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Pesquisadores descobriram por que você não consegue ficar muito tempo sem pedir pizza

Comer é equiparável à vício, diz pesquisa.
MS
Traduzido por Marina Schnoor
31.8.17
Foto via Flickr Caitlin Regan

Esta matéria foi originalmente publicada no Munchies .

Opiáceos não são de todo ruim. Claro, os sintéticos usados recreativamente podem ser altamente letais e estão causando uma epidemia de overdoses na América do Norte — e além —, mas aqueles produzidos naturalmente pelo nosso corpo tornam a vida maravilhosa, inundando nosso sistema nervoso com prazer quando ouvimos música, transamos e — como sabemos agora — comemos pizza.

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Parece até engraçado, mas agora tem ciência cerebral do Centro Turku PET da Finlândia que te ajuda a entender melhor aquele impulso de comer outro pedaço mesmo quando você já está cheio.

Segundo uma matéria recente intitulada "Alimentação libera opiáceos endógenos em humanos", publicada no The Journal of Neuroscience, comer libera "significativamente" opiáceos no cérebro. Não é uma descoberta lá muito inovadora, mas o estudo se torna mais interessante quando eles introduzem a pizza no cardápio.

Os participantes foram injetados com um composto radioativo que se liga aos receptores de opiáceos no cérebro, tornando os níveis de opiáceos indutores de prazer mensuráveis através da câmera do aparelho de tomografia. A radioatividade era medida depois de três estágios: depois de um jejum noturno, de uma bebida sem gosto nutritiva e, finalmente, de comer uma pizza. Mas não qualquer pizza.

A equipe de pesquisadores especificou que uma pizza "deliciosa" foi selecionada para induzir a liberação de opiáceos no cérebro — e funcionou. Depois de juntar mais alguns dados de tomografia, a equipe do Turku descobriu que "comer uma pizza deliciosa leva a um aumento significativo das sensações de prazer", ao contrário da bebida nutricional, que não teve o mesmo efeito. OK, a descoberta não é exatamente um choque de realidade em nossas vidas.

Mas o que surpreendeu os pesquisadores aqui foi que mais opiáceos eram liberados durante o consumo da bebida nutritiva do que durante o consumo da pizza, sugerindo que se alimentar desencadeia a liberação de opiáceos "mesmo na ausência do prazer subjetivo associado à alimentação". Em outras palavras, comer libera opiáceos (como a endorfina), não importa quão "deliciosa" seja a comida. Isso pode parecer uma questão de semântica, mas pode ter um grande impacto no estudo de transtornos alimentares.

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Gráfico cortesia do Centro Turku.

"Foi uma surpresa que endorfinas sejam liberadas no cérebro inteiro e que a bebida nutritiva tenha um impacto maior", disse o pesquisador Jetro Tuulari numa declaração à imprensa. "Isso cria uma base para pesquisas futuras e, espera-se, vai ajudar a encontrar maneiras de estudar e descrever o desenvolvimento e preditores do vício, obesidade e transtornos alimentares."

"O sistema opiáceo regula a alimentação e o apetite, e descobrimos anteriormente que suas disfunções são uma marca registrada da obesidade mórbida", acrescentou a coautora Lauri Nummenmaa. "Os resultados atuais sugerem que comer demais pode estar continuamente estimulando o sistema de opiáceos, portanto contribuindo diretamente para o desenvolvimento da obesidade. Essas descobertas abrem novas oportunidades para o tratamento de obesidade."

Se desligar os receptores de opiáceos pode fazer você parar de gostar da sua música favorita, então talvez faça o mesmo com a pizza.

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