Como o Discogs trouxe a colecionismo de vinil para o século 21

Como o Discogs trouxe a colecionismo de vinil para o século 21

Uma rara entrevista com os diretores do site de catalogação e venda de música.
16.5.17

Todas as fotos são cortesia do Discogs. Todas as fotos são cortesia do Discogs.

Entrevista originalmente publicada no THUMP US .

A maioria das grandes empresas tem um bom mito de criação. A Nike começou no porta-malas do carro do Phil Knight. A Apple, a Amazon e o Google começaram em uma garagem. O Discogs, plataforma de catalogação e venda de discos fundada por Kevin Lewandowski, em 2000, tem uma história similar — talvez um pouco mais apertada, por assim dizer. O site começou num closet.

"Na época, eu estava morando em um prédio que oferecia acesso grátis à internet, então falei com a administração e eles disseram que tudo bem", diz Lewandowski, fundador e diretor executivo do Discogs, 42 anos, durante uma videochamada feita diretamente da sede da empresa em Portland, Oregon. "Uma época, o servidor realmente ficava dentro do closet do administrador. Ele sem querer chutou o cabo de força uma vez. Eventualmente, eu o levei para um lugar mais estável."

Dezessete anos depois, o escritório do Discogs se parece mais com uma típica startup de tecnologia, com máquinas de fliperama, pop art nas paredes e uma cabine de DJ completa, equipada com uma coleção de discos própria. Embora eles não vendam smartphones, resultados de pesquisa ou tênis, são líderes de mercado dentro do seu nicho, organizando, arquivando e facilitando a venda de discos — além de ocasionais CDs, fitas cassete e DVDs — através de uma fidelíssima comunidade de usuários.

A cabine de DJ do escritório do Discogs.

Quer saber quem cortou a laca do Discovery, disco seminal do Daft Punk? Quer gastar US$ 15 mil em um disco raro do Prince, como um cara fez no ano passado, alcançando o topo do relatório de vendas anuais da empresa? O Discogs é o lugar certo. Desde o seu início, os usuários vêm construindo uma das maiores e mais imponentes base de dados musicais da história humana.

O site não dá sinais de desacelerar. Só em 2016, a sua base de dados cresceu 12%, elevando o número total de discos catalogados para mais de 8 milhões; também foi um ano recorde para as vendas, com 6.691.144 discos de vinil vendidos, e um aumento de 26% em todos os formatos. Segundo a empresa, alguns selos chegam a usar o seu relatório anual para descobrir quais discos dos seus catálogos valem uma reprensagem.

Dito isso, usar o serviço pode ser intimidador. Quem vende ou envia dados discográficos sobre uma obra musical — chamado de "submitter" dentro do site — deve aderir a um conjunto estrito de regras que ditam como a qualidade dessa obra deve ser avaliada usando o padrão de classificação Goldmine. (Os vendedores também pagam uma taxa de 8% por compra). Os compradores, por sua vez, têm um número impressionante de títulos musicais para garimpar — o que pode ser muito perigoso para a sua conta bancária e a sua sanidade mental. Os usuários mais inseguros podem colocar um título na sua lista de desejos, ou "wantlist", para monitorar as flutuações de preço, ou simplesmente deixá-lo no carrinho até se sentirem prontos para comprar — correndo o risco de alguém comprar o disco primeiro.

Embora hoje você possa comprar qualquer coisa no Discogs, de uma prensagem japonesa de um disco dos Rolling Stones ao último lançamento da Rihanna, a empresa começou focada na dance music. Ou, mais precisamente, nos colecionadores aficionados de dance music — do tipo que paga US$ 80 por três faixas do Andrés, produtor de house de Detroit, cujo EP New For U, de 2012, foi o mais vendido do site em 2013. O disco vendeu impressionantes 500 cópias naquele ano, então você pode imaginar quanta gente está pagando uma boa grana por músicas que o consumidor comum sequer consegue identificar. "Tem uma enorme cauda longa para todo tipo de coisa que ninguém nunca ouviu falar", diz Lewandowski.

Não surpreende que alguns dos membros mais antigos da equipe do Discogs, como o escocês Nik Kinloch, sejam fãs de house e techno. Depois de trabalhar um tempo num selo de ghetto tech de Detroit, Kinloch, usuário do site desde os seus primórdios, mandou um e-mail para Lewandowski mostrando interesse em entrar para a equipe em 2002. Ele é gerente de produtos desde então, e a maneira orgânica como entrou na empresa é representativa da sua vibe colaborativa.

