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Roy Larke: Claramente é um problema, dado o consumo elevado de produtos embalados no Japão e a grande população do país. A questão é que atualmente o Japão faz um ótimo trabalho de limpeza, então você não vê tanto lixo nas ruas como em outras cidades do mundo.
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Isso tem uma relação parcial com higiene e regulamentações. Cosméticos Lush, por exemplo, têm um problema quando chegam ao Japão, já que a maioria dos produtos, nos outros países, fica aberto para que as pessoas possam tocar e sentir o cheiro. De maneira parecida, os sacos de cereal matinal que vão dentro da caixa são de uma qualidade muito maior do que esperaríamos ou aceitaríamos fora do Japão. Não conheço nenhuma pesquisa sobre as preocupações dos consumidores japoneses com higiene, mas é bem possível que algumas aparecessem se esse excesso de embalagem não acontecesse.Os maiores fatores são tradição, inércia e o que os japoneses consideram ser expectativa arraigada dos consumidores. Não adiantaria ser a única empresa vendendo chocolates não embalados individualmente, por exemplo. O mesmo vale para confeitos, biscoitos e assim por diante. É uma conveniência: os japoneses gostam de ter um suprimento [de doces], então embalagens individuais são preferidas por muitas pessoas. (Uma pesquisa entre nikkeis, feita no ano passado, descobriu que a maioria das mulheres anda com chocolates na bolsa o tempo todo para ajudá-las quando querem relaxar.)Há também o fato de que as embalagens, excessivas ou não, são vistas como um toque adicional de luxo. Daí as múltiplas camadas de embalagem e sacolas plásticas distribuídas nas lojas de departamento que também ajudam a transmitir a marca - ou se colocar cada pedaço de pão de uma padaria em sua própria sacola plástica, com arame torcido para fechar e tudo mais. Embalar frutas nos supermercados é, acho, algo um pouco mais raro, e isso é geralmente usado para itens mais "sofisticados".
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Isso é difícil de responder. De modo muito geral, eu diria que não. No entanto, se você perguntar a um consumidor padrão japonês, acho que ele mencionaria um certo ultraje com a quantidade de embalagens, mas não estaria disposto a mudar seu comportamento. Indiscutivelmente, escolher por embalagens mais simples é muito difícil no Japão.Então isso não seria um problema fácil de se resolver?
Sim e não. Como eu disse, é difícil dizer que isso é um problema. Como a caça às baleias: aos olhos do Ocidente (e globalmente), isso certamente é, mas aos olhos japoneses - tanto corporativos como consumidores - é provavelmente um problema menor, uma parte da vida.As iniciativas que existem atualmente, pelo que sei, são coisas como o esquema de água da Coca-Cola e os esforços da IKEA para promover um uso menor de embalagens, além de algumas outras de marcas japonesas. E essas ações parecem funcionar extremamente bem - parcialmente, suspeito, porque continuam minoria, então se destacam em termos de marketing. Um punhado de supermercados promove o uso de sacolas reutilizáveis hoje - conheço uma rede que espera que os consumidores paguem pelas sacolas de compras -, mas a maioria passa longe dessa ideia ou, na melhor das hipóteses, pede uma doação ao consumidor que quer uma sacola.
