​Da meta fiscal frouxa às lágrimas de Cunha, o resumo da política da semana passada

Como não tem semana sem emoção na política brasileira, o melhor ficou para o final dela, com a renúncia de Eduardo Cunha (PMDB-RJ) à presidência da Câmara dos Deputados nesta quinta (7). Com cheiro de manobra política para evitar a sua cassação, o deputado afastado pelo STF abriu um Deus nos acuda no Congresso, numa disputa ferrenha para ocupar o mandato-tampão até fevereiro de 2017. Os líderes dos partidos tentaram adiantar a votação para o novo presidente, que deve ocorrer em até cinco sessões da Câmara, para a próxima terça-feira, atropelando a decisão inicial do presidente interino Waldir Maranhão (PP-MA). No fim das contas, num gesto final de resistência, Maranhão acabou mandando recolher as urnas onde ocorreria a votação e avisou que vai ficar tudo pra quinta-feira sim.Tudo indica que vai ser sofrido, com dois turnos, uma vez que já chegaram a cinco o número de candidatos ao cargo, e devem vir mais por aí.

Enquanto todo mundo se descabelava na esteira da saída de Cunha, o Executivo dava duas jogadas especiais na política econômica. Após uma longa discussão, resolveu ampliar mais ainda o cheque especial da dívida nacional e anunciou para 2017 uma meta fiscal de déficit de R$ 140 bilhões, mostrando que o impeachment vai resolver automaticamente todos os problemas do equilíbrio das contas do governo – a própria base aliada do governo interino chamou a meta de “ousada”, enquanto o ministro da Fazenda Henrique Meirelles ainda não descartou aumento de impostos. Na tentativa de poupar mais, apesar do aumento dos servidores públicos, o ministro da Casa Civil Eliseu Padilha anunciou na quinta que o governo vai fazer uma devassa na Previdência, fiscalizando os recebimentos de auxílio-doença, aposentadorias por invalidez e outras mumunhas, esperando poupar R$ 6,9 bilhões ainda neste ano.

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Falando em pato a ser pago, nesta sexta (8) o presidente da Confederação Nacional de Indústrias declarou, após duas horas de reunião com o presidente interino Michel Temer, que o país precisa de reformas trabalhistas e na Previdência, citando, para horror do trabalhador brasileiro, a mudança francesa para jornadas de trabalho de até 80 horas semanais – a ideia lhe pareceu tão boa que resvalou na hipérbole, uma vez que a nova jornada francesa chega apenas a 60 horas semanais.

Apesar da ousadia na hora de tratar com o trabalhador e a dívida pública, Temer voltou a voltar atrás nesta semana, ao desanunciar a indicação do PSC para a presidência da Funai. O partido de Feliciano e Bolsonaro indicou o general Sergio Peternelli, saudoso da Gloriosa, para o cargo, e foi recebido com uma saraivada de críticas por indigenistas de diferentes matizes. Outro revés do Planalto foi a interrupção da distribuição ampla de passaportes diplomáticos pelo Itamaraty de Serra, que entregou uma azulzinha especial na última semana para o pastor R.R. Soares, que foi revogada pela Justiça de São Paulo.

Como crime e política seguem de mãos dadas por essas bandas, não podemos esquecer da tentacular Lava Jato, que nesta semana descobriu a existência de um banco “secreto” panamenho operando no Brasil numa esquema pesado de lavagem de dinheiro em parceria com a Mossack “Panama Papers” Fonseca. Ainda assim, não foi uma semana só de sorrisos para a operação mais “pega ladrão” da República, que teve dois delegados afastados das investigações, o que fez muita gente especular que talvez tais agentes fossem responsáveis pelos casos de vazamento da Turma do Moro.

As pré-campanhas municipais vão esquentando. No Rio de Janeiro, Marcelo Freixo (PSOL) reuniu a esquerda mais gratidão no pré-lançamento da sua candidatura, com direito a sacolinha para doação, e pode se complicar com a Justiça Eleitoral – uma punição justa por chamar Gregório Duvivier para contar piadinhas no palco, convenhamos. Já em São Paulo o papa-tudo João Doria (PSDB) contou mais uma vez com as benesses do apoio do padrinho Geraldo Alckmin e fechou acordo como o PP, afastando a descontrolada do Delegado Olim da disputa e arrecadando mais uns minutinhos de TV. Já Luiza Erundina (PSOL), provando que a esquerda gosta mesmo é de perder, descartou formar uma chapa com a Rede (concorrente do seu gestado partido Raiz) para a disputa municipal e disse que, se não for chamada para os debates na TV, vai debater de caminhão na rua. Fala que eu te escuto, tia.

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