tão importante quanto a crítica de Djonga é o modo que ela é feita, e não só em "A Música da Mãe" — como ele mesmo diz no começo do terceiro verso, "Beethoven negro, cachorro e rimo com classe, com passe". O rapper mineiro, que vem de um cenário onde rap e funk se tornaram quase intrínsecos um ao outro, se destaca de seus contemporâneos (como Baco ou Coruja, por exemplo) por direcionar suas palavras de reprovação de modo agressivo, cru e quase obsceno — o que talvez pode causar uma perda de profundidade, mas aumenta imensuravelmente a identificação e tensão de suas falas.

"A Música da Mãe" é mais um tiro certeiro nos racistas, mais uma rajada de fogo nos que causam e perpetuam desigualdades. E de um jeito que, a essa altura, só Djonga sabe fazer. Se isso não é hip hop, o que é? Assista o vídeo acima.

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