Rolou repressão no 2º ato do MPL em 2018
Manifestantes do MPL durante o 2º ato contra ao aumento da passagem em SP. Foto: Luiza Calagian/Pavio
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Rolou repressão no 2º ato do MPL em 2018

O Movimento Passe Livre diz ter reunido 2 mil pessoas no segundo ato contra o aumento da passagem em São Paulo.

Na última quarta-feira (17), o Movimento Passe Livre (MPL) reuniu manifestantes na região do Largo da Batata, Zona Oeste, para o segundo ato contra o aumento da passagem em São Paulo. A marcha que, que teve sua concentração às 17h, pretendia seguir até a casa do prefeito João Doria (PSDB), nos Jardins, para dizer ao gestor que “quatro reais não dá”. O ato, no entanto, teve que mudar seu rumo diante da barreira feita pela Polícia Militar. A manifestação se concentrou entre as avenidas Brigadeiro Faria Lima e Cidade Jardim.

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Antes da saída do ato, a PM tentou interferir no trajeto, propondo que os manifestantes utilizassem a calçada da avenida Faria Lima. “Vocês têm três minutos para se organizarem ou vamos agir”, informou o comando da Polícia Militar. Foto: Vanessa Nicolav/Pavio

Durante a campanha para prefeitura de São Paulo, Dória chegou a afirmar que a tarifa do transporte público não aumentaria em sua gestão. Depois de uma reunião com o governador Geraldo Alckmin no final de 2017 para acertar o reajuste, o prefeito voltou atrás sobre a promessa de campanha ao dizer que a afirmação “foi fruto de uma única entrevista, confusa e improvisada, que gerou mal entendidos”.

O MPL diz ter reunido dois mil manifestantes no ato. Bem menor, a estimativa da GCM (Guarda Civil Metropolitana), aponta que cerca de 420 pessoas participaram da manifestação.

O cerco policial impediu que os manifestantes chegassem à casa do prefeito João Doria. Foto: Vanessa Nicolav/Pavio

Por volta das 20h, a marcha do MPL ocupou a avenida Faria Lima tendo como destino final o Largo da Batata. Depois do fim do ato, com a já tradicional catracada, quando uma réplica de catraca é queimada, foi feita uma barricada na Faria Lima. Registros dão conta de que dois bancos da região foram depredados. Em nota, a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo (SSP) informou que três menores foram apreendidos “com camisetas pretas nos rostos e portavam pedaços de madeira e pedras, no interior de mochilas, utilizados na ação”.

O fotojornalista Caio Castor, que participa da agência de videorreportagem Pavio responsável pelas fotos desta matéria, afirma ter tido seu equipamento quebrado e confiscado pela PM — é possível ver trechos do momento em um vídeo que circula nas redes sociais. A ação dos policiais teria ocorrido na Rua Eugênio de Medeiros, próxima à estação Pinheiros do Metrô, após o final da marcha.

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De acordo com o MPL, 2 mil pessoas participaram do protesto. A GCM fala em 420. Foto: José Eduardo/Pavio

À VICE, Castor informou que a polícia “viu que eu estava filmando a ação [de repressão contra manifestantes]”. O fotojornalista continua: “Pegaram meu monopé e bateram no chão. Pegaram a câmera da minha mão e jogaram no chão. Eles levaram o monopé, o microfone e a câmera.”

O fotógrafo, no entanto, ainda não prestou queixa oficialmente. A reportagem da VICE entrou em contato com a SSP que informou, por meio de nota, que "a Polícia Militar instaurou uma investigação preliminar que vai apurar a conduta dos policiais envolvidos na abordagem realizada ao fotógrafo Caio Castor durante manifestação realizada na tarde desta quarta-feira (17), bem como outras denúncias que surgirem no transcorrer das investigações".

O terceiro ato do MPL está marcado para a próxima terça-feira, dia 23.

Mais fotos do ato abaixo:

O Movimento Passe Livre organizou um debate sobre “direito à cidade” antes da manifestação. Foto: Vanessa Nicolav/Pavio

Em São Paulo, o aumento da passagem saltou de R$ 3,80 para R$ 4 em todas as modalidades de transporte público. Foto: Vanessa Nicolav/Pavio

Um manifestante é detido após tentar pular as catracas da estação Pinheiros do metrô. Foto: José Eduardo/Pavio

Manifestante é detido por policiais militares. Foto: José Eduardo/Pavio

Desde 2013, o Movimento Passe Livre passou por diversas mudanças e houve uma intensa rotatividade de integrantes. Hoje, o movimento está ainda mais jovem. Foto: Vanessa Nicolav/Pavio

Ente os manifestantes que adotaram a tática black bloc, muitas mulheres. Foto: Vanessa Nicolav/Pavio

Policiais militares revistaram diversas pessoas que passavam pelas ruas próximas à manifestação. Foto: Vanessa Nicolav/Pavio

O ato foi encerrado no Largo da Batata, onde o MPL anunciou que a próxima manifestação será no dia 23 de janeiro. Foto: Luiza Calagian/Pavio

Após o final do ato, um grupo de manifestantes decidiu sair do Largo da Batata e seguir até a estação Pinheiros para um “catracaço”. Foto: Vanessa Nicolav/Pavio

No caminho, vidraças de duas agências bancárias foram quebradas. Foto: Luiza Calagian/Pavio

Prática adotada por grupos de manifestantes após os atos contra aumento da passagem, o “catracaço” ocorre quando diversas pessoas se unem e pulam as catracas sem pagar pela passagem. Foto: Vanessa Nicolav/Pavio

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