Food by VICE

Quantas ostras tens que comer para ficares com tesão? Investigámos

Aparentemente, se comer uma certa quantidade, fico muito, muito excitada.

Por Laura Roscioli; Traduzido por Sérgio Felizardo
28 Junho 2019, 11:59am

Todas as fotos por Celeste De Clario.

Este artigo foi originalmente publicado na VICE Austrália.

Há algumas semanas, tive um encontro com um tipo muito bonito que não gostava de frutos do mar. Pedi uma dúzia de ostras e quando ele educadamente recusou provar, senti-me uma sortuda e comecei a comer enquanto ele olhava para mim, meio enojado meio chocado, até eu finalmente reparar na expressão dele. “O que foi?”, perguntei, ainda a mastigar. “Sabes que as ostras dão tesão, certo?”, respondeu-me.

Revirei os olhos e decidi que, provavelmente, não iria para a cama com ele. Mas, depois fiquei a pensar se haveria alguma verdade nessa história. Mais tarde naquela noite, depois de ter dispensado o date, fui para casa e procurei no Google “ostras dão tesão?”, mas não encontrei nada conclusivo. Descobri que as ostras têm muito zinco, o que ajuda à produção de testosterona e aumenta a libido tanto em homens como em mulheres, mas, para além disso, muita da literatura científica sobre o assunto parecia muito pouco científica.

Portanto, em nome da ciência verdadeira, decidi fazer uma dieta de ostras durante uma semana. O plano era comer um número cada vez maior de ostras todos os dias ao almoço, aumentando exponencialmente o meu consumo durante a semana. Fora isso, tentei viver normalmente enquanto fazia um diário da minha libido, esperando descobrir se há mesmo uma correlação entre ostras e tesão – e, se sim, quantas ostras eram necessárias para me deixar em modo "trepar pelas paredes".

1561387384669-IMG_0497
Todas as fotos por Celeste De Clario

Segunda-feira: uma ostra

Comecei com uma ostra, que foi inadequada tanto para saciar a minha fome como para aumentar o meu desejo sexual. Trabalho todas as noites num bar cheio de gatinhos que cheiram a Tom Ford e usam sapatos caros, portanto fui trabalhar como sempre, mas não senti nada. Claro que namorisquei um pouco – como sempre acontece – ,mas acho que estava mais interessada nos sapatos que nos homens.

Uma adenda: descobri que o primeiro registo de ostras e tesão remonta ao Imperador romano Aulo Vitélio, que supostamente consumiu umas mil e 200 ostras num banquete no ano 69 d.C. Fixe. No entanto, foi o famoso garanhão Giacomo Casanova que realmente deu força ao mito das ostras. Segundo o seu diário, Casanova comia uma dúzia de ostras ao pequeno-almoço especificamente por causa do seu efeito afrodisíaco. Escreveu até sobre usar ostras como um jogo de sedução: “Coloquei a concha nos lábios dela e, depois de algumas risadas, ela chupou a ostra e segurou-a entre os lábios. Recuperei-a instantaneamente colocando os meus lábios nos dela...”.

1561388204379-IMG_0372

Terça-feira: duas ostras

A terça-feira estava nublada e escura e o meu humor estava péssimo. Sentia-me mal-humorada e hormonal, portanto fui a um bar de vinhos comer ostras e beber. O tipo atrás do balcão deu-me o número dele, o que me pareceu ir contra as regras. Podes fazer isso no teu local de trabalho? Em todo caso, senti-me melhor quando me fui embora, mesmo não sabendo exactamente o que melhorou o meu humor: o álcool, o número de telefone do barman ou as duas ostras.

Naquela noite, fui ao aniversário de uma amiga e beijei uma antiga paixão. Ainda frequentamos os mesmos círculos, mas eu andava a evitá-la, pelo que o encontro não foi planeado. Acabámos de uma forma bastante desagradável e nunca mais tinha pensando nela de uma maneira sexual. Mas adivinha? Tivemos sexo ao estilo "odeio-te, mas és tão boa e eu estou cheia de tesão". Porque é que o fiz? Sabia que ia acabar em drama, mas fi-lo ainda assim. Posso culpar as ostras?

1561387580069-solo-champagne-day-three

Quarta-feira: quatro ostras

Comecei o dia a conversar com Emily Currie, nutricionista-chefe da RDNS Clinic, em Adelaide, Austrália. Emily acha que a associação entre desejo e ostras depende muito do teu humor e que os efeitos farmacológicos são improváveis. “A associação da comida tem um grande impacto”, diz. E acrescenta: “O valor, sabor, textura, aparência e status dae um determinado alimento na tua cabeça afectam qualquer potencial desejo que sentires”.

Emily levanta alguns pontos excelentes... porque, obviamente, ostras parecem vaginas. Dobras macias de carne salgada ao redor de pérolas são uma comparação fácil – combinado com o facto de que as ostras são caras. São todos benefícios que projecto nas ostras, o que talvez as tornem excitantes.

1561388364889-oyster-shucking-2

“Saboreamos alimentos caros quando vemos valor e status neles”, explica Emily. E justifica: “E se saboreamos um alimento e tiramos um tempo, a experiência é aumentada e portanto mais prazerosa”.

