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Como saber se a Cambridge Analytica roubou os teus dados do Facebook

Há utilizadores que podem ter tido a sua informação privada roubada por um determinado quiz - ou se um dos seus amigos fez esse quiz, ou se um amigo do amigo fez esse quiz.
11.4.18

Este artigo foi originalmente publicado na nossa plataforma Motherboard.

Na última segunda-feira descobrimos finalmente se o nosso perfil do Facebook e respectivas informações fizeram parte do pacote do caso Cambridge Analytica. No entanto, o Facebook não nos diz quais dos nossos amigos, ou se algum, devemos culpar.

O gigante das redes sociais tinha anunciado a semana passada que no dia 9 de Abril os utilizadores seriam informados se os seus dados tinham sido recolhidos pela empresa de análise de dados baseada no Reino Unido, sem o seu consentimento ou informação e, em termos gerais, como é que tais dados lhes teriam ido parar às mãos.

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As notificações começaram a aparecer por volta do meio-dia. "Finalmente, a partir de segunda-feira, 9 de Abril, vamos mostrar às pessoas um link, no topo da pagina do seu News Feed, para que possam ver que aplicações usam e a informação que partilharam com as mesmas," escreveu o Facebook num comunicado à imprensa. E acrescentou: "As pessoas também terão a possibilidade de apagar as aplicações que já não quiserem. Como parte deste processo, também vamos informar se a informação das pessoas foi inadequadamente partilhada com a Cambridge Analytica".

Depois de, inicialmente, ter avançado que a informação de 50 milhões de utilizadores teria sido roubada, o Facebook reviu o número a semana passada, confirmando que, afinal, estávamos a falar de 87 milhões - a maioria nos EUA -, que poderiam ter tido a sua informação "partilhada de forma inadequada" com a Cambridge Analytica. A Cambridge Analytica recolheu estes perfis sem o consentimento dos utilizadores, através de aplicações alheias e usou os dados recolhidos de forma a ajudar a campanha de Donald Trump.

A Cambridge Analytica trabalha em elaboração "psicográfica" de perfis, o que significa que usam os dados que recolhem online, muitas vezes pelo Facebook, para criar perfis de personalidade de eleitores. Isso torna mais fácil que as campanhas políticas tenham como target pessoas especificas. Em 2016, a campanha de Trump contratou a empresa que gere estas operações digitais, mas esta ainda mantém que a informação nao foi usada para "mexer" com as eleições norte-americanas de 2016.

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Quando os utilizadores abriram o seu Facebok na segunda-feira, viram no topo do feed de notícias um link que os dirigia para uma página com o título "Protege a tua informação", com uma mensagem detalhada a explicar se a sua informação foi roubada ou não. Se um utilizador foi afectado pela violação de dados, terá ainda acesso a uma mensagem detalhada sobre que website ou aplicação partilhou os seus dados. Os utilizadores podem ainda usar esse link para ir a uma secção do Facebook onde lhes é disponibilizada informação sobre cada aplicação e cada website que usaram o Facebook para fazer log-in e apagar aqueles que já não querem ligados à sua conta.


Vê: "Falámos com o homem que denunciou o caso Cambridge Analytica"


Há utilizadores que podem ter tido a sua informação privada roubada por um determinado quiz - ou se um dos seus amigos fez esse quiz, ou se um amigo do amigo fez esse quiz -, que requeria que fizessem log-in com o Facebook. No entanto, se a sua informação foi recolhida por causa de algo feito por um amigo, ou amigo de amigo, o utilizador não será informado sobre que amigo foi.

O Facebook tem estado debaixo de fogo devido a várias violações de privacidade no último ano, incluindo a Rússia a meter-se onde não devia, a forma como a plataforma lida com as fake news, perfis públicos a serem apagados, por permitir a disseminação de discursos de ódio e não só. E o escrutínio só se tem intensificado desde que as noticias sobre a Cambridge Analytica saíram há cerca de um mês, com a cotação em bolsa a baixar e o CEO Mark Zuckerberg a ser chamado para testemunhar perante o Congresso.

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Ontem, terça-feira, 10 de Abril, foi questionado pelo Senate Judiciary and Commerce Committee e, hoje, é a vez dos membros do House Energy and Commerce Committee o interrogarem.


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