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Greta Thunberg: A “Madre Teresa” do Clima e mais 11 personalidades que marcaram 2019

Umas pela positiva, outras pela negativa.

Por Carlos Reis
12 Dezembro 2019, 1:24pm

Há esperança no futuro. “Tack” Greta. Fotografia por Harley Weir.

A viagem por 2019 é feita através de doze figuras (portuguesas ou do estrangeiro), entre o bom e o mau, o inesquecível e o indecente. A lista está ordenada por ordem alfabética e há personalidades muito discutidas nos media e nas redes sociais – umas pela positiva, outras pela negativa. O mundo é, afinal de contas, constituído por heróis e vilões.

E para ti? Quem é que te marcou este ano?

André Silva: o parlamento não voltou a ser o mesmo

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À esquerda, o porta-voz do Pessoas-Animais-Natureza na campanha para as legislativas. (Cortesia site do PAN)

O representante do PAN começou por ter a desconfiança dos deputados no hemiciclo, mas a impressão mudou com a substância dos projetos de lei apresentados. Em ano de legislativas, o partido sofreu ataques ferozes (com a ala verde da CDU a ter declarações inauditas), marcou os debates com as questões ambientais e foi um dos vencedores ao aumentar o número de eleitos para quatro (nas Europeias, em Maio, já tinha conseguido eleger Francisco Guerreiro).

André Silva é o rosto mais conhecido de um grupo parlamentar liderado por uma das grandes promessas da política portuguesa, Inês Sousa Real. A excelsa oratória da jurista é visível cada vez que é chamada a intervir.

Assim, é válido acreditar em políticos.

André Ventura: O putativo candidato a presidente do Benfica armado em deputado

“Uma estação que tem 50 por cento de share vende tudo, até o Presidente da República!”. As palavras são do antigo director-geral da SIC, Rui Rangel, para o documentário ”Cette télévison est la votre" (Arte, 1997), realizado por Mariana Otero.

André Ventura, deputado do Chega, beneficiou da sua exposição na CMTV a falar especialmente de futebol e do Benfica. Por isso, a questão só pode ser esta: Para quando uma “OPA” à presidência (repleta de casos) de Vieira?

(é preocupante que o Chega esteja a colar-se à extrema-direita espanhola. Foi noticiado que altos dirigentes do Vox foram vistos numa manifestação com saudações Nazi. Ventura: tens a certeza deste colinho?)

António Costa: O político que não trai a extensa família socialista

2019 é um excelente compêndio de como os boys e as girls do PS têm de fazer pela vidinha. A polémica do familygate foi uma nódoa difícil de evitar e Costa sabe que não há volta a dar. “Eles e elas” são mais que as mães. O problema é crónico, a regionalização o “grande sonho” por realizar e o combate à corrupção uma fanfarronice distractiva. Como é possível acreditar nessa intenção, quando alguns dos supostos prevaricadores de milhões têm ligações ao “universo rosa” e, com a anuência de Marcelo, o governo substituiu a idónea Procuradora Joana Marques Vidal?

A injecção de capital no Novo Banco é um terror, a TAP para lá caminha e o melhoramento dos serviços públicos (caso do SNS) uma folha cheia de promessas vãs. O contribuinte que se acautele. A factura a pagar derivada das asneiradas do Bloco Central - ou sacanices? - não tem fim à vista.

(pelos vistos, António Costa será chamado a prestar um depoimento presencial sobre o processo de Tancos. Como o Conselho de Estado pode impedir a audição, é ver para crer.)

Braima Dabó: A lição de bondade do atleta “desconhecido”

São os pequenos gestos que definem os grandes homens (e mulheres). Quando os 5000 metros arrancaram nos Mundiais de Atletismo, em Doha (Catar), ninguém suspeitaria que uma das cenas mais impressionantes do desporto, nesta década, fosse acontecer no desfecho da prova.

