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As Mulheres Levantam a Voz Contra o Sexismo na Dance Music

Em Nova York, mulheres que atuam como profissionais da música mostram caminhos possíveis para acabar com a diferença de gênero na indústria.

O sexismo na dance music apontou seu dedão na nossa cara mais uma vez. Recentemente, Krewella se pronunciou contra a misoginia depois de outra desavença pública com Deadmau5, o Pitchfork chamou atenção para a celeuma na sua mais recente capa com o Skrillex, e o THUMP publicou um editorial sobre o problema do EDM com "homens brancos". Frente a todos esses fatos, foi organizado no começo de abril, em Nova York, um painel sobre mulheres na música eletrônica, organizado pelo coletivo feminino de DJs Discwoman e a ONG Powrplnt

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À luz do dia, as pessoas que eu reconhecia dos sombrios galpões de Nova York se reuniam em um pequeno quarto nos estúdios Red Bull. Moderado pela co-fundadora do Discwoman, Frankie Decaiza Hutchinson, o painel apresentou uma grande extensão de profissionais da música. DJs de Nova York, Venus X e Jasmine Solano (também conhecida como JSMN), compartilharam suas brigas contra o sexismo do um ponto de vista do artista; a fundadora do Bayonet Records, Katie Garcia nos ensinou valiosos ensinamentos sobre a indústria, e a editora da THUMP Michelle Lhooq abordou os assuntos a partir da perspectiva da mídia.

Essa camiseta é o resumo da cultura do abuso sexual em festivais de música.

Todas as quatro debatedoras concordaram que a música eletrônica é uma indústria dominada por homens, fazendo o trabalho de organizações dominadas por mulheres como Discwoman ainda mais necessárias. "Eu costumo achar que sou a única mulher em um quarto, sala de bate-papo ou evento", disse Lhooq, compartilhando estatisticas deprimentes sobre a representação feminina en relação aos DJs escalados para festivais de dance music. Solano concordou, citando o festival Distortion que durou três dias do ano passado, no qual ela era uma das duas únicas DJs na lista toda, como um exemplo particularmente decepcionante.

"É um contraste tão grande porque quando eu vou pra casa [para Nova York], eu conheço tantas DJs mulheres que são tão boas… melhores que metade desses caras", Solano disse. "Talvez o que as pessoas não saibam sobre a indústria, [é que como] qualquer outra indústria corporativa [existe uma] hierarquia de tradição, como um clube dos homens brancos. Todo mundo só está ajudando quem eles sempre ajudaram."

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A música eletrônica é uma indústria dominada por homens.

Até Venus X, que fundou a seminal festa underground GHE20G0TH1K, disse que gênero tem sido uma desculpa muito simples para pessoas a subestimarem como DJ. "Porque eu sou uma garota, é fascinante para algumas pessoas que eu possa discotecar uma mix sem a ajuda de um homem ou um laptop", ela zombou, acrescentando: "O fato de eu não estar tocando uma mix pré gravada é grande coisa". Venus continuou depreciando os homens poderosos que a ofereceram uma "posição de musa" ao invés de um trabalho de verdade, o que ela disse que é traduzido basicamente como: "Você pode ser a inspiração para a minha vida que chupa o meu pinto aos fins de semana?"

Por outro lado, as mulheres reunidas nessa mesa redonda concordaram que micro agressões sutis e formas mais ambíguas de sexismo são mais comuns que o assédio aberto. Esse tópico pareceu especialmente relevante em luz dos recentes eventos, de ampla cobertura do caso Ellen Pao, que demonstrou o quão difícil é provar discriminação de gênero no local de trabalho. "Estou sendo louca? Você está constantemente se questionando: o que você está experimentando é sexismo real?" disse Lhooq.

Afinal de contas, é difícil defender igualdade dos gêneros quando você está tentando ter sucesso, um ponto importante no qual as palestristas tocaram. Citando a recente entrevista de Jessica Hopper com Björk no Pitchfork, Lhooq apontou que mesmo a superestrela islandesa admitiu deixar homens pensarem que eles tiveram as ideias dela em nome da eficiência.

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Essa escolha entre levantar a voz para o que é certo e fazer as coisas tem muita relevância para mulheres que trabalham em uma indústria na qual cada aspecto de suas habilidades e entusiasmo é examinado sob as lentes de um microscópio. Como Garcia, que também trabalha com artistas e repertórios no Secretly Label Group, disse, tudo é "como um teste para ver o quão autêntico você é, enquanto entre caras não existe tanta crítica. Existe essa luta constante onde você tem que se provar".

Considerando que todas as palestrantes se identificaram com um background cultural não-branco, o tópico da diversidade é particularmente importante. O feminismo é diverso, elas apontaram, e nem todos os problemas são divididos de maneira idêntica - como mostrado no hashtag #solidarityisforwhitewomen e no ataque ao Riot grrrl. Como Lhooq chamou atenção, "não existe uma forma monótona de feminismo, e mesmo dentro do feminismo existem muitas lutas diferentes. DJs mulheres brancas terão mais facilidade que as mulheres DJs negras."

Como uma Dominicana simpatizante queer, Venus X falou eloquentemente sobre o assunto, notando que "existe uma intersecção [de identidades em jogo] e que todas as ruas estão cruzando no meu corpo". Essa pluralidade costuma ser muito complicada para grande parte da indústria, ela disse. "Eles ficam tipo, 'escolha uma rua e ande nela'. E eu, 'Eu não consigo! Eu preciso andar um pouco em cada rua e costurar por elas para a música continuar relevante para mim mesma."

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O evento terminou em um tom positivo, enquanto as quatro mulheres falavam sobre modos efetivos de mudança. Todas elas encorajaram fortemente a orientação, citando modelos femininos, espaços gerenciados por mulheres e o espírito colaborativo como formas cruciais de encorajar outras mulheres na indústria.

Ao final, enquanto Venus X discutia, o que vai determinar progresso na música eletrônica se mulheres não podem expressar sua sexualidade sem estigma. "Ela pode agir como uma mulher? Ela pode parecer uma mulher? Eu posso ser linda e levada a sério?" Venus X disse para uma salva de aplausos. "Isso é apenas o que Deus me deu. Eu não deveria precisar esconder isso de ninguém."

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Tradução: Pedro Moreira