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Especialistas dizem que o sangue de jovens pode ser um elixir anti-envelhecimento

Não é vampirismo, nem sequer uma tentativa de comprovar uma lenda urbana. A investigação científica em curso tem como objectivo último a prevenção de doenças neurológicas derivadas do envelhecimento.

Por Becky Ferreira
21 Novembro 2016, 10:32am

Este artigo foi originalmente publicado na nossa plataforma Motherboard.

A ideia de que o sangue de uma pessoa jovem possui propriedades mágicas que travam o envelhecimento, é um dos temas recorrentes mais sublimes das lendas populares e das histórias de terror. Existem até relatos de vários casos reais ao longo da história.

Um dos mais recentes é o da Condensa Elizabeth Bathory, uma assassina de origem húngara, de quem se diz que tomava banho em sangue de jovens virgens. O mito perpetuou-se através de uma infinidade de personagens de características vampíricas, que colhem sangue de jovens humanos como complemento da sua dieta ou, simplesmente, para realçarem a sua beleza. O empresário Peter Thiel, por exemplo, manifestou publicamente o desejo de se injectar com o precioso fluído vital para prolongar a sua própria vida.

Pois bem, ao que parece, esta ideia pode, afinal, não ser assim tão descabida. Pelo menos é o que se depreende da conferência "Young Blood for Old Brains", recentemente apresentada pelo professor de neurologia, Tony Wyss-Coray. Na apresentação, Wyss-Coray explica as descobertas que ele e a sua equipa fizeram ao longo de anos de investigação sobre os efeitos da transfusão de sangue entre distintos exemplares de roedores de várias idades.

A conferência está disponível na íntegra para visionamento (podes encontrá-la aqui abaixo), mas aconselha-se cautela a pessoas mais sensíveis, já que durante a mesma há algumas imagens de experiências em ratos de uma técnica chamada "Parabiosis", que podem ser perturbadoras.

"De forma geral, o que fazemos é emparelhar um rato de três meses, que seria o equivalente a um humano de 20 anos, com outro de 18 meses, 65 anos em idade humana", explica o neurologista na sua apresentação. E acrescenta: "Deixamo-los juntos durante cinco semanas e depois analisamos aspectos como as possíveis alterações moleculares, subcelulares, celulares, etc".

Não há dúvida de que esta prática parece saída de uma qualquer história de magia satânica... ou da mente de um cientista louco. De facto, defensores dos direitos dos animais já vieram mesmo a público criticar duramente a investigação, devido ao que dizem ser a prática de actos cruéis com efeitos prejudiciais para os animais.

Ainda assim, apesar da controvérsia, a técnica é utilizada há cerca de 150 anos e os resultados observados parecem sugerir que, efectivamente, partilhar sangue com um indivíduo jovem poderá ter efeitos benéficos para a saúde de pessoas de idade mais avançada. A investigação comprova que, no cérebro de roedores de mais idade que partilham o sistema circulatório com exemplares mais jovens, produz-se um aumento da actividade sináptica, da neurogénese e da plasticidade cerebral.

No entanto, desconhecem-se os mecanismos pelos quais os efeitos se produzem, sendo que vários grupos científicos continuam a investigação para a aplicação em humanos. Enquanto co-director do Centro de Investigação da Doença de Alzheimer da Universidade de Stanford e director adjunto do Centro de Investigação de Regeneração, Reparação e Restauração de Tecidos Biológicos, Wyss-Coray mostra-se particularmente interessado em conseguir controlar o poder oculto do sangue jovem, para prevenir o aparecimento de doenças neurológicas relacionadas com o envelhecimento.

Com esse objectivo, o especialista já começou a tratar pacientes com alzheimer, através de infusões de plasma obtido a partir de doações de sangue de jovens. De acordo com a revista Science, os primeiros resultados deverão chegar nos próximos meses.

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