O atleta guineense, Braima Dabó, abdica de fechar a sua corrida para ajudar um atleta em dificuldades por causa do calor (Jonathan Busby, de Aruba). Merece todos os prémios e louvores graças a este acto de enorme fair-play e, acima de tudo, humanista.

Donald Trump: “A boneca ucraniana”

Não vou falar de tweets; do muro; das amizades com os manda-chuvas da Coreia do Norte e do Brasil; do apoio russo e da fraudulenta Cambridge Analytica nas eleições há três anos; da forma misógina como vê as mulheres ou do desrespeito pelas minorias.

Devido à forte possibilidade de ter trocado favores com o Estado da Ucrânia para benefício pessoal (tendo o propósito de atingir um dos possíveis candidatos à presidência, Joe Biden), o processo de destituição de Trump está em andamento. Resultado? Infelizmente, o objectivo dos Democratas deve esbarrar no Senado dominado pelos Republicanos.

(com tanta controvérsia, Donald Trump parece o personagem da série Boneca Russa que, apesar de morrer diversas vezes, ressuscita sempre…)

Great Thunberg: A “Madre Teresa” do Clima

Abomino a expressão “no meu tempo é que era”. A adolescente sueca, Greta Thunberg (justamente nomeada Personalidade do ano para a Time), mostra que nunca se deve perder fé nos mais novos. A sua luta contra as alterações climáticas mexeu com instituições do poder e fez com que grande parte da sua geração - e não só - se unisse perante esta gigantesca adversidade. É tempo dos senhores do poder admitirem que o ecocídio deve ser enfrentado com acções sérias e não com falinhas mansas.

É claro como a água. Há um interesse pelo combate contra o aquecimento global antes e depois de Greta (a par de outras figuras da sua idade). Obrigado miúda.

(com os menores a terem uma intervenção cada vez maior na problemática do clima, devem as sociedades permitir o direito ao voto a pessoas com menos de dezoito anos? O académico e autor do livro Como Acaba a Democracia, David Rucinman, vai mais longe e fala numa participação a partir dos seis anos. Exagerado?)

Jacinda Ardem: Em nome do amor e do respeito pela diferença

O sentido de Estado dos governantes é testado em situações limite. Uma tragédia que envolva mortes é árdua em toda a linha e só quem tem capacidade de liderança consegue passar uma mensagem que tranquilize e traga consolo à comunidade em luto.

Em Março, a localidade de Christchurch, na Nova Zelândia, foi alvo de um ataque terrorista contra a comunidade muçulmana. Em consequência de vários tiroteios, mais de cinquenta pessoas perderam a vida. Nos dias que se seguiram, a PM Jacinda Ardem deu uma lição de amor e respeito para com as vítimas e seus familiares, condenando o acto selvagem e implementando medidas para evitar novas carnificinas.

O show off não rima com líderes deste calibre.

(esta semana, a serenidade de Ardem deparou-se com o drama provocado pela erupção do vulcão Whakaari)

Joshua Wong: O estudante que bate o pé à China

Há um sentimento de que os “velhos do Restelo” em todo o mundo estão a ser sancionados. As ideologias esquerda e direita começam a cheirar a enxofre e é preciso uma renovação dos quadros no topo da hierarquia. A despeito das razões para o protesto, o que se tem visto em França (coletes amarelos), Líbano ou em vários países na América do Sul, não é obra do acaso. Há um cansaço generalizado por políticas que restringem a qualidade de vida dos cidadãos.

Joshua Wong é um estudante universitário de Hong Kong que, desde 2014 (na altura adolescente), tem dado dores de cabeça à China – ver o documentário na Netflix, Joshua: Teenager vs Superpower. Com o controverso projecto lei em que seria permitido extraditar suspeitos de crimes para a motherland, os tumultos têm sido habituais desde Junho último.

Wong já foi preso e, mais tarde, solto e impedido de participar nas eleições para as assembleias locais por defender a proibitiva “autodeterminação” de Hong Kong (o activista é fundador do partido Demosisto). O jovem que bate o pé à cúpula chinesa sabe que não está sozinho neste confronto desigual. A autonomia de Hong Kong será mais vigiada ou a China vai ceder qualquer coisinha?

