Fotografias do maior centro naturista de França

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Fotografias do maior centro naturista de França

Em meados do século XX, um terreno deserto transformou-se no destino de férias de um grupo de naturistas franceses.
14.9.15

Este artigo foi originalmente publicado na VICE França.

Pouco antes da década de 50, no sudoeste francês, uma área deserta transformou-se no destino de férias de um grupo de naturistas franceses. Nestes 24 hectares de terra queimada não havia mais que areia e uma ou outra árvore carbonizada.

Nunca se falou realmente sobre o que aconteceu ali: se foi um incêndio, ou se aquele lugar foi vítima da política de terra queimada da Segunda Guerra Mundial, durante a qual se destruía tudo o que pudesse ser útil ao inimigo. No entanto, este lugar foi o escolhido por Albert e Christine Lecoq, para construir o centro Héliomarin de Montalivet-Les Bains (CHM) e, assim, formar a Federação Naturista Internacional.

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Hoje em dia, o camping naturista CHM é o maior centro de naturismo de França e todos os anos atrai milhares de visitantes de todo o Mundo. O fotógrafo francês Hervé Szydlowski visitou as suas instalações entre o Verão de 1999 e 2011 para, por um lado, fotografar os que visitam esta lugar há anos e, por outro, tentar encontrar o que ele descreve como "o paraíso perdido". Perguntei-lhe algumas coisas sobre a sua série fotográfica, que foi apresentada num livro publicado em 2012 pela editora Michel Husson e novamente publicada em forma de mapa, intitulado 33_Montalivet, em 2015.


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VICE: Fala-me um pouco da época dourada do Centro Hélio-Marin?
Hervé Szydlowski: O Centro foi construído em 1950, mas tornou-se verdadeiramente popular nos anos 70. No início estava dividido em diferentes sectores com algumas cabanas. No entanto, o seu tamanho triplicou e agora tem uns 200 hectares. Nessa altura as pessoas tinham mais férias que agora, o Verão ia até Setembro. Desde o seu auge, o clube acolheu mais de 20 mil pessoas. Os naturistas vinham de toda Europa: Alemanha, Holanda, Suiça e Inglaterra, era incrível. Não vivi essa época, mas falaram-me muito nela. O Centro baseava-se no sentido de comunidade: quando alguém ficava com uma cabana transformava-se em accionista do camping. E foi assim até 2002.

E depois, o que é que aconteceu?
Algumas pessoas compraram as acções de proprietários antigos. Depois voltaram a vendê-las e não se lembraram de que também estavam a vender a pequena localidade. Transformou-se numa verdadeira empresa. As pessoas que ficaram com o Centro nem sequer eram naturistas. Por isso, o espírito do lugar mudou muito, não era o mesmo. Foi preciso esperar 10 anos, durante os quais andou de dono em dono, para poder recuperar o seu verdadeiro sentido.

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Nos anos 70 existia em França algum outro centro como este? Como explicas a popularidade deste lugar?
Não, na verdade não existiam muitos centros assim. Este tinha um encanto especial e um bom ambiente. Ainda prevalece um ambiente muito familiar com diferentes gerações e, de vez em quando, podemos ver os filhos e os netos dos pioneiros do naturismo. Às vezes, depois de passar vários anos a visitar o Centro é possível que queiras viver outras coisas e outras experiências, mas terás sempre vontade de voltar. Este sítio é como um lar.

Há pouco tempo vi que os utilizadores do Centro se queixavam da ligação wifi.
Sim, é complicado. No meu bairro não há luz e não nos importamos nada de iluminar as nossas casas com velas. Não é o wifi que incomoda, são as antenas. Actualmente, é muito difícil viver com os valores ecológicos e biológicos naturistas.

Há mais de 12 anos que visitas este lugar. Continuas a vê-lo da mesma forma?
Desde um ponto de vista objectivo, sei que este lugar representa algo que já quase não existe. Algumas das pessoas que vinham regularmente deixaram de fazê-lo, porque as reformas diminuíram e as taxas anuais aumentaram. Por isso, ultimamente, há cada vez menos pessoas de idade, que são as que gostaria de fotografar. Não são as mesmas, mas na verdade. Também mudei a minha perspectiva e por isso quero renovar o meu trabalho.

A que se dedicam os naturistas que vão a este Centro?
Podes encontrar todas as classes sociais e profissões: há professores, agricultores, advogados e até padres. O que é interesante é que não podemos saber nada sobre o outro até falar com ele. Não existe nenhum indicador de riqueza ou estilo. Estamos todos juntos e podemos falar sem nos preocuparmos com o nível intelectual, ou económico. Mas de forma geral, o naturismo atrai as pessoas que são abertas a qualquer tipo de situação.

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Hoje em dia o lugar é mais comercial que antes, não é visitado apenas por naturistas. Também podes encontrar nudistas (que são as pessoas que se despem, porque querem bronzear-se, mas que não têm necessariamente valores naturistas). A população do Centro é muito heterogénea.