Desde de quinta-feira retrasada, as ruas do Líbano estão estremecendo com o barulho e movimento de protestos enormes. Quase quatro milhões de pessoas se uniram na revolta contra os baixos padrões de vida, aumento do desemprego, corrupção e pobreza desenfreadas e a má gestão generalizada do país. Segundo o Banco Mundial, mais de um quarto da população do Líbano vive agora abaixo da linha da pobreza. A fotógrafa iraniana Tamara Abdul Hadi e o fotógrafo libanês Roy Saada saíram às ruas da capital Beirute para retratar a atmosfera dos protestos, que exigem a remoção de todo o sistema político sob o slogan: “Tudo significa tudo”.
“A energia nas ruas é eletrizante e esperançosa, sem falar que isso deveria ter acontecido há tempos”, Abdul Hadi e Saada disseram a VICE Arábia. “Pessoas de todas as idades, pais com os filhos, universitário e avós, o povo do Líbano está tomando as ruas para protestar contra a corrupção e impostos – pedindo a queda do regime – sem partidos políticos ou filiações sectárias. Pela primeira vez na história moderna do Líbano, as pessoas deixaram diferenças religiosas e políticas de lado para exigir a responsabilização dos políticos.”
Saque mais imagens dos dois fotógrafos abaixo:
Pessoas protestando em Jal el Dib, uma cidade libanesa na província do Monte Líbano, em 23 de outubro.
Durante uma das muitas tentativas do exército libanês de abrir as estradas bloqueadas pelos manifestantes, uma mulher corre para os soldados e cai de joelhos numa oração. Jal el Dib, 23 de outubro.
Manifestantes mostraram sua união com o exército libanês entregando rosas para para os soldados. Jal el Dib, 23 de outubro.
Os protestos que começaram em 17 de outubro continuam fortes apesar da chuva. Jal El Dib, 23 de outubro.
"Revolução", "saia": algumas das pichações nos muros de Beirute. 19 de outubro.
Manifestantes num dos muitos canteiros de obra da cidade, tentando conseguir uma vista melhor dos protestos. Beirute, 19 de outubro.
Mulheres têm um papel crucial em manter os protestos pacíficos. Um grupo organizado de mulheres forma uma barreira entre o exército e os manifestantes. Beirute, 19 de outubro.
Muitos homens e mulheres em motos rodam a cidade como um ato de desobediência. Beirute, 19 de outubro.
Manifestante com a pintura do Coringa no centro da cidade. Beirute, 19 de outubro.
Um autorretrato num dos prédios mais vandalizados do centro da cidade, símbolo do controle capitalista e das elites da maior parte do centro. Beirute, 19 de outubro.
Um manifestante com pintura do Coringa passa por uma fogueira no centro de Beirute. 19 de outubro.
Matéria originalmente publicada na VICE Arábia.
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Tradução do inglês por Marina Schnoor.