Na década seguinte, a equipe foi ampliada e passou a incluir caras como Chad Dahlstrom, ex-funcionário da distribuidora independente CD Baby, que se tornou diretor de operações em 2014. À essa altura, a empresa já havia aberto suas portas a virtualmente todo gênero musical existente. Ron Rich, que cita como seu disco mais precioso uma primeira prensagem do Kid A, do Radiohead — comprado no Discogs, é claro — se juntou ao grupo há apenas dois anos, como chefe de marketing. O site se alimenta de pesquisas — pessoas que têm um disco muito específico em mente e querem ou saber mais sobre ele, ou comprá-lo. Por isso, a companhia não precisou de marketing por anos. O produto deles literalmente se vendia sozinho.

O fundador e diretor executivo do Discogs, Kevin Lewandowski (à esquerda), e Chad Dahlstrom, diretor de operações (à direita).

Hoje em dia, o Discogs tem um aplicativo que você seguidamente vê as pessoas usando para pesquisar o "preço de mercado" dos vinis que elas encontram nas lojas de discos — para o desgosto dos donos de loja mal-humorados. (Como a maioria das atualizações do site, ao longo dos anos, o app foi um pedido dos usuários). Recentemente, o site também passou a organizar uma série de eventos e uma feira de discos, onde os melhores seletores do mundo tocam em meio a vendedores e compradores, continuando a inspirar amantes da música com números de vendas assombrosos. Em uma longa entrevista, falamos com Lewandowski, Dahlstrom, Rich e Kinloch sobre a evolução fascinante da empresa de um pequeno paraíso para fãs de techno obcecados por dados a gigante da indústria.

THUMP: Kevin, li no New York Times que você começou a empresa essencialmente como uma maneira de catalogar os seus próprios discos de techno. Como o seu gosto por colecionar discos influenciou na criação do Discogs?
Kevin Lewandowski: Eu estava nos meus últimos dois anos de faculdade quando comecei a comprar discos. Quando me formei, comprei alguns toca-discos e comecei a tocar. Isso foi ali pelo fim dos anos 90 — antes dos fóruns de internet — e eu participava de algumas listas de e-mail onde perguntava sobre coisas como catálogos antigos e pseudônimos de artistas. Todas essas informações eram trocadas manualmente por e-mail, meio como acontece nas lojas de discos. Falava-se [entre os usuários das listas de e-mail] de uma base de dados virtual para essas informações. As pessoas falavam em criar um projeto chamado Trainspotter, que era para ser uma base de dados musical incrível e organizada. Na verdade, ela seria parte de um projeto chamado Hyper Real, um site de arquivamento de raves. Entrando nele, você iria até a seção de discografias e teria esses microsites.

Eles tentaram construir [o Trainspotter] durante uns três anos; olhando em retrospectiva, havia o problema clássico de ter muita gente envolvida, com opiniões demais e pouca ação. Mas a ideia me empolgou de verdade, e eu já tinha um passado com software e programava desde o ensino médio, então estava interessado em criar alguma coisa. Me aventurei e construí algo muito simples. Levou cerca de seis meses, e então, no fim de 2000, lancei [o Discogs].

Além do Trainspotter, tinha alguma outra espécie de site discográfico do qual você ouviu falar?
Lewandowski: Tinha um outro site chamado Amazing Discographies. Tinha discografias de muitos selos, mas você tinha que mandar um e-mail para o dono [do site] com as informações discográficas para ele adicioná-las. Eles não tinham listas de faixas detalhadas nem nada. Por outro lado, havia muitas discografias especializadas de artistas. Sei que tinha uma enorme do Moby.

Quais momentos marcantes do começo da empresa se destacam para você?
Lewandowski: Inicialmente, o tráfego era muito baixo, mas estava quase dobrando a cada mês por volta de 2001-2002. Eu não estava feliz no meu trabalho na Intel e percebi que não poderia ficar muito mais tempo lá, então me dei cerca de seis meses. Um pouco depois, ofereceram demissão voluntária para a minha equipe, então eu poderia receber o pagamento de seis meses para pedir demissão. Foi uma decisão muito fácil de tomar. Esse foi um momento decisivo; me deu muito tempo para focar [na empresa].

Depois o Discogs teve várias versões — enquanto descobríamos como ganhar dinheiro com ele e como fazê-lo evoluir de um lance de colecionador underground para um negócio. Criei um serviço premium em que você podia pagar cerca de US$ 12 por ano para ter acesso a funções avançadas e o desativei alguns anos depois; não era muito popular. Quando o Google AdSense foi lançado, imediatamente nos rendeu uns US$ 3 mil por mês, que era o que eu precisava para pagar todas as contas e não ter prejuízo. Levou cerca de nove meses para ele chegar a um ponto autossustentável. Quando lançamos o marketplace no final de 2005, ficou muito claro, já no primeiro ano, que ele ia fazer sucesso e que era nele que eu devia focar em termos de lucro.

