
Esperamos que o Abrams traga esta pequena criatura de volta.
O Star Wars é uma das sagas cinematográficas mais adoradas de todos os tempos. Os filmes originais deram azo a montanhas e montanhas de merchandise, centenas de livros, BDs, séries de televisão e especiais de Natal — tornando o George Lucas um gajo riquíssimo — e que prova que toda a toda a gente curte o Star Wars, com a excepção das pessoas que adoram mesmo, acabando por o detestar.
Deixem-me mostrar-vos como é o interior da mente de um fanático do Star Wars: imaginem-se a assistir a dois filmes fantásticos que criaram um universo muito rico, uma fantasia na qual desejávamos viver, uma luta entre o bem e o mal cuja conclusão teria de ser inevitavelmente mais empolgante do que as aventuras anteriores. Esses dois filmes são o Star Wars: A New Hope e o The Empire Strikes Back, e são os dois únicos filmes do Star Wars dos quais vale a pena gostar. E as pessoas gostam deles. Muito. Gostam tanto deles que mesmo quando o Lucas fez merda constante com a sua própria legacia ao fazer o Return of the Jedi e três prequelas horrorosas, as pessoas continuaram a gostar do Star Wars com a seriedade que só uma criança poderia ter.
Muito disto tem a ver com o facto de que, para muitos fãs, o Star Wars e as suas infâncias estão intrinsecamente ligadas. Chegando ao ponto de, mesmo depois perceberem que o Lucas andava a fazer filmes para crianças durante todo o tempo, continuarem a manter a esperança de que talvez, pelo menos uma vez, o criador da Força se decidisse que fazer um bom filme para adultos seria melhor do que outra porcaria, extremamente cara, feita para miúdos. Durante uma grande parte da minha vida, fui uma dessas pessoas.

Digo isto porque o elenco do novo filme do Star Wars foi anunciado. O filme ainda não tem nome, vai ser dirigido pelo JJ Abrams (ou sabes tudo o que este gajo fez ou então foge da Wikipédia dele), vai contar com os actores originais do Star Wars — Mark Hamill, Harrison Ford, Carrie Fisher, Anthony Daniels (C-3P0), Peter Mayhew (Chewbacca) e Kenny Baker (R2-D2), ao lado de novatos que incluem Andy Serkis, John Boyega, Daisy Ridley, Max von Sydow, Domhnall Gleeson e Adam Driver. Caso não reconheçam estes nomes, o Andy Serkins fez de Gollum no Senhor dos Anéis, e o Adam Driver — os rumores dizem que deverá ser o vilão principal — é mais conhecido pelo seu papel de namorado de Hannah na série Girls. Não me admira que os fãs de Star Wars não estejam muito entusiasmados com a estrela de uma série como a Girls.

Mas não estou aqui para me queixar do Driver. Estou aqui para vos dizer, como um nerd com demasiado conhecimento de Star Wars em mãos, que há três caminhos que o filme pode seguir, e não estou muito entusiasmado em relação a dois deles. E são eles os seguintes:
1. Dado que o filme é realizado pelo Abrams, posso dizer que o realizador vai tratar o material de origem com tanta gentileza quanto aquela com que tratou o Star Trek quando fez o novo filme da saga. Neste caso, o gajo fez um buraco no espaço temporal que a saga tinha seguido e criou uma cronologia alternativa para poder brincar. Ainda assim, a presença do actor original da série sugere que provavelmente isto não vá acontecer, a não ser que o Abrams os tenha trazido de volta para agradar aos fãs, oferecendo-lhes uma participação especial (ele fez isto com o Leondar Nimoy no Star Trek) antes de desviar completamente a direcção, criando um filme de acção eficaz mas pouco interessante, e que, por acaso, tem alguns elementos do universo Star Wars.
O enredo deste filme poderia conter uma academia de Jedis dirigida pelas personagens dos filmes originais, tornando-o um cruzamento entre os livros do Harry Potter e o Die Hard 7, mas no espaço, aproveitando uma cena desnecessária com um Ewok. Este cenário é uma merda e seria o último prego no caixão da saga que já tem levado com uma boa dose de pregos. Nesta versão do novo Star Wars, o gajo da Girls mata todos os membros originais da saga na primeira cena do filme.
2. É possível, se não provável, que o Abrams escolha adaptar algumas das resmas de material disponível dos universos paralelos do Star Wars, como o New Jedi Order or o Legacy of the Force — que são densos, complicados e não muito divertidos de ler. Apesar de agradar aos fãs afincados o suficiente para aguentarem estes livros, se o Abrams escolher este caminho, o Episódio VII não vai fazer muito dinheiro, já que a maioria das pessoas não vão estar tipo, “Sim! Quero mais Ganner Rhysode!”.
O enredo seria semelhante a um dos filmes do Star Trek realizados pelo William Shatner, cruzado com um dos episódios do The Wire sobre sindicatos, e com uma cena de meia-hora em que o Luke Skywalker, agora o líder do Conselho Jedi, debate a política de domesticação dos Bantha com o Han Solo tão bem quanto uma personagem interpretada pelo namorado da Girls. Acho que ficaria na sala a curtir à brava esse filme.
3. O cenário de sonho: miraculosamente, o Abram não estraga tudo e aparece com uma história original que homenageia as coisas fantásticas dos filmes Star Wars e as partes boas da legacia do Lucas, sem ser atolado pelos fãs malucos e protectores que este tipo de sagas arrasta. Este filme permitiria que cada elemento novo pudesse ter um papel importante no filme, enquanto os originais passam a tocha para a nova geração Star Wars. O enredo poderia ser semelhante ao de um filme do Kurosawa — zero Ewoks ou academias Jedi, e o gajo da Girls morria, para aí, na terceira cena.
Mas como este mundo é extremamente injusto, o novo Star Wars vai provavelmente combinar os aspectos mais decepcionantes dos cenários 1 e 2, causando tristeza. Boa sorte, JJ Abrams!
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