Choro de prazer e de pânico nos outros dias do SBSR



O primeiro dia é novidade, ao segundo já conheces os cantos à casa. Já sabes que provavelmente nem te revistam à entrada por teres credencial de imprensa e já aprendeste que não se mandam cervejas da varanda VIP. No terceiro dia já toda a gente é amiga de toda a gente, sentes que já moras ali, já disseste todas as piadas de fila de espera que conheces e estás tão cansado que parece que acabaste de fazer um corta-mato.




O Peter Gabriel numa das músicas estava sempre a fazer mãozinhas de gangster.

Os dois concertos com mais choro foram paradoxalmente os dois ódios de estimação, Lana del Rey e Skrillex. A dama do botox trouxe umas pernas gigantes e até se baixou para cantar mais intimamente, mostrando assim as cuequinhas (eu só pensava “espero que o Meireles apanhe isto em foto”).




“Não tenho a certeza se é fixe gostar ou não”.

Não acho a miúda nada de especial, mas porra aquilo resultou. Havia muita água a pingar na audiência: as meninas choravam e os homens babavam-se. Toda a gente sabia as letras de cor. Não fossem todas as músicas iguais e até eu tinha gostado de um concerto só com pianos e violinos. Ora se ajoelhava, ora fingia que estava a sacudir a saia e ainda foi ao público apertar a mão de um pessoal. Um rapaz atrás de mim disse ao amigo, pelo meio de umas gargalhadas bem perversas, “ainda bem que estão aqui estas grades para o tapar!”.





Já o Skrillex é daqueles artistas que nos apetece gostar só para chatear toda a gente. É claramente música de entry-level na EDM (Electronic Dance Music), como agora chamam à música de carrinhos-de-choque. O Skrillex está para a electrónica como os Blink 182 para o punk ou os Slipknot para o metal — estas referências já estão ultrapassadas?

Estava tão agressivo e perfeitamente alinhado aquilo que ele estava a fazer que das duas uma: ou ele é um DJ perfeito ou estava tudo pré-feito em casa. Não me lembro de nenhuma parte em especial, eram só músicas todas iguais com clássicos de reggae a intervalar. As projecções de vídeo eram de rir: o Pai Natal, o Nyan Cat e alguns jogos de computador. Parecia aquele programa, o Gosto Disto!, mas em versão anime/deviantart.

A fila da frente era um misto de miúdos a chorar — uns de prazer, outros de pânico. Eu já estive em moshpits muito agressivos mas estava com medo de um fim skrill ex machina e tive de fugir pelas grades (obrigado ao segurança). Também havia muitos insufláveis no ar, o Meireles (o fotógrafo) levou três vezes com uma orca enquanto trabalhava. Estávamos tão bêbados que ficámos a ver aquilo, dançámos muito e até gostámos.



Íamos acabar a noite, por isso fomos ver se ainda dava para tirar uma foto ao Villalobos. Só deixavam tirar no palco e, graças a isso, acabámos a noite a dançar ao som do Ricardo Villalobos em cima do palco com uns famosos e anónimos. A tenda estava totalmente preenchida. O tempo passou rápido e a música era óptima. Bebemos tudo o que havia à mão e estávamos mesmo “living the dream” até que, de repente, acabou. Perguntei a uma pessoa mesmo fixe da organização se lhe podia pedir para tocar mais e a resposta foi “porque não pedes tu?”. Eu pedi, ele tocou. O Meireles diz que estava lá mais gente para além de mim, mas eu acho que fui eu. Escusam de agradecer.














Fotografia por Bruno Meireles

Thank for your puchase!
You have successfully purchased.