cinema

"Na Fronteira", uma história de humanidade, minorias e realidades paralelas

O filme de Ali Abbasi conquistou Cannes e estreia esta semana em Portugal.
05 March 2019, 9:09am

Na Fronteira (Border, no original), produção sueca de Ali Abbasi, realizador nascido no Irão, estreia em Portugal no próximo dia 7 de Março, via Cinema Bold e em exclusivo nos Cinemas UCI do Corte Inglés, em Lisboa, e Arrábida Shopping, no Porto. O filme, que foi uma das grandes surpresas do Festival de Cannes em 2018, ao conquistar o prémio principal a mostra paralela Un Certain Regard, estará disponível em DVD e VOD a partir do dia 14 (há ainda uma sessão especial em Lisboa no dia 8 e estamos a oferecer convites no nosso Facebook).

"Na Fronteira é, sobretudo, uma história de amor em que Tina tem de escolher quem quer ser”, explica o realizador do filme num comunicado de imprensa. Tina, a personagem central deste filme tão misterioso quanto comovente, é uma guarda fronteiriça que tem um dom único para identificar traficantes. Ela é especial, não só fisicamente, mas também por esse sentido tão único, capaz de ler quem lhe aparece à frente por aquilo que a pessoa, realmente, é.

Até ao dia - porque chega sempre o dia em que o fácil se torna difícil - em que conhece um homem, de aspecto suspeito, com quem o seu sentido apurado não funciona. Por mais que se esforce, não consegue compreender o que esta pessoa esconde. Ao tentar descobrir, Tina perde-se na sua aura, fica obcecada pelo seu ser e por esse desejo incontrolável de o compreender. Intoxicada pela sua nova obsessão, não consegue parar de o vasculhar e, como quem procura sempre encontra, Tina depara-se com muito mais do que aquilo que alguma vez tinha imaginado, esbarrando de caras com revelações avassaladoras sobre a humanidade e sobre si própria. Nesta jornada de aventuras e desvendar de mistérios constantes, o filme ensina-nos mais sobre o que é ser humano, trazendo à flor da pele do espectador a impotência das minorias e o quão avassaladora a realidade pode chegar a ser.

O filme de Abbasi é baseado num conto de John Ajvide e assenta numa narrativa sombria e alucinada, que acontece nesse ponto mágico em que a realidade se cruza com o conto de fadas e, num universo paralelo ao nosso, se desperta tanto amor como conflito. “Em vez do drama pessoal dos meus próprios problemas, gosto de experimentar os meus pensamentos e impulsos através de outro corpo, num mundo distinto do meu”, explica Abbasi. E salienta: “Também considero que há algo interessante em cortar a ligação com a parte pessoal e em, simplesmente, criar arte”.

O realizador - cujo passado está ligado à literatura, com vários contos publicados em persa e que em 2002 viajou para a Europa, acabando por se estabelecer em Estocolmo, na Suécia, para estudar Arquitectura e, mais tarde, realização na Escola Nacional de Cinema da Dinamarca - descreve esta sua mais recente obra como uma mistura de géneros: “Interessa-me olhar para a sociedade através de uma lente de um universo paralelo e os géneros cinematográficos são o veículo ideal para tal”. E é por isso que é tão difícil compartimentalizar Na Fronteira num só género, tal é a mistura e equilíbrio de diferentes elementos numa narrativa tão fluída e coerente - tão difícil, aliás, como descrevê-lo no seu todo. Mas, afinal de contas, o fantástico é sempre mais poderoso quando não é posto em palavras.


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