Com isso em mente, fui a um bar de vinhos saborear as minhas quatro ostras e beber champanhe. Admito que me estava a sentir muito bem. Não com tesão; só num clima que exigia champanhe e um bom livro. Mas, depois um tipo por quem há muito tinha um crush passou por lá por acaso. Convidei-o para se sentar e, num golpe do destino, ele não tinha planos. Portanto, embebedámo-nos.

Naturalmente, acabámos por nos enrolar e eu estava completamente excitada... mas não pinámos. Eu queria, mas foi uma daquelas noites em que, simplesmente, não aconteceu. Uma chatice!

1561387634695-eating-at-the-market-day-4

Quinta-feira: oito ostras

Fui ao Queen Vic Markets e comi uma bandeja de ostras sozinha. As ostras estavam deliciosas. Frescas e suculentas, mas, honestamente, não me ajudaram com a ressaca. Voltei para casa e considerei brevemente sexo como uma cura/distração, mas não estava com muita vontade. Definitivamente, este foi o dia mais decepcionante.

1561387687349-favourite-photo-article-photo_

Sexta-feira: 16 ostras

O que notei até agora é que as ostras funcionam de formas diferentes de acordo com o teu humor. Nos dias optimistas, as ostras parecem dar à vida uma subtil aura de desejo, mas em dias de merda as ostras só me trazem prazer culinário e não conseguem fazer-me sentir sensual.

A sexta-feira caiu na última categoria. Comecei num bar com uma dose de bebida e 16 ostras, depois olhei à volta e vi-me rodeada de homens. E todos homens que eu conhecia, mas não tinha convidado nenhum deles. Simplesmente... apareceram. Todavia, limitei-me a olhar para eles, depois para o meu prato de conchas vazias e não senti nada. Nenhum calor entre as pernas, nenhuma vontade de beijar o rosto de alguém, nenhum arrepio pelo corpo. E, naquele momento, decidi que os efeitos medicinais das ostras dependem de emoções pré-existentes e são bastante ineficazes por si só.

1561387733456-drinking-coffee-before-oysters-any-day

Sábado: 32 ostras

Não tomei pequeno-almoço, o que significa que a primeira coisa que comi nesse dia foram 32 ostras. Sim, isso mesmo. Trinta e duas. Comi as ostras num jardim e, sinceramente, senti-me meio enjoada. As ostras estavam agressivamente frescas; talvez demasiado frescas. Precisava de outra coisa para tirar o sabor a água do mar da boca e tive mesmo que me deitar depois de as comer. Mas então, enquanto fazia uma sexta, algo inesperado aconteceu: fiquei incrivelmente excitada.

1561387770220-day-7-oyster-juice-on-chin

Tive vários sonhos eróticos infundidos com ostras. Estava nua num deserto, enrolada com alguém – não me lembro quem – e a pessoa dizia-me que eu sabia a ostras. Acordei da sesta pronta para me divertir.

Trabalhei outro turno no bar, onde consegui dois números de telefone e mais tarde finalmente fui para a cama com um gajo por quem tinha um crush há que tempos (o de quarta-feira). Uau. OBRIGADO, FADA DAS OSTRAS! Quer dizer, este tipo estava na minha cabeça há tanto tempo e deu tudo certo em apenas alguns dias – o que não pode ser coincidência. Foi o melhor sexo em meses e senti-me exausta, satisfeita e livre.

1561387968472-IMG_0920

Domingo: muitas ostras, mas não 64 porque fiquei enjoada

Mais uma vez, acordei excitada. Na verdade, deitada na cama a recordar os dias anteriores, decidi que provavelmente estive mais excitada que o normal a semana inteira. Passei todos os dias a pensar em ostras e no seu conteúdo nutricional, o que me fazia pensar no meu corpo, que por sua vez me fazia pensar em sexo – o que significou que pensei em sexo mais que o normal. No geral, acho que as ostras me deixaram mais directa em situações onde queria que o sexo acontecesse, o que levou a mais sexo.

Domingo, por exemplo. Comecei por comer uma montanha de ostras, mas fiquei enjoada e desisti. Estava com mais tesão que fome, portanto saí, bebi alguns copos e acabei em casa do mesmo tipo da noite anterior.


Vê o primeiro episódio da segunda temporada de "Slutever"


É difícil medir a média de sexo que faço numa semana, porque não estou numa relação, portanto varia muito. Fiz sexo três vezes com duas pessoas diferentes durante a Semana das Ostras, o que não é nenhum recorde. Definitivamente já pinei com mais pessoas anteriormente. Dito isto, o desafio não era ver quanto sexo fazia, mas quão excitada me sentia no geral – o que agora, pensando bem, é uma experiência cruel para fazeres a ti própria. E realmente funcionou. Fiquei com muita tesão na maioria dos dias.

Na realidade, acho que as ostras podem ser um afrodisíaco subtil, desde que comas muitas. Qualquer coisa abaixo de 10 é perda de tempo. Qualquer coisa acima de 16 é ir na direcção certa. Mas, se comes 32 e estás de bom humor, é melhor teres alguém pronto para ir para a cama contigo.


Segue a Laura no Instagram.

Segue a Celeste De Clario no Instagram.

Segue a VICE Portugal no Facebook, no Twitter e no Instagram.

Vê mais vídeos, documentários e reportagens em VICE VÍDEO.