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Drogas

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O Uruguai, como quase todo país do mundo, tem problemas com o comércio de drogas. Dando um exemplo sensato e razoável que deveria ser seguido por todo mundo, atualmente eles estão tentando legalizar a cannabis.
19.10.12

A guerra contra as drogas acontece há mais de quatro décadas, e a conclusão retumbante é que, no geral, essa briga causou mais mal que bem. Um submundo de negócios ilegais isentos de impostos que prospera simplesmente por causa de seu status subterrâneo? Opa, vamos deixar o governo norte-americano enfiar literalmente bilhões de dólares nisso, manter tudo ilegal — o que, por definição, mantém o negócio funcionando — e torcer pra coisa toda sumir.

O Uruguai, como quase todo país do mundo, tem problemas com o comércio de drogas. Dando um exemplo sensato e razoável que deveria ser seguido por todo mundo, eles atualmente estão tentando legalizar a cannabis. Argumenta-se que isso pode enfraquecer o mercado ilegal uruguaio, ajudar o governo a caçar traficantes e se concentrar na reabilitação de viciados. Os defensores da legalização também avaliam que, separando a cannabis de drogas mais pesadas, a coisa da “porta de entrada” vai desmoronar, o que significa que as pessoas que já usaram maconha não precisam mais acabar com uma agulha espetada no braço.

O mais novo problema no Uruguai é o paco, ou “pasta base”, um subproduto da cocaína que é altamente viciante e custa ao usuário pouco mais de R$ 0,50 por dose. É uma droga acessível pra qualquer nível da sociedade e tão fácil de conseguir quanto a erva, mas isso não impede que os viciados roubem e matem pra manter o vício.

São as mesmas gangues que gerenciam o comércio do paco e da erva, assim, além de arrancar uma dentada dos lucros deles, legalizar a cannabis no Uruguai pode romper a associação que as duas drogas atualmente têm com a juventude do país, e espera-se que isso diminua a quantidade ridiculamente assustadora de adolescentes que se viciam em paco.

Isso já foi dito incontáveis vezes — porque muitas e muitas pessoas têm opiniões racionais —, mas, com a epidemia de crack, heroína e metanfetamina só piorando na América e Europa, sem falar nos problemas financeiros pelos quais o mundo todo está passando, é hora dos políticos terem colhões pra dar os primeiros passos em direção à descriminalização das drogas. Portugal fez isso e, cinco anos depois, o uso de drogas entre adolescentes caiu dramaticamente e o número de viciados que procuram tratamento dobrou.

Vamos ver o que acontece no Uruguai.