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Meti um palito de plástico no braço para não engravidar

E acabei com o meu desejo sexual.

Por Mariana Lopes
30 Janeiro 2014, 4:18pm



Há coisa de quatro anos dei por mim numa consulta de planeamento familiar com um médico a enfiar-me um pedaço de plástico de 4 cm no braço. Para os que não estão familiarizados com o objecto, o Implanon é um implante contraceptivo, tipo um piercing subcutâneo, que liberta etonogestrel e inibe a ovulação. Para mim, depois de ter tido más experiências com a pílula em comprimidos e adesivos, a perspectiva de usar um contraceptivo que dura três anos e que não exige que tenha de tomar um comprimido ou trocar um adesivo todos os dias era maravilhosa. Mais, fui avisada da possibilidade de nem sequer ter o período, o que realmente aconteceu durante dois anos. Ouro sobre azul, pensei. Adeus Evax, Tampax, OB e sucedâneos. Mais dinheiro para as coisas que realmente importam, tipo, cigarros.

Ainda por cima eu achava imensa piada ao facto de ter aquilo no braço. Mostrava a toda a gente a novidade, dava uma pinta do caraças (na verdade a maior parte das pessoas ficava incomodada ao ver aquilo e pedia-me para baixar a manga imediatamente). O pior veio uns meses depois. Porque as gajas caem sempre na conversa dos médicos e ginecologistas que dizem que estarmos a enfiar hormonas no nosso corpo para impedir algo que nos é natural — fabricar óvulos pra engravidarmos e propagarmos a espécie — não tem problema nenhum. Supostamente aquele testamento de contra indicações assustadoras apresentado nos folhetos só afecta uma percentagem absurdamente pequena das pessoas. As consequências mais comuns são: inchar as mamas (o que é fixe) e engordar uns dez quilos (o que pode ser fixe dependendo para que lado dá o teu distúrbio alimentar).



Com o tempo, comecei a ter uma falta de interesse generalizada em certas actividades específicas: as sexuais. O que é preocupante para uma miúda saudável de 23 anos. Para além de que, aquela fase de turbulência emocional que antecedia o período se tornou completamente aleatória, dado a falta do mesmo. Ou seja, tornei-me uma desequilibrada emocional que não gosta de sexo. O que vale é que tinha um namorado compreensivo e se esforçava de vez em quando. Tal sorte não teve a minha amiga Joaquina (nome fictício, não sei se deu para perceber) que ficou três anos (sim, TRÊS anos), sem qualquer tipo de acção. Ou a Cátia Sofia que, apesar de ter uma relação estável, se viu a braços com o problema da falta de interesse sexual antes de fazer 20 anos de casada.

O problema começou a escalar para a minha pele — senti-me uma adolescente novamente —, e no terceiro ano comecei a ter outra vez uma espécie de período mais nojento e aleatório. Foi com alívio que ao final de três anos pedi a minha ginecologista e duas estagiárias fazerem-me um corte e escarafuncharem-me o braço com uma pinça para tirar o pedaço de plástico com pedaços de carne agarrados – aparentemente já se encontrava em estado de fusão com o meu braço. Escusado será dizer que, apesar da insistência da fofa da minha médica, não quis repetir a experiência. A partir de então: preservativos sempre, hormonas em palitos nunca mais.

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