Photo Issue

O auge da fotografia do absurdo nestas imagens imprevisíveis

Sem montagem, Zhongjia Sun e "Toilet Paper" partilharam os seus trabalhos na nossa edição anual impressa dedicada à fotografia.

Por Zhongjia Sun, MAURIZIO CATTELAN, e Pierpaolo Ferrari
31 Agosto 2017, 6:00am

Foto por Toilet Paper

Para a nossa edição de 2017 dedicada à fotografia , falámos com 16 fotógrafas em ascensão - entre elas as brasileiras Isa Lanave e Luisa Dörr - e perguntámos que fotógrafos as inspiraram a entrar para o meio. Depois, abordámos os seus "ídolos" para saber se eles estavam interessados em publicar trabalhos na mesma edição. O que nos deram, estamos em crer, cria um diálogo único sobre a linha de influência entre jovens artistas e fotógrafos com uma carreira mais estabelecida. Este artigo apresenta uma entrevista de Zhongjia Sun aos seus ídolos, Maurizio Cattelan e Pierpaolo Ferrari, da "Toilet Paper", bem como uma explicação do corpo de trabalho de cada um.

Zhongjia Sun é uma artista plástica, recentemente formada pela Parson School of Design com mestrado em fotografia. Sun auto-publica uma revista chamada Common Common. O seu trabalho já apareceu na ORDINARY Magazine, Anti-Bad Magazine e iGNANT e já expôs em Nova Iorque e Filadélfia, além de na Bienal de Fotos Chiangmai 2017, na Tailândia.

Por sua vez, os italianos Maurizio Cattelan e Pierpaolo Ferrari trabalham juntos desde 2009. Em 2010, fundaram a Toilet Paper, uma revista nascida da paixão de ambos por fazerem imagens estranhas e divertidas. Nos últimos anos, também já foram responsáveis por várias capas incríveis para a VICE e são conhecidos por criarem fotos que fundem o vernáculo da fotografia comercial com surrealismo.

Foto por Zhongjia Sun
Foto por Toilet Paper
Foto por Toilet Paper
Foto por Toilet Paper

Zhongjia Sun: O que é que "natureza morta" significa para vocês?
Toilet Paper: É um oxímoro, tipo "morto-vivo", ou "mentiras verdadeiras". Adoro que nessas duas palavras consigas perceber como a nossa linguagem e a natureza humana são ambíguas e têm duas faces. Isso está muito mais ligado à realidade do que imaginas.

Como é que desenvolvem uma sessão de fotos? Qual é a percentagem de planeamento e improviso no vosso processo de trabalho?
Um set da Toilet Paper é como uma orgia. É difícil saber quem está a fazer o quê com quem. Qualquer sessão de fotos é resultado de uma longa cadeia de eventos e tão imprevisível como um telefone sem fios. Provavelmente, é essa a parte mais difícil de trabalhar connosco, porque nunca sabes o que esperar até estarmos a fotografar, que é o momento em que óptimas ideias começam a saltar tipo sapos num lago — imprevisíveis, incontáveis e nem sempre bonitos. A menos que os beijes.

Já reparei que há uma edição [da Toilet Paper] que é só de imagens verticais. Outras eram só de imagens horizontais. O que levou a que começassem a publicar imagens na vertical?
Muitas vezes a resposta certa é a mais simples. Colaborámos com a revista Zeit ao longo de um ano, em que publicámos uma imagem da Toilet Paper nas páginas deles uma vez por semana... e adivinha? A revista deles é vertical!

O que pensam das actuais tendências em fotografia?
Acho que, hoje em dia, é preciso cada vez mais e mais coragem para se ser original; o "novo" geralmente chega apenas por azar. Os trabalhos mais interessantes que tenho visto são aqueles em que vês uma luta inacabada, em que podes vislumbrar um mistério profundo, um segredo. Num mundo superpovoado de imagens rápidas e de fácil consumo, é difícil diferenciar o que é arte boa do que não é. Toda a gente anda a tentar produzir algo que dure mais que dois segundos na mente dos outros. Ao fim e ao cabo, todos desejamos ser eternos.

Foto por Zhongjia Sun
Foto por Toilet Paper
Foto por Zhongjia Sun
Foto por Zhongjia Sun
Foto por Toilet Paper
Foto por Toilet Paper
Foto por Toilet Paper
Foto por Toilet Paper