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Ouça o Segundo Volume da Compilação de Rasterinha do Funk na Caixa

O sucesso do primeiro EP instigou produtores mundo a fora, da Polônia ao Rio. Doze faixas inéditas, escolhidas a dedo pelo Renato Martins.

Desde que descobri a rasterinha, não imaginava a proporção que a coisa toda tomaria. Sem pretensões, lancei o EP da Rasterinha para mostrar ao mundo o novo som do Rio de Janeiro. Os japoneses gostaram e tuitaram, o português Branko também gostou (o remix do Guto está sempre presente nos seus sets). Agora são os franceses quem dão a cara nesse segundo volume. Eu poderia citar os americanos, mas o Comradeestá no rolê desde o começo. Rolou matéria em site da Suiça, Itália, até no México. Chegou no nível da corporação Roberto Marinho falar sobre o movimento. Na TV, depois de novo e por último no jornal.

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Aproveitando que o primeiro EP fez tanto sucesso, resolvi lançar um segundo. E posso dizer que essa é a melhor compilação de música que eu já fiz – e olha que comecei com essa brincadeira em 2010. Com esse álbum rolou uma parada engraçada: mesmo sem os produtores ouvirem o trabalho dos outros previamente, as músicas combinam uma com as outras. As influências que os produtores usam estão em quase todas as músicas. E o mais legal é que você consegue ouvir o álbum do começo ao fim, sem se cansar ou ficar com a cabeça doendo daquela batida repetida e pesada. Tem música de pista, música para ouvir (hmmm), música para cantar, música para pensar. Um álbum perfeito, sem falsa modéstia. Espero que vocês também curtam o álbum, por que ficou demais!

Abaixo você ouve ou baixa aqui o álbum na íntegra. Na sequência tem um faixa-a-faixa, dando a caminhada completa do porquê, como e onde de cada track.

God Wonder – "Rumbaa"

Encontrei o produtor God Wonder, de Amsterdam, numa rápida procura sobre novos sons de rasterinha. Ele tinha uma música bem legal, mandei um convite para participar da coletânea e ele aceitou de cara, incluindo a música que já havia feito. Dias depois ele me manda esta fantástica produção, que mistura elementos do funk com umas rimas muito legais, que enaltecem o funk, mostram a sensualidade e ao mesmo tempo o carisma. Esta é uma das minhas músicas favoritas. Ouvi umas dez vezes no primeiro dia

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MC Maromba – "My Name Isn't Johnny"

O Maromba tem um trabalho muito interessante. Além da linguagem visual que ele cria para o seu personagem, suas músicas são bem feitas, as letras tem sentido e ele usa muito do instrumental brasileiro. O que eu mais gostei dessa música é esse sentido inverso do brasileiro cantando em inglês em um estilo brasileiro.

Viní – "Aquecendo"

Chegamos ao momento PISTA! A produção do Viní lembra muito o moombahcore, com seu timbre rasgado e pesado. Além disso, sua letra suja dá esse clima de tensão, e, diferente das duas primeiras músicas, ela não é uma música para ficar cantando juntinho. Ela chega rasgando, ela chega sem dó, sem pedir licença.

Kin – "Vai no Chão"

Engraçado que nessa coletânea o pessoal abusou dos instrumentos. Acho que o movimento da rasterinha fez esse resgate e deixou a música eletrônica mais orgânica. O Kin abusou dos samples de Carol Bela, sem falar na cuíca do samba. Um pouco mais de instrumento e a faixa virava um samba eletrônico.

Mettabbana – "Na Cabeça"

Essa é a música mais cabeçuda do álbum. O Mettabanna, inglês radicado nos EUA, usa diversos elementos para construir esse experimento, sem perder o ritmo. Uma música que esta muito bem produzida, elevando a qualidade das produções.

Angry Beats – "Easterinha"

Outra música que abusa do experimental, principalmente com os vocais. O que mais me encantou nessa produção é a linha de baixo que em alguns momentos lembram de looooonge o fidget house, um pouco rasgado e sempre presente. E, como na maioria das produções, instrumentos orgânicos – nesse caso um bongo – continuam presentes. O cara é de Varsóvia, na Polônia. Então imagina o quão longe chegou a rasterinha.

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Bumps – "Joga na Cara"

Meu bom e velho amigo Bumps, presente desde do primeiro EP do Sapabonde em 2011. Esse inglês tem um encanto pelo funk carioca que é incrível. Nessa produção ele achou um vocal bacanérrimo que combina com seus trompetes de fundo. A rima tem tudo para virar hit, e ainda deixa abertura para outros remixes. Outra das minha favoritas do álbum.

RRRIO – "Gozar"

Desde que eu comecei a ouvir e curtir funk eu sempre dei preferência para vocais femininos. Nesse o RRRIO, outro francês, começa com um depoimento de uma moça contando que quer gozar. Cara, funk, vocal feminino e ainda dizendo que gosta de gozar é o ápice! Outra favorita! E no decorrer da música ele vai experimentando outros vocais que deixam a música com outra cara. Boa produção que mescla diversas influências.

Guto de Almeida – "Vai Geral Ficar Louco"

AHHH O GUTÃO! SIM! GUTINO DE ALMEIDA! Produtor paulistano velho de guerra e de mão cheia, mas preguiçoso. No primeiro EP, seu remix foi um dos pontapés pra que a rasterinha caísse no gosto mundial. E agora ele me vem com uma produção PISTA, com uma bendita melodia que gruda na cabeça! E com uma linha de baixo que, meu amigo, prepara o peito. Favorita desde que ouvi pela primeira vez, tem chance de virar hit na pixxxta enquanto rola aquela sarração.

MC Ruby (DJ RD da NH e DJ Kazan) – "BumBum Dá"

Quando descobri que foi o DJ RD da NH quem criou a batida da música "Quero Bunda" – uma das primeiras produções de rasterinha – eu tive que procurá-lo. Ao ouvir suas produções já saquei que ele era dos bons! Fiz o convite para o álbum, ele tentou criar uma produção mais a lá rasterinha, porém sua agenda corrida e a quantidade de trabalho que ele tem dificultaram uma produção apenas sua. Mas, com aquela vontade de participar, ele me mandou a produção da MC Ruby, que é mais legal ainda. Sempre que monto um álbum de funk tento colocar algo genuinamente do Rio para não fugir da essência, e essa produção reflete bem isso.

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DJ Edgar – "Rasterinha da Danada"

Já imaginou o Cumpadi Washington cantando numa rasterinha? Cara, que sacada essa do DJ Edgar, de fazer esse encontro de referências! Seria muito legal se no futuro nosso Cumpadi Washington cantasse umas rasterinhas. Já imaginou? Inocente!

Photo Romance – "Bota na Cara"

Aos quarenta e três do segundo tempo me aparece o produtor francês Photo Romance com essa produção. Tentei resistir em não incluir, mas vocal feminino me ganha, e ainda mais dizendo que ela vai botar na minha cara.

O Renato Martins quebra tudo no Funk na Caixa: @FunknaCaixa