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Desporto

O funeral do Sporting deve estar para breve

Preparem as condolências, só naquela.

Enquanto adepto do melhor clube do mundo e arredores — dica: começa por P e veste de azul e branco —, tenho de dizer que, por um lado, o actual momento do Sporting me dá um certo gozo sádico (é o Portsmouth, acertaram). Ou costumava dar; a gargalhada passou a pena depois de ver a conferência de imprensa que o Godinho Lopes convocou hoje, em que se contrariou, recontrariou, e se enterrou — e ao clube — cada vez mais fundo. O que eu quero muito sucintamente dizer é: nem um adepto hardcore como eu o sou de um rival consegue deixar de sentir o mínimo de empatia para com os adeptos de um clube que anda há 17 anos, ou mais, na fossa. Sobretudo, para com este adepto:

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Mas, isto talvez não seja tanto sobre futebol como sobre política. Repare-se: a situação do Sporting é um espelho da situação global. O clube foi tomado de assalto pelos bancos e demais instituições financeiras vampíricas, sugado até ao tutano e transformado numa espécie de zombie com o qual se podem fazer todo o tipo de experiências, enquanto uns sofrem e outros enriquecem à grande. Ou seja, trata-se de capitalismo selvagem e corrupto em acção — o que me dá, enquanto anarquista-que-se-odeia-e-só-manda-larachas-na-internet —, todo o direito de me opor a esta direcção sportinguista, mesmo que não torça pelo clube. Manifestar-me contra a actual direcção do Sporting é manifestar-me contra anos e anos de fascismo Roquette-empresarial, contra a guarda pretoriana bem paga pelo clube para causar o caos (conhecida entre os adeptos como “Juventude Leonina”), e contra sucessivas humilhações e subserviências que fizeram dos verdes-e-brancos o Satélite Clube do Port — ah, espera, esta última ainda tem piada. Obrigado pelo Moutinho, otários.

Dia 9 é a data em que supostamente a guerra civil que se vive no Sporting alcançará o seu zénite, com a Assembleia Geral marcada a realizar-se pelas 10 horas numa das bancadas do estádio de Alvalade. Caberá aos sportinguistas, através do precioso voto (mas, sejamos francos, o voto funciona contra o fascismo? A bomba é mais forte que o boletim, amigos), extirpar o cancro que contaminou a terceira maior força desportiva do país, atrás de vocês-sabem-quem e daquele-cujo-nome-não-pronuncio-porque-me-dá-asco. Pelo que leio em inúmeros blogues e no fórum de adeptos do Sporting, a vontade é soberana: tirar dali a corja e reerguer o Sporting. Todos os que lutam pelos direitos do povo e pela luta do mais fraco perante o monstro deverão apoiar esta causa. Os restantes lambuças do dinheiro que se inibam de comentar, de aparecer sequer.

De pé, ó vítimas da fome

!

Além do mais, se o Sporting falece lá se vai uma das melhores séries Britcom de sempre — e não podemos deixar que isso aconteça.