Quando lançamos o marketplace no final de 2005, ficou muito claro, já no primeiro ano, que ele ia fazer sucesso — Kevin Lewandowski, fundador e diretor executivo do Discogs

O que levou à criação do marketplace?
Lewandowki: Nossos usuários pediram. Já existiam as funções "collection" e "wantlist", e muita gente pedia a criação de uma lista "à venda", só para ter uma lista das coisas que estava vendendo. Também percebi que havia muitas compras e vendas acontecendo nos bastidores, por e-mail e mensagens privadas. As pessoas haviam até mesmo criado contas com nomes interessantes como "tudo nesta collection está à venda" e hackeado o sistema de classificação para indicar preços. Então, se [um disco] era cinco de cinco [estrelas], custava US$ 10. Quatro de cinco, custava US$ 8. As pessoas queriam uma maneira de vender e comprar discos. A Amazon e o eBay já existiam, mas não eram ainda o que são hoje.

Como as pessoas descobriam a empresa naquela época?
Nik Kinloch: A comunidade era um lance totalmente on-line. Todo mundo meio que se conheceu no Discogs, e eles eram muito, muito dedicados. Acho que os nossos usuários ainda são muito dedicados à ideia do Discogs, de catalogar toda essa música que todo mundo ama e compartilhar isso. Boa parte do tráfego era de pessoas pesquisando e achando coisas.

Char Dahlstrom: Buscas por informação.

Lewandowski: O tráfego era totalmente orgânico. Não tivemos marketing até o Ron entrar para a equipe alguns anos atrás. Todo esse conteúdo é tão original que não há muitos outros lugares onde você possa achá-lo.

Kinloch: Acho que outra coisa muito importante que aconteceu foi quando deixamos de ter um catálogo estritamente eletrônico e passamos a ter outros tipos de música. Levou alguns anos para adicionar todas as categorias de música. Acho que isso provavelmente aconteceu junto com o começo do marketplace, quando finalmente tínhamos de tudo.

Lewandowski: Limitei o catálogo à música eletrônica no começo porque seria pesado demais não fazê-lo, e porque, tecnicamente, é muito mais difícil catalogar jazz e música clássica. A estrutura da informação [na música eletrônica] é muito mais simples. Acho que provavelmente esse foi um dos motivos por que o Discogs decolou e o Trainspotter, não: eles tinham esse projeto maior em vista, e nós tínhamos um foco muito menor.

O escritório do Discogs em Portland, Oregon.

Vocês sentiram que o público do site mudou quando ele se abriu para mais gêneros?
Kinloch: Não foi uma mudança tão grande ir do eletrônico ao rock. Acho que as pessoas gostam de gêneros variados. O Discogs meio que perdeu aquela vibe de clubinho, o que, sinceramente, acho que é bom. Tipo: "Só curto techno sueco e não escuto mais nada". Essa mentalidade cansa depois de algum tempo.

Lewandowski: A música eletrônica foi o nosso foco durante dois anos. Isso criou uma base de usuários que eram interessantes e expandiram a base de dados de acordo com o seu gosto pessoal. Quem gosta de música eletrônica também pode gostar de industrial, por exemplo, o que leva ao rock. O rock dominou no ano passado. O Rumors [do Fleetwood Mac] foi o disco mais vendido do site, e o Dark Side of The Moon [do Pink Floyd] foi o segundo mais vendido. Alguns anos antes, foi o Lazaretto do Jack White. Então sim, meio que teve uma mudança em que o rock acabou superando a música eletrônica nas nossas vendas.

Dahlstrom: Com certeza temos novos desafios — você vê grindcore [risos], vê coisas que não tem como desver. Com certeza assumimos uma posição em que, pelo menos do nosso ponto de vista, se um disco tem discurso de ódio ou é ofensivo, não permitimos que seja vendido. Como supremacia branca — tem coisas que passam dos limites, e esse é o tipo de coisa sobre a qual não queremos lucro. É um arquivo, [o disco] existe; fazemos o lance da base de dados, então tudo que já existiu está lá.

Que papel o Discogs teve na evolução do vinil?
Lewandowski: O Discogs tem crescido a cada ano, então, paralelamente ao aumento do interesse pelo vinil, continuamos a crescer. Acho que não nos encaixamos na música mainstream, e mais no sentido de colecionador. Quando as pessoas querem procurar mais a fundo e saber mais sobre produtores obscuros que trabalharam nesses discos, é quando elas vão até o Google, descobrem o Discogs e começam a comprar coisas mais raras.

