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Cultura

Protestos contra os cortes na educação paralisaram o Brasil

As manifestações foram convocadas por alunos e professores do ensino público e aconteceram em mais de 200 cidades do país.

Por Marie Declercq
16 Maio 2019, 8:51pm

Estudantes reuniram-se na Candelária na cidade do Rio de Janeiro. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil.

Este artigo foi originalmente publicado na VICE Brasil.

Esta quarta-feira, 16 de Maio, foi marcada por mobilizações populares desde o início da manhã em mais de 200 cidades do Brasil contra o bloqueio de verbas da educação anunciado pelo Ministério da Educação. As manifestações foram organizadas por professores, alunos, movimentos sociais e estudantis e sindicatos e tiveram amplo apoio da população.

A forte mobilização de alunos, professores e de parte da população brasileira começou no dia 30 de aAbril quando o ministro da Educação, Abraham Weintraub, anunciou que três universidades, federais teriam cortes de 30 por cento no orçamento do governo.

Numa entrevista, Weintraub afirmou que a Universidade de Brasília (UnB), a Universidade Federal Fluminense (UFF) e a Universidade Federal da Bahia (UFBA) tiveram 30 por cento da verba bloqueada por promoverem “balbúrdia” e “bagunça” dentro dos campus. Prontamente a declaração do ministro gerou repercussão negativa e, em resposta, o MEC anunciou que os recursos bloqueados se estenderiam àa todas as universidades e institutos federais.

O bloqueio de 30 por cento nas verbas da educação federal engloba mais de 60 universidades e 38 institutos no país, totalizando um corte de 1,7 mil milhões de reais [mais de 380 milhões de euros] dos gastos das universidades. Segundo o MEC, o corte incide sobre despesas não obrigatórias, que incluem gastos com água, luz, obras, terceirizados, equipamentos e realização de investigação. A justificação do ministro é que a arrecadação de impostos está abaixo do previsto e, por isso, foi necessário efectuar os cortes.

Na manhã de hoje, em Dallas, nos Estados Unidos, Bolsonaro declarou que os manifestantes contra os cortes são “idiotas úteis” e “massa de manobra”. O presidente regressou aos EUA para receber o prémio de “Personalidade do Ano”, organizado pela Câmara de Comércio Americana-Brasileira, e encontrou-se com o ex-presidente norte-americano, George Bush, porém não foi recebido pelo mayor de Dallas, o democrata Mike Rawlings.

Os protestos em São Paulo ocorreram pacificamente, sem qualquer intervenção da polícia. Os alunos da USP começaram o dia com uma mobilização que interditou uma via na zona oeste. Na parte da tarde, milhares de manifestantes ocuparam a Avenida Paulista e caminharam pacificamente até à Assembleia Legislativa. A manifestação terminou por volta das 19h30. Segundo a Central Única dos Trabalhadores, estiveram presentes 250 mil pessoas. A Polícia Militar não divulgou números.

No Rio de Janeiro os manifestantes reuniram-se na Candelária, interditando vias próximas. Após a manifestação, um autocarro foi incendiado e alguns participantes dispararam foguetes, tendo a PMRJ respondido com gás lacrimogéneo. Não houve feridos. Em quase todos os estados brasileiros, universidades federais entraram em greve contra os cortes na educação.

Os cortes afectam milhões de brasileiros que, em resposta foram às ruas para protestar contra as medidas de austeridade e impopulares do governo Bolsonaro. Nas ruas, partidos políticos da oposição, movimentos estudantis e/ou sociais, anarquistas e diversas entidades reuniram-se contra os cortes na educação e também contra outras reformas defendidas pelo governo, como a reforma da Previdência. Segundo os líderes de vários movimentos, está prevista mais uma paralisação para o dia 30 de Maio.


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