Saúde

Mais de 100 casos de coronavírus na Coreia do Sul foram atribuídos a uma saída à noite de um homem

As autoridades estão a tentar rastrear 11 mil pessoas que podem ter sido expostas, para evitar uma segunda vaga de infecções.

Por David Gilbert
18 Maio 2020, 2:48pm

Desinfecção das ruas como precaução contra o novo coronavírus em Seul, Coreia do Sul, Terça-feira 12 de Maio de 2020. (Im Hwa-young/Yonhap via AP)

Este artigo foi publicado originalmente na VICE US.

Parecia estar tudo sob controlo na Coreia do Sul. As infecções e mortes por coronavírus estavam a baixar e a economia do país estava, lentamente, a reabrir.

Até que, a 1 de Maio, um homem de 29 anos visitou cinco bares em Itaewon, um dos distritos de vida nocturna mais populares de Seul.

Na Quarta-feira passada, o homem testou positivo para coronavírus e, agora, as autoridades estão, freneticamente, a tentar rastrear 11 mil pessoas que podem ter sido expostas, numa tentativa desesperada de evitar uma segunda vaga de infecções de COVID-19.

Na Quinta-feira passada, o Centro de Controlo e Prevenção de Doenças da Coreia (CCPDC) confirmou que já tinha identificado 102 infecções relacionadas com os bares em que o homem tinha estado, mas está a pedir que qualquer pessoa que tenha estado naquela zona na noite de 1 de Maio ou na madrugada de 2 de Maio faça o teste.

Segundo as autoridades, 73 dos casos tinham visitado a área de Itaewon naquela noite, enquanto outras 29 pessoas foram contaminadas através de contacto com aqueles que estiveram na zona. Ainda não há relatos de infecções terciárias.

O CCPDC está a investigar a janela de tempo entre 24 de Abril, quando os negócios em Itaewon começaram a reabrir e 2 de Maio, quando os sintomas começaram a aparecer.

Os oficiais municipais tentaram, inicialmente, rastrear as pessoas que visitaram os bares em questão através dos registos de entrada dos bares. Mas o método tornou-se ineficaz porque alguns dos nomes dados eram falsos.

Um motivo para essa informação falsa nos registos é que, pelo menos um dos bares visitados pelo homem é destinado a um público LGBT. Apesar da atitude em relação à homossexualidade ter melhorado na Coreia do Sul nos últimos anos, o país ainda é altamente conservador e o sentimento homofóbico ainda é muito comum.

Na cobertura dos media quanto ao facto de um dos bares visitados pelo homem ter sido um clube gay, as pessoas encheram as redes sociais com comentários anti-gay, culpando o homem e as outras pessoas no clube por colocarem em perigo a luta do país contra a pandemia.

Na Terça-feira, a Amnistia Internacional criticou a cobertura de alguns meios de comunicação sobre o incidente, dizendo que “despertar o ódio e marcar um certo grupo é o maior obstáculo para a prevenção eficaz de uma doença”.

Agora, o governo coreano está a oferecer testes anónimos numa tentativa de garantir que aqueles que visitaram os bares se apresentam.

Em Fevereiro, a Coreia do Sul tornou-se um dos primeiros países (sem contar com a China) a sofrer um pico significativo nas infecções e, através de uma abordagem de rastreamento social e testes em massa, o país conseguiu controlar a taxa de contágio. Mas, este último pico nos casos mostra como é difícil controlar a propagação do vírus quando as medidas de lockdown são levantadas.

As autoridades de Seul estão agora a usar outros métodos para rastrear possíveis infecções.

Através dos dados de localização das operadoras de rede móvel, o Presidente da Câmara de Seul, Park Won Soon, diz que a cidade conseguiu uma lista de 10.905 pessoas que visitaram a zona em questão. As pessoas identificadas receberam uma mensagem de texto em inglês e em coreano a pedir que visitem um laboratório de testes.

A cidade também recolheu dados dos cartões de crédito de quase 500 pessoas que estiveram na zona durante o período investigado.

Segundo as autoridades, até agora houve 7 mil pessoas a entrarem em contacto, que já foram testadas.


Segue a VICE Portugal no Facebook, no Twitter e no Instagram.

Vê mais vídeos, documentários e reportagens em VICE VÍDEO.

Tagged:
pandemia
Coreia do Sul
quarentena
COVID-19