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Cientistas detectaram uma anomalia debaixo da maior cratera da Lua

Um objecto cinco vezes maior que a Big Island do Hawaii está embutido debaixo de uma cratera na face oculta da Lua.

Por Becky Ferreira
12 Junho 2019, 12:38pm

A Lua, por Heather Smithers.

Este artigo foi originalmente publicado na Motherboard - Tech by VICE.

Um pedaço gigante de um material pesado detectado sob a maior cratera da Lua, pode ser o que resta de um antigo asteróide ou de um oceano de magma solidificado, garante um estudo recente da Geophysical Research Letters. A anomalia recém-descoberta é cerca de cinco vezes mais massiva que a Big Island do Hawaii, garante o autor principal do estudo, Peter B. James, professor assistente de geofísica planetária na Baylor University em Waco, Texas, EUA.

"Tivemos que resguardar esta descoberta durante alguns anos, enquanto fazíamos as devidas diligência para garantir que o resultado fosse robusto, por isso é um alívio poder, finalmente, partilhar o artigo finalizado!", explica James à Motherboard por e-mail.

A massa está a quase 320 quilómetros abaixo da superfície da bacia do Polo Sul-Aitken (SPA na sigla em inglês), que é uma das maiores crateras conhecidas do sistema solar. Estendendo-se por mais de 2.400 quilómetros ao longo da face oculta da Lua - equivalente a pouco menos da distância entre Lisboa e Berlim, por exemplo - estima-se que a bacia do SPA tenha sido formada há cerca de quatro mil milhões de anos por uma rocha espacial de 160 quilómetros de largura, que chocou contra a jovem superfície lunar.

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Anomalia na bacia do Polo Sul-Aitken (SPA) basin anomaly. Imagem: NASA/Goddard Space Flight Center/University of Arizona

James e os seus colegas estudaram a Bacia SPA através do uso de conjuntos de dados recolhidos em duas missões lunares da NASA: a Lunar Reconnaissance Orbiter (LRO) e a Gravity Recovery and Interior Laboratory (GRAIL). A LRO orbita a Lua há quase uma década e mapeou a topografia da sua superfície com detalhes sem precedentes. As duas sondas espaciais GRAIL tomaram medições extensas do campo gravitacional e da estrutura interior da Lua, antes de colidirem propositadamente contra a superfície lunar em 2012.

Ao sobreporem as observações da topografia da LRO com as da gravidade detectadas pela GRAIL, a equipa de James identificou a enorme massa sob a cratera, que não tinha sido tida em conta em estudos anteriores. A anomalia pode ser o núcleo rico em metal do antigo asteróide que criou a Bacia SPA, segundo os investigadores, ou pode ser o óxido solidificado dos restos de um vasto oceano de magma que existiu na superfície da Lua.


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"Recebemos comentários positivos de pessoas que simulam impactos e convecção do manto lunar, por isso estou optimista de que este resultado venha a motivar novos caminhos de investigação científica sobre a história da Lua", realça James. Agora, para descobrir se a anomalia é um núcleo de asteróide embutido ou um antigo oceano de magma, os cientistas terão de criar simulações mais sofisticadas de formação de crateras lunares e de convecção do manto.

Futuros astronautas que aterrem na Lua equipados com sismómetros também podem ajudar a resolver a questão, captando medidas minuciosas da gravidade na superfície da Lua. A missão Chang'e-4 da China, que está actualmente a operar na Bacia do SPA, limita-se principalmente a observações de superfície, mas até esses dados podem valer algumas informações úteis sobre a anomalia sublunar. "A Chang’e está a estudar rochas que foram formadas pelo mesmo evento massivo, por isso essas investigações fazem todas parte do mesmo esforço para esclarecer os detalhes desse impacto catastrófico", sublinha James.

Apesar de a Lua ser o objecto extraterrestre mais explorado pelos humanos, esta descoberta é um lembrete de que ainda mal arranhámos a superfície dos seus mistérios.


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