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Veja o Documentário que Mostra como a MC Mayara Está Popularizando o Eletrofunk

Depois de retratar os bailes funk de rua em São Paulo, em 'Na Batida do Eletrofunk' o diretor e roteirista Renatos Barreiros revela as origens do subgênero que surgiu de sons automotivos.

Depois de abordar as singularidades do funk de São Paulo no documentário Fluxo, o diretor e roteirista Renato Barreiros sentiu-se impelido em seguir desvendando a pegada própria de cada ramificação do estilo. Atualmente tem um monte de coisa nova rolando. Existe um cenário louco crescendo no Maranhão, com a MC Hanna, o MC Pamtu, no Mato Grosso, e a turma do Brega Funk, no Recife. Tudo isso ainda será documentado por ele no ano que vem, no projeto Funk Brasil. Mas o que está pegando agora é seu olhar sobre o eletrofunk, no webdoc Na Batida do Eletrofunk, que acaba de ganhar a rede.

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O filme de quase quarenta minutos começa com um esclarecedor depoimento do Alexandre Alves, diretor da Eletrofunk Brasil. O Alexandre virou tipo um Malcolm McLaren da parada. Ele foi o cara que detectou a tendência e fez acontecer, divulgando os artistas e definindo a identidade visual dos clipes. "A vida dele é incrível", diz Barreiros, "começou como fã do Raul Seixas, levou alguns dos primeiros shows de artistas brasileiros pra Angola, fez turnê internacional com os maiores nomes do pagode nos anos 1990 e trabalhou para equipes de baile funk no Rio. Só isso aí já dava um documentário".

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A partir disso, o roteiro apresenta a MC DZ como principal referência do início do eletrofunk, e evolui para a nova geração, representada pela MC Mayara. Mais cadenciado do que bate-estaca, a principal característica sonora dessa vertente é o fato de se situar bem no meio do caminho entre a dance music e o pancadão. A MC Mayara não é só o ponto de partida para ilustrar o tema. Ela é, na verdade, o ponto central da história. Isto porque, segundo Barreiros, "a Mayara é a maior expressão do eletrofunk, que entrou inclusive nas festas universitárias de São Paulo. O clipe novo dela bateu 500 mil visualizações em apenas um dia, sem nenhuma ajuda da imprensa convencional. É um fenômeno impressionante".

A essa altura, o clipe de "Ai Como eu Tô Bandida" já ultrapassou um milhão de visualizações. As melodias fáceis e o discurso espirituoso da Mayara, que é de Curitiba, já se alastraram por todo o país. Ela apavora tanto em festas de som automotivo no interior do Paraná como nos Jogos Universitários de Comunicação de São Paulo (JUCA) e baladas gay de Goiânia. "Ela é a grande responsável por tirar o eletrofunk da subcultura dos encontros de som automotivo e torná-lo mais acessível ao grande público", atesta o diretor.

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Renato Barreiros conta que o documentário é uma ideia que não vem de agora, e que acabou se concretizando pela força da ocasião: "Na verdade a proposta foi uma sugestão do André Maleronka [editor da VICE], durante um trabalho que fizemos juntos, mas acabou não indo pra frente. Eu já tinha falado com o Alexandre, mas estava em aberto. Fui para Curitiba filmar outro documentário que estou produzindo, sobre som automotivo, e decidi aproveitar a deixa". Isso explica a edição numa pegada meio matéria de tevê, sem grandes saídas de linguagem. Barreiros fez ouro do material que conseguiu juntar em apenas dois dias, com imagens de cobertura que o Alexandre cedeu.

Foi a maior correria, conta Barreiros. "Cara, rolou de tudo, desde acabar a memória dos cartões no meio das entrevistas e ter que parar para descarregar até problema no som quando você assiste no celular – que já conseguimos consertar. Sei que tecnicamente temos diversas falhas, mas sinceramente não vejo espaço para filmar esse tipo de conteúdo através de editais ou leis de incentivo. Então, é o famoso 'vai no que dá'". Mesmo com todo o enrosco, o vídeo consiste num lance bem pontuado e informativo. E é isso o que importa.