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música

Exclusivo! Portugal entranhou-se no som dos Foreign Poetry e deu-lhe uma luz intensa

Podes pensar nos The National, nos Alt-J, ou nos Future Islands. Podes. Só que, nesta dupla austro-britânica que edita pela Pataca Discos, há algo diferente, multicultural, lisboeta, "lusitaniamente" contemporâneo.

Por Sérgio Felizardo
25 Maio 2018, 3:03pm

Há na matriz melódica dos Foreign Poetry alguma coisa que nos transmite uma sensação de insatisfação, de busca contínua por algo que está mesmo ali à nossa frente, mas que não conseguimos agarrar. Se calhar é simplesmente porque o disco da dupla constituída por Danny Geffin (inglês a residir em Brighton, também membro dos Geffin Brothers) e Moritz Kerschbaumer (austríaco a viver em Londres e que tocou com Luís Nunes, quando o músico português ainda se apresentava em palcos britânicos como Walter Benjamin) foi gravado parcialmente em Lisboa, nos estúdios da Pataca Discos, e porque, de alguma forma há neste segundo avanço para Grace and Error in The Edge of Now, uma brisa melancólica por entre uma dimensão sonora claramente mais up-tempo, dinâmica e até, porque não dizê-lo, dançável.

É o cliché da melancolia portuguesa, dirão alguns. Pois, sim e não. Não estou a dizer que "se sente aqui fado", ou "uma tristeza saudosista". Nada disso. É algo menos óbvio. Mais sensorial. "MHL" (cujo vídeo, realizado pelo colectivo austríaco Apparat Lux, podes ver acima) é uma canção de campo aberto, de espaço, que respira, mas que, ao mesmo tempo nos faz olhar para o que somos enquanto pessoas a viver no Planeta Terra em 2018 e, com isso, nos faz sentir mais pequeninos, mais sobrecarregados por um peso gigantesco.

Política, a tecnologia que nos absorve, a velocidade imparável do quotidiano e o seu impacto na humanidade, a disseminação da informação, as alterações da nossa consciência enquanto seres globais. Enfim. isto está tudo fodido e esta é a vida como a vivemos agora, neste instante. A verdade é essa e não o podes negar.

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Foreign Poetry. Foto cortesia Apparat Lux

E se isto é claro em "MHL", canção em que Luis "Benjamim" Nunes é o responsável pela bateria e percussão, Danny Geffin explica-nos o que podemos esperar das restantes 10 canções do álbum: "É uma tentativa bastante sincera de nos lembrar coisas muito simples e humanas que tendemos a esquecer e é também um alerta para a contínua perda de sentido e propósito como consequência do caos aberto e globalizado em que vivemos. Se este é o melhor momento para estarmos vivos, então porque é que não parece?

Não parece, porque nos dispersamos por tanta coisa, que não nos fixamos em nada. Precisamos de tempo, de parar para observar. Para evitar o óbvio. “Com estes paradigmas regidos pela cadeia da Internet, toda a gente procura as respostas certas para as perguntas erradas, todos querem saber coisas, em vez de sentirem o que sabem que está certo", diz Geffin. Pois bem, o que aqui nos é pedido é simples: permite-te parar durante três minutos e 52 segundos e deixa que "MHL" te leve para onde os teus sentidos quiserem. Depois conta-nos, adorávamos saber e os Foreign Poetry também.


A estreia ao vivo dos Foreign Poetry em Portugal acontece dia 7 de Junho, no NOS Primavera Sound, no Porto. Antes, a 30 de Maio apresentam-se no Two Tribes Brewery, em Londres.

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