A Keila Alaver é uma artista plástica paranaense que já expôs em algumas das galerias mais legais de São Paulo. A obra dela tem uma pegada conceitual que a gente curte, mas sobre a qual ela não gosta muito de ficar dando explicações.
A Keila Alaver é uma artista plástica paranaense que já expôs em algumas das galerias mais legais de São Paulo. A obra dela tem uma pegada conceitual que a gente curte, mas sobre a qual ela não gosta muito de ficar dando explicações. Normal, artista é assim: entende o que quiser quem quiser, mesmo sem nada pra entender, e toca aí, pós-moderno. Só que um trabalho dela em especial acabou chamando mais a nossa atenção. São os doces em formatos, ahn, sugestivos, que fazem parte de um projeto chamado ‘Hummm’ e foram confeccionados para a exposição coletiva É Claro Que Você Sabe do que Estou Falando.
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Se eles melam a boca? Sim. Se a chocolatada preta é realmente melhor que a branca? Não sabemos. A gente tinha mais um monte de perguntas adolescentes como essas pra fazer quando ligamos pra ela, mas a Keila foi tão adulta nas respostas que ficamos praticamente estáticos de tanta vergonha e resolvemos nos deter numa explicação mais geral da ideia, processo e recepção do público. Fique sabendo que ela não planeja outra edição das mesmas guloseimas, mas teve a ideia de mandar fazer sorvetes. Fálicos? “Ah, acho que tudo que você coloca na boca e é gostoso pode insinuar.” Segue:
"Eu já pensava em fazer uns mock-ups de coisas comestíveis, mas nada a ver com sexo. Aí fui convidada a participar dessa exposição coletiva com o tema 'sexo' e pensei nos doces porque queria pegar mais o sensível. Aí fiz e resolvi apresentar para as pessoas."
"Comprei os moldes naquelas lojas de vela, sabe? Do tipo das que tem no centro? Eram toscos, mas aí eu trabalhava nas forminhas, fazia umas rendinhas tipo calcinha… A confecção do doce não demorava muito, o que levava mais tempo era essa decoração que eu fazia. Meu trabalho é super detalhista"
"Tinha o chocolate branco, o preto e o cor de pele. O povo achou super legal porque eram doces super gostosos, feitos por uma confeitaria famosa de São Paulo, da avó de uma amiga. Todas as receitas eram de lá. Tinha uma coisa meio de performance também, que era a venda. No primeiro dia vendeu bastante, mas por causa de uma amiga que ajudou. Eu não era uma vendedora muito boa. Tanto que pedi pra fazer mais. Acho que foram uns 200 no total."
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"A dona [da confeitaria] achou que ia ficar meio complicado fazer tudo na confeitaria, que ia atrapalhar o trabalho dos outros funcionários, então a gente teve que fazer tudo em casa. Pegava os ingredientes na loja e, com uma ajudante, fazia tudo na minha casa."
"Tinham uns porquinhos, também. Eram uns doces japoneses."
"Fiz dedos de chocolate, meio que parecendo aqueles pirulitos."
"Tinha toda uma construção, um pensamento estético."
"Não acho que tenha ficado uma coisa sexual demais. Ficou mais irônico, mais divertido. Não tem porque fazer de novo. Só refaço se alguém ficar muito interessado. Inclusive agora tem uns sorvetes que eu quero fazer, mas que só tive a ideia depois."Imagens: Cortesia