Dahlstrom: Esse é o motivo por que temos 50 pessoas aqui, agora, e não 16. Nos perguntam qual é o nosso lugar [no mercado do vinil]. Não produzimos discos — é o mercado que decidiu que os quer. Mas eu diria que temos um papel importante em manter [o vinil] vivo.

Eu diria que temos um papel importante em manter [o vinil] vivo — Chad Dahlstrom, diretor de operações do Discogs

Vocês acham que essa tendência dos grandes selos prensarem discos é uma bolha?
Dahlstrom: Pensamos muito nisso. A reprensagem certamente é parte disto, mas olhe para os selos independentes e você vai ver quanta gente está usando fábricas de vinil e como elas andam movimentadas. Não posso prever, mas as coisas ainda parecem estar seguindo o rumo certo. Acabamos de viajar para a Holanda, onde estão convertendo prensagens de CD em prensagens de vinil. No geral, a indústria [do vinil] está engrenada.

Como é a relação de vocês com os selos?
Dahlstrom: Falamos muito com os selos. Uma vez, eu estava numa conferência de tecnologia musical em São Francisco, falando com um cara da Warner/Atlantic, e ele disse que eles usam o Discogs para conferir os seus catálogos antigos em vez de consultar o catálogo interno. Acabamos de contratar esse cara, Jeffrey Smith, que é promoter há 15 anos, para melhorar essa relação. Queremos que os selos se envolvam. Queremos que os nossos dados sejam precisos. Se eles quiserem vender através do site, isso vai ser ótimo também.

Lewandowski: Sim, todos [os selos] usam o Discogs. Mas decidimos não fazer nenhuma importação massiva de catálogos.

Dahlstrom: Da perspectiva [dos selos], somos uma peça fundamental no mercado do vinil. Se eu fosse eles, preferiria vender um LP a distribuí-lo por streaming, porque obviamente se ganha mais dinheiro por unidade dessa maneira.

Ron Rich: Os dados estão ali. Um monte de selos pode entrar e ver qual é o lançamento mais vendido de um artista, o mais procurado. Então os selos entram para ver esses dados e decidir quais discos vão querer reprensar.

A inflação dos preços é um assunto que sempre aparece quando se fala no Discogs e no mercado do vinil. Vocês conseguiram controlar isso?
Lewandowski: Já ouvi teorias de que o Discogs quer aumentar os preços e todo tipo de coisa, mas não temos nada a ver com a fixação dos preços. Os negociantes estabelecem o preço como querem e os compradores decidem se querem pagar.

Kinloch: Capitalismo puro.

Lewandowski: É um mercado livre.

Dahlstrom: Não vou citar nomes, mas outros marketplaces, quando percebem que um produto está vendendo muito, vão lá e o produzem eles mesmos, alteram o preço e, talvez, passam a enviá-lo com frete grátis. Não estamos fazendo nada disso. Não estamos usando os dados e influenciando o mercado em qualquer sentido. Além disso, as lojas de discos fixam seus preços baseadas no Discogs. Vocês nunca entraram em uma loja de discos, olharam o app do Discogs e disseram: "Posso comprar esse disco no Discogs por esse preço, o que estou fazendo aqui?". E as lojas de discos não ficam putas com isso às vezes? Claro. Temos uma plataforma. Mas temos alguma influência sobre ela? Não. Ela só faz o que o mercado faz.

Lewandowski: A maioria das queixas sobre preços que vejo no Discogs são de vendedores ou compradores que querem comprar algo barato e vender por muita grana. Ou de vendedores que não conseguem mais vender pelo preço que vendiam antes, porque os preços podem ser pesquisados agora.

Com que frequência vocês veem compradores inexperientes usando o Discogs, em comparação com colecionadores mais sérios?
Lewandowski: A maior parte do nosso tráfego é de gente que só está dando uma espiada. 10 milhões de pessoas visitam o site todo mês e temos 3 milhões de usuários.

Rich: É meio caótico. Alguém pode entrar procurando saber mais sobre o Dark Side of the Moon, e quando se dá por conta, está vendo toda e qualquer coisa que o [David] Gilmore tenha feito. Então, em termos dessa barreira de entrada, é meio que escolha-sua-própria-aventura, certo? Não tem ninguém na sua cola te dando ordens, mas também não tem ninguém ali para segurar a sua mão.

