Saúde

Entrei na menopausa aos 30 anos

Secura vaginal, pouco tesão, calor e níveis hormonais de uma senhora.
MS
Traduzido por Marina Schnoor
Madalena Maltez
Traduzido por Madalena Maltez
5.4.18
Foto: Sonja Lekovic/ Sotcksy

Acordo no escuro ensopada de suor. Não é algo pouco familiar, pois lembro disso acontecer no passado quando voltei para casa do hospital depois de ter minha filha. Minhas roupas estão molhadas nos pontos onde a umidade atravessou.

Mais cedo naquele dia, eu estava carregando a roupa lavada para o segundo andar e tive que amarrar o cabelo no alto da cabeça para o meu pescoço secar. É verão, digo para mim mesma. Só estou com calor. Marcas de suor se formaram na frente da minha regata, embaixo dos meus seios. Limpo a umidade dos meus lábios, e fico surpresa em ver, no termostato, que está fazendo só 20 graus. Mas o ar está sufocante. Provavelmente seria assim que minha mãe descreveria a menopausa.

A questão é que só tenho 31 anos.

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Ignoro os sintomas por meses como coisa do pós-parto – sem pensar muito que já faz dois anos que tive um filho. Foi quando também notei que minha ansiedade tinha piorado e o sexo era diferente com meu marido. Eu estava com pouco desejo e sentia uma fricção que beirava a dor. Comecei a imaginar se tinha mais alguma coisa acontecendo comigo, e admiti isso para uma amiga. Contei a ela como recentemente estava me vendo totalmente suada de short e regata ao lado de pessoas completamente confortáveis de jeans e camiseta. Ela sugeriu que eu procurasse meu ginecologista, porque podia ser um problema hormonal. Admiti que parecia uma alternativa melhor do que meus próprios autodiagnósticos de excesso de aquecimento pelo peso da gravidez que eu não conseguia perder. Pensando se a coisa toda não era exagero – sério, e se ele só me dissesse que eu precisava perder peso? – procurei meu médico na semana seguinte.



Ele fez várias perguntas sobre tontura, libido baixa, ansiedade, problemas para dormir e dores de cabeça. Confirmei que estava experimentando a maioria desses sintomas. Ele queria fazer exames de sangue para ter certeza, mas me diagnosticou ali mesmo com perimenopausa, a transição entre os anos em que você pode engravidar e a menopausa, o que geralmente acontece na faixa dos 40.

Eu não podia dizer que estava surpresa, porque precisei de uma doadora de óvulos para ter minha filha. Em 2013, passei por três tratamentos de fertilização in vitro, cada um acabando com um punhado de embriões que não vingaram (o que você não quer quando está pagando uma baita grana por uma chance de ter um filho). Descobri mais tarde que há exames de sangue que podem mostrar a diminuição da qualidade dos óvulos, similar ao que acontece com uma mulher de 40 e poucos anos – mas, na época, eu tinha 27. Trocamos de clínicas e meu novo médico especialista em fertilidade, mesmo sendo ótimo, ainda tinha o mesmo foco em me engravidar, em vez de me ajudar a descobrir meus problemas de saúde. Ninguém nunca mencionou os problemas de longo prazo ligados a minha baixa qualidade de óvulos. Sendo justa, também nunca investiguei isso; eu estava desesperada para ter um filho.

Naquele dia no consultório do ginecologista, ouvindo o diagnóstico de perimenopausa, fiquei pensando como não percebi isso antes – como não entendi que precisar de uma doadora de óvulos era só o começo dos problemas de saúde que se seguiram. Na verdade, meu obstetra me disse que eu provavelmente estava em perimenopausa desde o nascimento da minha filha – e meus sintomas estavam piorando.

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Segundo a Sociedade Norte Americana de Menopausa, perimenopausa é uma diminuição gradual do estrogênio, mas isso pode flutuar, às vezes estando em níveis mais altos que outros. A redução do estrogênio pode causar diminuição do desejo sexual, secura vaginal, ondas de calor e suores noturnos – tudo que eu estava experimentando.

Por que ninguém nas clínicas de fertilidade disse que isso podia acontecer?

Saí do consultório com uma guia de exames de sangue e planos de tratamento rodando minha mente: terapia de reposição hormonal, anticoncepcionais, adesivos de estrogênio. Eu tomaria hormônios até os 50 anos, quando oficialmente passaria para a menopausa – algo com que eu não estava particularmente empolgada, porque quem quer tomar hormônios pelos próximos vinte anos?

Claro, era uma alternativa melhor do que ficar perpetuamente com estrogênio baixo, o que pode levar a coisas como osteoporose e doenças cardíacas. Pensar em tudo isso me sobrecarregou, e chorei no caminho todo para casa. Por que ninguém nas clínicas de fertilidade disse que isso podia acontecer? Pelo menos eu estaria esperando e poderia trabalhar nisso. Mas ninguém me falou sobre a possibilidade do meu sistema reprodutivo acelerar para os 50 anos antes mesmo de eu fazer 40.



É difícil me sentir sexy sabendo que tenho os níveis hormonais de uma idosa

Faz uns sete meses desde aquela consulta. Tentei três meses de anticoncepcionais e agora estou usando adesivos de estrogênio para ver se funcionam melhor que a pílula. Ainda acordo ensopada de suor algumas noites, e aprendi que se uso mais que um lençol, pago com um pijama molhado. Tomo remédio para ansiedade e ainda não ficou determinado se isso causou os problemas hormonais. Meu marido e eu usamos cada vez mais lubrificante por causa da secura vaginal das mudanças de estrogênio. E com tudo isso, é difícil me sentir sexy sabendo que tenho os níveis hormonais de uma idosa.

Ainda estou tentando decidir onde quero ir com tratamentos para um diagnóstico que ainda não entendo completamente. Perimenopausa não é um tema muito falado, especialmente quando ocorre nos anos de suposta fertilidade. A questão é, como em muitas outras condições médicas, eu tinha de ser minha própria defensora.

“Acho que se alguém é diagnosticada com menopausa precoce ou perimenopausa, se a pessoa não está vendo um especialista em menopausa, deveria, porque há muita desinformação”, aconselha Streicher. “Se te disseram que você tem perimenopausa e você está preocupada, ou sente que não está recebendo informação suficiente, você precisa procurar alguém que é especialista no assunto.”

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