José Sócrates: A narrativa “ Walt Disney” do antigo primeiro-ministro

O discurso do 10 de Junho foi um dos mais discutidos de que há memória. João Miguel Tavares confirmou que é um dos melhores pensadores de Portugal e mostrou que não se deixa amestrar pelo establishment (antes do convite do Presidente da República, viu Costa cuidar dos seus filhos, em 2017, por causa da tolerância de ponto que foi decidida em consonância com a vinda do Papa). Ademais, o cronista do Público entrevistou para a rubrica Artigo 38, no Observador, nomes da comunicação social sem papas na língua, particularmente Camilo Lourenço e Felícia Cabrita.

Mas, espera aí… Não devia este tópico ser sobre José Sócrates e os cofres da Operação Marquês? Não há problema. De maneira sucinta, perdeu-se um alegado político trafulha, ganhou-se um excelente criativo de narrativas “ Walt Disney”.

Miguel Sousa Tavares: A conversa da treta à volta da tourada

Ainda não viste o debate sobre as touradas, entre José Pacheco Pereira e Miguel Sousa Tavares? É a “sova” do ano que passou em directo na TVI. Esquece as batalhas viscerais em Game of Thrones, isto é um duelo entre o senso comum e o sadismo intelectual, um tête-à-tête entre o argumento lúcido e a fantasia sanguinária.

Há duas matérias em que Sousa Tavares devia manter silêncio. As lides tauromáquicas e o BES.

(se não sabes o porquê do antigo banco privado, é ler um determinado artigo de José Diogo Quintela).

Rui Pinto: O bode expiatório que muitos desejam que seja “o diabo”

Quando Rui Pinto foi preso na Hungria, no início do ano, houve dois sentimentos que se apoderaram de muitos dos que seguiam esta novela. O primeiro é de que o “ hacker” do Benfica foi apanhado e iria ser utilizado para chegar aos “malandros” do FC Porto e do Sporting; o segundo é que o circo estava montado para culpar o cidadão natural de Gaia de tudo e mais alguma coisa. Para já, ainda não é certo que tenha “assaltado” a correspondência electrónica dos encarnados e é “apenas” acusado num processo que envolve o fundo de investimento Doyen Sports.

É óbvio que Rui Pinto tem de ser punido se forem provadas as infracções apontadas, mas não devemos perder de vista a presumível informação que angariou sobre esquemas de vigarice no nosso país. Ou é ele o “diabo” de que tanto se fala? A ex-eurodeputada e actual comentadora da SIC Notícias, Ana Gomes, desaprova esse rótulo.

Sandra Felgueiras: A directora de informação que a RTP precisa

Nem sei como a Sandra Felgueiras ainda “respira” na RTP. Nos últimos meses, as tentativas de condicionar o Sexta às 9 têm sido evidentes e percebe-se porquê. Quando estão em causa a legitimidade de alguns contratos, decisões e acordos que implicam membros do Executivo, de forma subtil (ou nem por isso) há quem faça os possíveis para lhe cortar protagonismo.

Adia-se aqui, corta-se o tempo de emissão ali e, mais dia menos dia, o programa cai e a jornalista é empurrada para a porta de saída. Espero que tal não aconteça, em razão de ter o perfil indicado para ocupar o cargo de directora de informação – mais vale ser dura e temida do que incompetente e servente de São Bento.

Os governos passam e os bons profissionais que existem no canal público ficam.

(além dos três jornalistas apontados, o “onze galáctico” completa-se com Cristina Figueiredo- Expresso/SIC Notícias; Eduardo Dâmaso- Sábado/CMTV; Eduardo Cintra Torres- Correio da Manhã/CMTV; Filipe Santos Costa ex-Expresso/SIC Notícias; Joaquim Vieira- RTP; Luís Rosa e Sara Antunes de Oliveira- ambos no Observador; e Pedro Cruz- SIC Notícias).


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