Kinloch: É necessário um pouco de conhecimento para catalogar e até mesmo para entender o site, e temos muitas páginas de ajuda sobre como enviar dados. As pessoas fazem isso no amor mesmo. Mas o que torna o Discogs incrível é que as pessoas se dedicam a esses dados, elas dedicam mesmo o seu tempo a construir o site. Temos mais de oito milhões de discos ali; acho que temos mais páginas do que a Wikipédia agora.

Lewandowski: Varia muito, de pessoas que querem agir como mentoras àquelas que ficam revoltadas quando alguém envia uma informação errada. O maior "submitter" [do site] trabalha para nós, na verdade, e parte do trabalho dele é ajudar as pessoas a sair dessa vibe "enviei algo errado e nunca mais quero entrar no Discogs".

Quem é ele?
Lewandowski: O nome dele é Brent. O username dele é Diogenes the Fox. Esqueci quantos envios ele já fez. Trinta mil, talvez? Estava conversando com alguém um tempo atrás sobre nossos discos mais estranhos e obscuros. Acho que o meu era um chamado "Sounds of Steam"; eram só gravações de locomotivas a vapor dos anos 50. Então dei uma pesquisada sobre ele e, é claro, ele tinha sido enviado pelo Brent.

Dahlstrom: Ele tem uma mentalidade meio altruísta. Tipo, se este disco não for registrado nessa base de dados, ele existiu? Ele tem umas esquisitices, vai lá e compra coleções de discos de aeróbica de fins dos anos 70.

Que novidades estão por vir no Discogs?
Lewandowski: Também tenho focado no que chamamos de metaprojetos. Como aplicar o conceito do Discogs a outras coisas. Lançamos [a base de dados de equipamentos musicais] Gearogs, porque equipamento tem tudo a ver com discos. Vamos lançar um marketplace em abril.

Dahlstrom: Mais uma vez, perguntamos para a comunidade, e eles disseram: "Adoramos o jeito [como o Discogs] cataloga; queremos catalogar essas coisas também". Também compramos o projeto Crate Diggers, então estamos tentando fazer mais feiras de discos — ir para a rua e falar com as pessoas. Queremos manter isso vivo, ao mesmo tempo em que criamos a nossa própria versão disso. Todos nós já fomos a uma venda de discos no porão de uma igreja, e não tem nada de errado nisso, mas estamos tentando apenas celebrar o conceito de comprar e vender pessoalmente, e alcançar esses gêneros e partes do mundo dos quais não temos muitos discos. Quão completa é a nossa seção de j-pop? Quão completa é a nossa seção de jazz cubano? Temos o site em mais línguas agora, e estamos abrindo a tradução para os usuários.

Kinloch: Outra peça do quebra-cabeças são os dados e como podemos mostrá-los para as pessoas de diferentes maneiras. Temos todos os discos com as listas de faixas em texto simples. São [dados] estáticos. Então o que estamos tentando fazer é promover esses dados brutos para poder linkar as faixas, pesquisar a musicologia de onde elas vieram, quem as compôs, que outras versões existem delas. Como elas mudaram ao longo dos anos, como foram remasterizadas — todos esses metadados. Ainda não sabemos ao certo, mas vai ter mais de 100 milhões de faixas na nossa base de dados, então conseguir e combinar toda essa informação é muito importante. Vai ser muito divertido para quem se interessa por isso.

Qual foi o disco mais esquisito que vocês já viram no site?
Lewandowski: Não sei se quero que isso apareça na matéria.

Kinloch: As lixas do Aphex Twin? Não sei se deixamos isso entrar ou não. Tem todo tipo de coisa esquisita. Acho que alguém lançou alguma coisa num cilindro de vinil no ano passado. Também tivemos que colocar limites no que é um lançamento aceitável, que as pessoas podem tocar de fato, e o que não é. Isso tende a ir mais para o lado artístico, quando alguém pega uma fita cassete, grava alguma coisa, depois a quebra em pedacinhos com um martelo, coloca num saco e vende. Nós colocamos limites, eu acho. Você tem que poder ouvir a coisa.

Dahlstrom: Alguém "tocou" uma árvore [uma vez].

Kinloch: Vocês souberam do lance que rolou dos vasos egípcios? A ideia era que, quando [os antigos egípcios] estavam fazendo esses vasos, eles os giravam e faziam um espiral neles com palha. Alguém achou que talvez pudesse haver algum tipo de som que eles gravaram naqueles vasos. Não acho que tenha funcionado, infelizmente.

David Garber está no Twitter (e no Discogs também).

Leia mais no THUMP, o canal de música eletrônica da VICE.
Siga o THUMP no Facebook e Twitter.
Siga a VICE Brasil no Facebook, Twitter e Instagram.