Key to a False DoorCastle Face8/10A imagem de um power-trio formado por três tipos carecas, que muitas vezes até são vistos com roupa semelhante a uma farda, poderia fazer crer que os Blind Shake estivessem virados para o antissemitismo ou algo que o valha. Mas, tal como devem existir antissemitas com uma trunfa até aos pés, também muitos carecas nada têm a ver com o cliché de ódio que tantas vezes lhes é colado. Várias opiniões até dizem que os Blind Shake são bastante bem-educados após os concertos e que os dois irmãos da banda (que são também os guitarristas) se dão às mil maravilhas, o que, como sabemos, não é assim tão comum no rock.
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Nada habitual também é a astúcia com que os Blind Shake escapam à ratoeira dos géneros instaurados: os riffs soam demasiado divertidos para que os irmãos Blaha (e o baterista) funcionem apenas como alunos da escola azeda da Amphetamine Reptile (mítica label para a qual já gravaram); da mesma maneira que uma forte presença do hardcore puramente americano impede que o trio deKey to a False Doorse acomode num cantinho new wave. Mas todos esses elementos convergem, com resultados surpreendentes, nuns Blind Shake muito capazes de nos fazer imaginar o que seriam uns Devo carregados de testosterona e encarregues de uma missão em que não podem mesmo falhar.O novoKey to a False Doorexplode com uma urgência que só podia mesmo vir de uma banda que, depois de dez anos de escalada gradual, já não tem tempo a perder. Visto como um alvo em que os riffs são as flechas,Key to a False Doortem demasiado furos no centro para que o seu potencial seja ignorado: “Red River Visionaries” é uma coboiada das antigas, “Monofactory” lembra os Oh Sees e explica em parte a presença dos Blind Shake na Castle Face, de John Dwyer, e depois há uma “Calligraphy” com um cheirinho a “Budapeste”, dos Mão Morta. Há também um apontamento experimental chamado “Flying Rabbit”, que sai completamente ao lado do alvo e serve só mesmo para limpar o palato. Mas, mesmo antes disso acontecer,Key to a False Doorjá estava ganho como álbum de rock missionário e directo ao assunto. Os três carecas merecem três salvas de palmas pelo esforço.