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Grande novidade: trampar na firma tá te matando lentamente

Novos dados da Organização Mundial de Saúde alertam que, pra não morrer na frente do computador, você vai ter que se coçar.
MS
Traduzido por Marina Schnoor
3.8.16
Um moribundo (foto via Wikipédia).

Esta matéria foi publicada originalmente na VICE UK.

Chegando ao escritório, aquele lugar com a pior iluminação que você já viu na Terra, enquanto você puxa sua cadeira ergonômica, se ajeita contra o corino vagabundo, olha para o teclado, fecha os olhos por alguns segundos antes de respirar fundo e digitar a senha da sua máquina, seria uma boa lembrar que você está morrendo a velocidade impressionante.

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Não apenas morrendo de morte normal, como naqueles filmes nos quais alguém é atropelado ou fica com câncer e tal. Digo morrendo mesmo, numa história na qual todo dia a imobilidade e monotonia estática da sua vida queimam o bom senso das suas células sanguíneas até que você seja uma linguiça podre cheia de carne de porco, só esperando ser mastigada pelos dentes sujos de um caminhão velho.

A Organização Mundial da Saúde, da qual só ouvimos falar quando o status de alguma epidemia global passa de amarelo (ai não) para vermelho (sério, gente, não peguem gripe suína), afirmou que você precisa de pelo menos uma hora de exercício por dia para compensar os danos gigantescos da sua jornada de trabalho no escritório. O risco de morrer depois de sentar a bunda por oito horas por dia — um tempo chocante para se ficar sentado, honestamente — aumenta suas chances de morrer em quase 10%, em comparação com 6,8% de quem tem sorte de trabalhar sentado só quatro horas por dia.

Nossa preguiça irresponsável não está apenas prejudicando nosso corpo, não. Está fodendo com a economia. A publicação médica The Lancet informou que as pessoas que não estão correndo por aí o suficiente custam £51 bilhões [cerca de R$ 220 bilhões] para e economia global em tratamento médico e perda de produtividade.

LEIA: Quem roubou a Jornada de Trabalho de Quatro Horas?

"Você não precisa fazer nenhum esporte, não precisa ir para a academia", disse o professor Ulf Ekelung, um dos autores do estudo. "Tudo bem fazer uma caminhada leve, talvez pela manhã, durante o almoço ou depois do jantar. Você pode fazer o exercício em parcelas durante o dia, mas tem que ser pelo menos uma hora". Mas como eu posso andar para qualquer lugar se tenho um monte de trabalho para entregar? Esse trabalho que nunca será lembrado, que ninguém vai saber que fui eu que fiz, que talvez seja esquecido uma semana depois de completado. Vou andar até o café pra ter minha dose diária de dor de estômago, mas você não vai me fazer estender minha vida sem sentido com "caminhadas leves", Organização Mundial de Saúde.

O problema de uma notícia assim é que ninguém vai dar a mínima. "Ficar sentado oito horas por dia pode te matar, né?", vão dizer por aí. "Foda, não quero morrer. Mas meu expediente e ambiente de trabalho foram construídos arbitrariamente para que eu cumpra minhas tarefas, então, mesmo que isso esteja literalmente desacelerando meu coração, vou continuar a seguir esses estilo de vida até minha medula espinhal virar piche e eu ter um ataque cardíaco na minha mesa, enquanto tento jogar Candy Crush Saga entre uma tabela fútil e outra, chorando pela minha saúde perdida antes de poder me arrastar até a saída, quando até o próprio sol morreu e tudo o que resta é uma escuridão sem fim, até ao metrô, onde vou ter que lutar para conseguir um assento mesmo que os médicos digam que fico sentado por uma dose fatal de tempo. Que pena." Espero ser enterrado com uma cópia embalada a vácuo do Microsoft Word no meu caixão, que vai ser em formato de L por causa da porra da minha lordose. Ah, doce descanso eterno!

@joe_bish

Tradução: Marina Schnoor

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