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cenas

Entrevistei um daqueles gajos que nega o Holocausto

Mas este também faz bustos em cerâmica do Hitler.
19.3.13

O entrevistado a usar um lacinho. O Charles Krafft é um artista plástico que tem andado nas notícias pelas piores razões: cerâmica nazi. O Charles faz bustos do Hitler, frascos de perfume com suásticas e pratos que ilustram bombardeamentos durante a Segunda Grande Guerra. Já lhe chamaram de tudo, claro: supremacista branco, nazi, negador do Holocausto, etc. Mas isto continua a ser arte. Certo? Não é a primeira vez que um artista brinca com este tipo de simbolismo polémico de forma a abrir um diálogo fácil, e polarizado, sobre certos eventos contemporâneos, mas as alegadas ligações do Krafft a grupos de extrema-direita tornaram a sua obra em algo de genuinamente ofensivo para muitas pessoas. Quis conversar com ele para tentar descobrir se o Krafft é o Mel Gibson ou o Ali G do mundo da arte. VICE: Como é que descreverias a arte que fazes?
Charles Krafft: Confrontacional e cómica. É uma comédia negra. Interessa-me a cerâmica não-funcional. O que é que te atraiu originalmente para este ofício?
Olhando para outras peças não vês nenhum tipo de desafio, nenhuma referência à época em que vivemos. É como se fosse tudo do século XVIII: vaquinhas e moinhos. Quis actualizar a cerâmica, virar o conceito do prato do avesso. Pintar momentos que mudaram as nossas vidas. Estou a ver.
Queria que tivessem o aspecto de peças que a tua avó pudesse ter em casa, mas que, ao mesmo tempo, arriscasse um duplo sentido. Comecei nos pratos, depois passei para armas e por aí fora. Mas muito do teu trabalho tem uma certa conotação nacionalista, certo?
Sim, gosto do conceito de nacionalismo por oposição ao da globalização. Interessa-me o nacionalismo pré-Grande Guerra. Todo o nacionalismo pós-1945 foi diabolizado. Se leres literatura nacionalista pré-guerra vês que não é tão má como as pessoas dizem. Pretendo re-examinar a história dos movimentos intelectuais pré-1945. Havia muitos intelectuais de direita, hoje em dia são todos de esquerda. Achas que a direita foi injustiçada, então? Presumo que sejas uma pessoa de direita.
Sim, julgo que sim. Foi diabolizada. Já não é possível ter uma visão imparcial. E não, sinto que estou para lá do paradigma. Não quero que me encaixem em nenhum dos lados. Mas sim, simpatizo com a direita. Acredito realmente que os comunistas estavam a tentar subverter este país, nos anos 50. O McCarthy foi muito criticado, mas tinha uma certa razão. Mas as pessoas acusam-te de ser uma daquelas pessoas que nega a existência do Holocausto.
Estive num fórum online de extrema-direita e fiz um podcast para eles. Mas puseram palavras na minha boca. Sou da opinião que se deve re-examinar os dados que temos, mas é um tema demasiado tabu. Não entendo porquê, mas é. Há pelo menos um nazi, Valerian Trifa, cujo nome deveria ser limpo. Sou um protestante branco, é algo que herdei. Portanto, és mais um revisionista do que um negador puro e duro?
Sou um protestante branco, é algo que herdei. Não devia haver tabus sobre nada. Algumas das provas históricas estão erradas, mas aparece sempre um judeu a queixar-se. A verdade deveria sobrepor-se sempre aos sentimentos das pessoas. Cresçam. Sei que isto é polémico, mas não sou um neo-nazi. Uso a imagética nazi de forma irónica, é um arquétipo do mal. A suástica é apenas mais um elemento da cultura popular. E onde é que entram os teus bules do Charles Manson e do Hitler?
Ia fazer uma exposição no Reino Unido e pensei: bules. Os britânicos adoram chá. E aquelas coisas feitas de esqueletos humanos?
Queria criar uma espécie de porcelana humana, uma maneira de imortalizar as pessoas. Pensei que pudesse ser comercializado, publiquei anúncios em revistas funerárias e tudo. Mas não tive muitos interessados. Os meus pais transformaram-se em fogo de artifício, depois de mortos, por isso pensei que pudesse haver outras pessoas interessadas em acabar num prato. Pois, parece que não.