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Da Psicologia à Música Eletrônica, uma Entrevista com o Bakermat

O produtor holandês está de passagem pelo Brasil e falou um pouco sobre suas origens, o que pensa sobre a cena eletrônica atual e seu novo disco.

O Lodewijk Fluttert poderia ser só mais um estudante de psicologia em Amsterdã, mas ele só faz faculdade por hobby. O sucesso do novinho holandês é nas pistas mesmo, onde atende pelo nome de Bakermat (é bem melhor de pronunciar também). Por ter uma influência muito direta do jazz, do blues e do soul nas suas produções, tudo graças aos seus pais, ele chamou a atenção da galera por fazer uma música eletrônica mais melódica, lembrando o trampo do austríaco Parov Stelar e até mesmo do Goldfish - dois artistas que, por sinal, ele cita como suas principais referências junto com Moby e Daft Punk.

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Filho do deep house, Bakermat começou a atiçar a galera na cena eletrônica com "One Day (Vandaag)" até que estourou na Europa com o single "Teach Me". E quando dizemos "estourou", queremos dizer que ele foi elogiado pelo Pete Tong na BBC Radio 1 e até mesmo ganhou seu próprio palco no último Tomorrowland belga, chamado Bakermat & Friends. O cara também está com seu primeiro disco prontinho pra sair ainda esse ano e, como o continente europeu ficou pequeno pra ele, o produtor fez recentemente sua primeira turnê pelos EUA e agora vem ao Brasil pra uma apresentação no festival Music Motion, que rola na sexta (19) no Clube Pinheiros, em São Paulo — pena que os ingressos já esgotaram.

Antes de tocar por aqui, Bakermat respondeu algumas perguntas enviadas por e-mail falando sobre o que ele espera da cena eletrônica e nos adianta um pouco do que tem pela frente, tanto em relação ao seu novo disco quanto ao seu set. Cola junto:

THUMP: Começando pelo seu background, você teve um começo bem interessante na música. Li que você estudava psicologia na faculdade e que também tocava em festas. Quando você percebeu que produzir era mais que um "hobby" e poderia ser seu ganha-pão?
Bakermat: Isso sempre passou pela minha cabeça. Comecei a colecionar discos de jazz quando eu tinha mais ou menos 11 anos e faço isso desde então, mas foi provavelmente aos 16 que eu senti vontade de fazer música autoral. Eu comecei a aprender mais sobre softwares de produção musical, sintetizadores e como eles funcionam na mesma época e peguei daí. Sempre foi meu sonho fazer da produção a minha profissão, então quando eu comecei troquei meus hobbies! Ainda estudo psicologia, mas faço só por diversão agora, indo devagar. A música deve sempre vir primeiro!

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Algumas das suas antigas referências vêm do jazz e do blues, até você se interessar pelo house. Quem te apresentou a esses gêneros e quais artistas você mais ouvia na época?
Foi uma combinação do meu pai com a minha mãe. Ela era cantora de ópera e ele ela apaixonado por música, então era muito comum ouvir música em casa. A gente ouvia de tudo! O primeiro disco que meu pai me deu foi do James Brown, então foi um bom começo. Outros caras que eu adoro são Coleman Hawkings e Nat King Cole — os músicos de jazz e soul dos anos 1940 e 1950 me influenciaram demais. A house music veio por minha conta, fiquei curioso sobre o gênero quando eu era mais jovem e quis explorar de tudo. Cresci ouvindo Moby, Fatboy Slim, Daft Punk, Parov Stelar e Goldfish.

Em entrevistas anteriores, você comentou que as pessoas estão se cansando do house progressivo e do EDM como conhecemos hoje, com drops demais e um som "agressivo". Como fã de música, o que você acha que as pessoas querem ouvir em termos de dance music? E como produtor, que tipo de música você quer fazer?
Acho que é definitivamente saudável ter tantos sons diferentes envolvidos na dance music, e isso inclui o house progressivo e aqueles sons de Main Stage que ficaram tão populares. Mas dá pra ver que uma galera como o Disclosure, o Kygo, Oliver Heldens, Robin Schulz, Thomas Jack — esses caras que fazem uma música diferente do que estamos acostumados a ouvir no Main Stage estão dando um novo impacto na música eletrônica. Primeira e principalmente falando como fã de música, acho que as pessoas estão procurando por qualquer coisa que as façam se sentir bem e feliz. E é exatamente esse tipo de som que eu quero fazer e tento incorporar todas as minhas influências pra que isso aconteça.

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Seu primeiro álbum sai esse ano. Poderia nos contar um pouquinho mais sobre ele?
Ele está praticamente finalizado agora. Eu trabalhei com um pouco de tudo nele: guitarras, violinos, vocalistas, o velho folk americano, até músicas de prisão! Acho que vocês vão ouvir um disco bem amarrado e cheio de experiências minhas.

Ele vai seguir o mesmo estilo de "Teach Me" em termos de produção ou você preferiu tomar um caminho diferente?
"Teach Me" é claramente bem próximo do som clássicos pelo qual as pessoas me conhecem, mas eu acho que vou surpreender uma galera com algumas músicas. Tem até uma baladinha no meio do álbum.

E falando sobre "Teach Me", você esperava que o single fosse tão bem recebido? Como você se sente sobre isso?
Definitivamente não. Eu tive certo sucesso com faixas anteriores, como "Zomer" e "One Day (Vandaag)", mas você nunca sabe quando isso tudo vai acabar. Então eu sou muito grato toda vez que lanço alguma música que meus fãs curtem. Se tudo der certo, todas as minhas músicas que sairão no futuro vão ter esse tipo de retorno.

O que você acha de tocar no Brasil pela primeira vez? O que a gente pode esperar do seu set?
Eu tenho vontade de ir ao Brasil desde que eu era criança, então eu mal posso esperar. Sempre achei que os brasileiros têm a maior energia do mundo. Eles festejam como ninguém. Prometo que todos que forem aos meus shows vão se divertir com o meu set. Música boa, alguns instrumentais ao vivo e eu posso até tocar algumas coisas do novo disco. ;)

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