Tabacarias Clandestinas de Cuba

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Até Cubanos

Tabacarias Clandestinas de Cuba

Fabricando charutos ilegalmente em Cuba.
12.8.15

Foto: Gabriel Uchida

Nas ruas de Havana um homem se aproxima e fala baixo: "Tenho Cohiba, Partagas…". Para quem não conhece é como se estivesse recebendo uma proposta para venda de drogas, mas o que o sujeito oferece é, na verdade, charuto. A cena é frequente. Dificilmente um turista vai sair de Cuba sem ser cantado por uma prostituta e sem que lhe ofereçam tabaco ao pé do ouvido. O problema é que o produto oferecido não vem das fábricas, ou seja, é ilegal.

Foto: Gabriel Uchida

Na busca por um tabaqueiro clandestino fui levado até um conjunto de prédios residenciais no bairro Nuevo Vedado. Um senhor de 48 anos aceitou mostrar o processo de fabricação do charuto desde que ninguém fosse identificado - só poderia fotografar mãos e materiais. Imaginei que encontraria uma garagem escura ou um lugar escondido, mas me levaram para um apartamento normal, mais arrumado e com melhor mobília do que todas as casas que conheci anteriormente no país. Neste lugar o sujeito vivia com a esposa e os dois filhos. O irmão também estava na casa, e foi só eu levantar a câmera um pouco que ele já me tocou o ombro e lembrou "mais para baixo". Enquanto o charuto era montado ali na pequena mesa no canto da sala, todos conversavam, alguns fumavam e outros bebiam rum.

Foto: Gabriel Uchida

"O tabaco está no sangue, meu pai trabalhou na fábrica e dos quatro irmãos, três são tabaqueiros", disse o homem, enquanto escolhia as folhas do fumo. Contou também que começou há 17 anos após fazer um curso de nove meses. Reforçou, ainda, que o que era produzido ali era exatamente igual ao que fazia na fábrica, inclusive com os mesmos materiais e adesivos de identificação - que disse comprar nas ruas. Segundo ele, o processo de todas as marcas é igual, o que muda são apenas alguns ingredientes, e por isso, pode fabricar qualquer tipo de fumo ali em sua casa. O grande lance é que um tabaqueiro regular ganha em média 90 reais por mês, o que varia de acordo com a quantidade fabricada e o tanto que for rejeitado pelo controle de qualidade, e produzindo em casa ele demora menos de uma hora para completar uma caixa de 25 unidades que custa este mesmo valor.

Foto: Gabriel Uchida

De fato, após a revolução, todos tem trabalho no país. O problema para o povo são os salários pagos pelo governo, que estão muito abaixo do que se pode conseguir com outras ocupações e são suficientes apenas para o consumo básico do dia-a-dia. O tabaqueiro questiona: "Trabalho todo dia na fábrica e em casa, mas se não tivesse essa renda extra, como iria comprar um tênis para meu filho menor ir à escola?".

Assim funciona a fábrica clandestina dos típicos charutos cubanos:

Foto: Gabriel Uchida

Foto: Gabriel Uchida

Foto: Gabriel Uchida

Foto: Gabriel Uchida

Foto: Gabriel Uchida

Foto: Gabriel Uchida

Foto: Gabriel Uchida

Foto: Gabriel Uchida

Foto: Gabriel Uchida